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Postado em 06-05-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 06-05-2010 11:26


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Em seu artigo desta quinta-feira, na Tribuna da Bahia, o jornalista Ivan de Carvalho trata de uma delicada questão de política internacional, que seguramente marcará presença nos comícios e dabates da campanha presidencial. O colunista assinala: O presidente Lula e o Ministério das Relações Exteriores, quase todo o PT e mais alguns pequenos partidos cuja bandeira principal é se autodenominarem “de esquerda”, vivem fazendo festa para regimes políticos como os de Cuba, Sudão, Venezuela, Irã, “partes do mundo onde os detentores do poder não dão a mínima para os princípios democráticos e para os direitos humanos”, diz Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS
)

OPINIÃO POLÍTICA

Dilma ganha apoio podre

Ivan de Carvalho

Ora, o presidente Lula e o Ministério das Relações Exteriores, com a entusiástica aprovação de quase todo o PT e mais alguns pequenos partidos cuja bandeira principal é se autodenominarem “de esquerda”, vivem fazendo festa para regimes políticos como os de Cuba, Sudão, Venezuela, Irã, partes do mundo onde os detentores do poder não dão a mínima para os princípios democráticos e para os direitos humanos.
Há poucos dias, a candidata do PV a presidente da República, a senadora Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente e ex-petista, sintetizou em duas frases lapidares sua opinião desfavorável à política externa brasileira.
Disse que o Brasil é “a única democracia ocidental que tem dado audiência a Ahmadinejad” – o presidente do Irã, que vive de braços e abraços com Lula quando não está cuidando do perigoso programa nuclear iraniano e rompendo com a Agência Internacional de Energia Atômica, órgão da ONU que fiscaliza programas nucleares para assegurar que não tenham fins bélicos.
Disse também Marina Silva que “se os direitos humanos são importantes para os brasileiros, também são importantes para os cubanos”, numa singela e arrasadora condenação dos amores do nosso presidente e do nosso governo ao regime totalitário cubano, amores, salamaleques e rapapés executados por convicção e também para dar um cala-a-boca às alas petistas mais à “esquerda”, insatisfeitas com algumas políticas do governo no plano interno.
Bem, Marina teve a sua vez e arrasou. Ontem foi a vez de José Serra, o adversário tucano. Ele não deixou passar batida a declaração de apoio do presidente-ditador da Venezuela, Hugo Chávez, à candidata do PT a presidente da República, Dilma Beng… hiiii, não consigo esquecer isso!… Rousseff.
Em entrevista ao grupo RBR, em Porto Alegre, Serra sabia, porque era óbvio, que iam lhe perguntar sobre a torcida de Chávez por Dilma. Esperou. Perguntaram. E ele: “Quero te dizer uma coisa, até acho muito bom, no meu caso”. Já seria o suficiente, a ironia estava de bom tamanho. Mas a oportunidade pedia mais. Serra, falando a um grupo de mídia, criticou a intervenção (brutal) de Chávez nos meios de comunicação da Venezuela, disse que a entrada da Venezuela no Mercosul enfraquecerá essa organização, alertou que “não reformar o Mercosul compromete sua existência” e completou: “Chávez começou na vida pública encabeçando um golpe. Só depois foi eleito”.
A palavra agora está com Dilma. Compete a ela dizer aos eleitores se aceita ou rejeita o apoio declarado, ostensivo, de um governante vizinho que está trabalhando contra a democracia e os direitos humanos em seu país durante 24 horas por dia, todos os dias.
Se ao menos fosse preguiçoso, isso já seria uma atenuante. Mas não é. Se calasse, seria outra atenuante. Mas não cala, nem sob ordem real.

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Comentários

GILBERTO on 6 Maio, 2010 at 14:24 #

E temos que ler estas coisas podres.


danilo on 6 Maio, 2010 at 15:52 #

o coronel Hugo Chávez é a mais perfeita tradução daquilo que significa Fascismo do século 21


luiz alfredo motta fontana on 6 Maio, 2010 at 18:11 #

Enquanto Ivan busca diferenças, continuamos acentuando semlhanças.

Deu na Folha de São Paulo:

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Pré-candidatos indicam preocupação com rombo

DA ENVIADA A PORTO ALEGRE
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
DA REPORTAGEM LOCAL

Os principais pré-candidatos à Presidência evitaram criticar diretamente o reajuste de 7,7% aos aposentados aprovado pela Câmara dos Deputados, mas sinalizaram apoio à decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve vetar a medida.
Apesar de ter manifestado preocupação em conversa com aliados, o pré-candidato do PSDB, José Serra, afirmou que o aposentado “ficou para trás” no Brasil. Segundo ele, o impacto da medida deve ser avaliado.
“O ministro Guido Mantega [Fazenda] é um homem responsável. O presidente Lula tem prestado muita atenção nisso. Vou apoiar a decisão que o governo federal tomar a esse respeito”, disse o tucano.
A pré-candidata petista, Dilma Rousseff, driblou ontem jornalistas e deixou para comentar sobre o reajuste aos aposentados aprovado pela Câmara apenas na internet.
Ao sair de almoço com a cúpula do PSB, em hotel de Brasília, a ex-ministra posou para fotos e discorreu por três minutos sobre a importância da aliança “estratégica” com o partido, anunciada ontem.
No momento de falar sobre o amargo tema para o governo, a pré-candidata apertou o passo em direção à saída do hotel e não quis comentar o assunto.
Questionada se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve vetar o aumento e o fim do fator previdenciário, caso as propostas sejam aprovadas também pelo Senado, a ex-ministra apenas falou que não comenta as decisões do presidente.
“Eu nunca fiz isso e nunca farei considerações a respeito de atos do presidente”, disse, ao entrar apressada no carro.
Minutos depois da recusa em falar pessoalmente sobre o assunto, Dilma escreveu o seguinte recado em seu twitter: “Imprensa me pergunta o que o presidente Lula deve fazer em relação ao aumento dos aposentados. O presidente tem um forte compromisso social”.
Em seguida, ela escreveu: “Lula tem compromisso com trabalhadores e aposentados que deram seu trabalho pelo Brasil. Tenho certeza de que ele decidirá de forma equilibrada”. O microblog da petista tem aproximadamente 49 mil seguidores.
Após a saída de Dilma, o presidente do PT, Eduardo Dutra, negou que o voto do PMDB para aprovar o assunto tenha sido uma moeda de barganha. “O resultado não tem a ver com o encaminhamento da campanha”, disse. Segundo ele, a votação é um esforço dos deputados para ficarem bem com o eleitorado.
A pré-candidata do PV, Marina Silva, disse que o Senado precisa verificar a fonte dos recursos antes de dar aval ao reajuste. “É preciso saber de onde vêm as receitas, em função do deficit da Previdência”, afirmou. “Precisamos ter responsabilidade com os aposentados e com as contas públicas”.
Ela admitiu suspender a licença do Senado para participar do debate e criticou a influência da eleição nas decisões dos parlamentares. “É difícil. Em período eleitoral, o debate perde a racionalidade”, disse.
“O governo não tem como fazer benesses com dinheiro público para todos os lados. A reivindicação dos aposentados é justa, mas precisamos criar uma base para o reajuste.”

Frases

O ministro Guido Mantega [Fazenda] é um homem responsável. O presidente Lula tem prestado muita atenção nisso
JOSÉ SERRA
pré-candidato do PSDB

Lula tem compromisso com trabalhadores e aposentados que deram seu trabalho pelo Brasil. Tenho certeza de que ele decidirá de forma equilibrada
DILMA ROUSSEFF
pré-candidata do PT

A reivindicação dos aposentados é justa, mas precisamos criar base para o reajuste
MARINA SILVA
pré-candidata do PV

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Ao que indagamos:

– Precisa dizer mais para mostrar que são exatamente a mesma farinha, tentando vaga, no mesmo saco?


luiz alfredo motta fontana on 7 Maio, 2010 at 4:32 #

Caro Ivan, como sempre o meu conetário ficou no óbvio, embora quase sempre esquecido pelos articulistas.

Entretanto, nem precisava argumentar, os candidatos são réus confessos dessa igualdade de propósitos, ou da ausência dos mesmos.

Aqui Josias de Souza em seu blog:

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Serra diz que, eleito, convidará PT e PV para equipe

José Serra, Dilma Rousseff e Marina Silva participaram, nesta quinta (6), de algo muito parecido com um debate. O primeiro da campanha de 2010.

Deu-se em Belo Horizonte, sob os auspícios da Associação Mineira de Municípios. Ouviram-se frases provocativas e reveladoras.

Marina criticou, com uma ponta de ironia, a tática plebiscitária urdida por Lula para a sucessão de 2010.

Evocando o passado recente de petista, a presidenciável do insinuou que a rivalidade que opõe PT e PSDB não faz bem ao país:

“O PSDB tentou governar sozinho e acabou ficando refém do que há de pior do DEM…”

“…Nós, do PT, tentamos governar sozinhos e acabamos ficando reféns do que há de pior do PMDB”.

À sua maneira, Serra deu razão a Marina. Causou certa sensação ao dizer que, se eleito, vai governar com PT e PV:

“O Brasil vai precisar estar junto nos próximos anos. Hoje e ontem a oposição sempre tem um comportamento que empurra o governo para um lado que não devia”.

No início da semana, em entrevista ao humorístico CQC, Serra já havia declarado que governaria com o PMDB. Em Minas, enalteceu o “PMDB histórico”.

Não mencionou nomes. Quem olha para São Paulo fica com a impressão de que o candidato talvez se referisse a Orestes Quércia, seu apoiador.

Dilma falou pouco sobre o futuro. Preferiu realçar o que foi feito sob Lula, seu cabo eleitoral. Empilhou programas.

Por exemplo: PAC, saneamento, Bola Família, Territórios de Cidadania… Enalteceu as parcerias firmadas entre Brasília e as prefeituras.

Disse que, sob Lula, o governo jamais olhou para a filiação partidária dos parceiros. Manteve com os prefeitos “relações republicanas”, que devem ser ampliadas.

Lero vai, lero vem, Dilma disse algo que não soou bem à platéia de prefeitos.

Segundo ela, o governo logrou atenuar a erosão nos cofres dos municípios ao gerir a crise que sacudiu as finanças globais entre 2008 e 2009.

O auditório dividiu-se entre as palmas, tímidas, e as vaias, mais sonoras. Os prefeitos queixam-se até hoje das perdas que sofreram.

O governo concedeu reduziu ou zerou alíquotas de tributos que, recolhidos pela União, são divididos com Estados e municípios.

Diante da chiadeira, Lula liberou uma compensação aos municípios. Coisa de R$ 2 bilhões. Os prefeitos sustentam que foi insuficiente.

A intenção de Dilma era, obviamente, a de agradar. Mas terminou cutucando um vespeiro.

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Apenas por dever cívico é preciso acrescentar e explicitar:

Governarão, ou simularão governar, da mesma forma sob as bençãos dos “Meninos do Copom”, leia-se, das regras imutáveis do sistema financeiro. Amém!!!!

Fica a dúvida:

Alimentar a ilusão de que existirá escolha no pleito não é uma forma de estelionato intelectual?


luiz alfredo motta fontana on 7 Maio, 2010 at 4:54 #

Para não restar dúvidas, aqui a frase de Serra reproduzida na Folha de são paulo, edição de hoje:

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“Vou dizer o seguinte, Marina: se depois da campanha eu for eleito -e pode parecer uma heresia, viu, Dilma?-, mas vou querer tanto o PT quanto o PV no governo em função de objetivos comuns, com base no programa”.

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Mais explícito, só se admitisse que o programa é o mesmo da “Carta aos Brasileiros’.


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