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06

Cadeira Vazia: hit da boataria

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DEU NA REVISTA DIGITAL TERRA MAGAZINE

( http://terramagazine@terra.com.br )

CLAUDIO LEAL E MARCELA ROCHA

Nas férias dos congressistas, em Brasília, uma espécie de flor, por vezes confundida com cogumelo, brota nos corredores do Congresso, nas salas dos ministérios e nos jantares noturnos: a “flor do recesso”. Consiste no despetalar de boatos e informações desencontradas que alimentam a mídia enquanto os protagonistas (e suas verdades) vão às praias e paraísos outros.

Neste ano eleitoral, a primeira floração veio com a suposta candidatura do ex-governador mineiro Aécio Neves a vice de José Serra, validada por uma suposta estratégia tucana que traria uma suposta campanha imbatível. Supostamente, os jornais não deram a mínima para os insistentes desmentidos de Aécio: “Chance zero de ser vice de Serra”, declarou o líder mineiro, em entrevista a Terra Magazine (18 de janeiro), confirmando uma reportagem de dezembro :

– Eu reconheço e respeito a posição de alguns companheiros que gostariam de ver uma chapa composta pelo governador Serra e por mim. Mas, da mesma forma que respeito essa posição, é natural que eles respeitem o meu ponto de vista de que essa chapa não é adequada para nós vencermos as eleições.

Mas o leitor, o internauta e o radio-ouvinte ainda se deparam com especulações sobre o destino de Aécio, autodeclarado candidato ao Senado. Serra beija o colega mineiro no lançamento da pré-candidatura, em Brasília. Aécio vice? Das montanhas mineiras, ele estará com Serra. Aécio vice?

Primo de Aécio, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) entra como desdobramento da novela familiar e política – ou genérico. Versões: se Aécio quiser, ele vai ser vice de Serra; o PP se afasta de Dilma; Dornelles almoça com Dilma; Serra vai se encontrar com o provável aliado. A batalha pelo minuto e 20 segundos do PP no horário eleitoral é fermentada pelas alianças estaduais. Dornelles poderá ser vice de Serra? Sim e não. Nem sempre as novelas se orientam por um final pré-definido.

Cardeais tucanos como João Almeida, líder do PSDB na Câmara, não escondem a ordem da preferência: “O Plano A é Aécio. Se ele não quiser, o Plano B é Tasso Jereissati. O Plano C é Dornelles”.

Tasso e Aécio disseram “não”.

Diante dos torcedores – da imprensa e da política -, o senador Francisco Dornelles assume a filiação à escola Tancredo Neves: “Não há política sem boato, sem lenda, sem história. Quando eles ganham força própria não adianta confirmar nem desmentir”.

E o plano D?

Terra Magazine apresenta algumas das guerras de versões jorradas na imprensa. Flores marcadas para murchar em junho. Outra vez Tancredo: quando o mar bate na rocha, é preciso saber o que é mar e o que é espuma.

FLORES MINEIRAS

O PT de Minas Gerais firmou a imagem de que está enfraquecido. Os jornais narram uma batalha infinda por nada. A legenda fez suas prévias sabendo que o vencedor seria aquele que cederia sua candidatura a Hélio Costa, o candidato do PMDB. Nasceu com a mesma previsibilidade do corte da cabeça de Ciro Gomes (PSB) na sucessão presidencial.

O ex-prefeito de Belo Horizonte e um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff, Fernando Pimentel, venceu o pleito consciente de que seria preciso compor com o PMDB, para não envenenar as articulações nacionais. Em primeiro lugar, a candidatura Dilma. À imprensa, as negociações com o PMDB são iluminadas para não desagradar as bases mineiras. Derrotado nas prévias, o petista Patrus Ananias conhece o jogo decifrado pelo senador Wellington Salgado (PMDB): “Já está tudo acertado. Podem até fazer um charme, mas no final vão entrar na nossa limusine”.

Após a vitória, Pimentel garantiu, em sua primeira conversa com jornalistas, que não iria “abrir mão do palanque único”. Ou seja, já sinalizou o acordo com o PMDB. “Tudo será resolvido com a boa política mineira”, afirmou o ex-prefeito de BH. Mas o baile prossegue: Pimentel será candidato? O PT arriscará a aliança nacional de Dilma? Pimentel vai esperar suas intenções de voto crescerem nas pesquisas?

No segundo colégio eleitoral do País, Fernando Pimentel só causará estranheza se fizer questão de sua candidatura a governador e atrapalhar a campanha de Dilma, da qual é coordenador. Minas não deve estar onde nunca esteve.

FLORES CARIOCAS

O rebolation eleitoral do Rio de Janeiro é protagonizado pelo casamento de Fernando Gabeira (PV) e César Maia (DEM). Como padrinhos, os pré-candidatos à presidência Marina Silva e José Serra. A Zona Sul vê desconforto, mas Gabeira, desde o início, não sentiu nenhum. Mil e uma notas sobre os benefícios da aliança, os conflitos éticos de Gabeira, as restrições de Alfredo Sirkis… Cimentada a aliança, tudo ficou assim como na canção “Cadeira vazia”, de Lupicínio Rodrigues: “Vou te falar de todo coração/ Não te darei carinho nem afeto/ Mas pra te abrigar podes ocupar meu teto”.

Agora surge um novo drama lupiciniano. Que não existe. Gabeira apoia Marina ou Serra? O PV decidiu: ele é somente de Marina. O rebolation das notas públicas não esconde a verdadeira finalidade da candidatura Gabeira: fortalecer a campanha do paulista José Serra no Rio de Janeiro.

Cesar Maia, candidato ao Senado, apoia Serra. Em nenhuma entrevista, Gabeira nega sua preferência pelo ex-governador de São Paulo. Mineiro de Juiz de Fora, ele também elogia Marina. Indicado pelo PSDB do Rio para ocupar a vice, o ex-deputado federal Márcio Fortes peca por expressar a mais verde sinceridade: “Gabeira anda com ele”. Ele é Serra.

FLORES BAIANAS

Dizia o ex-governador Octávio Magabeira (1886-1960) que “o baiano é capaz de gastar 100 para o outro não ganhar 10”. Mas andam exagerando no domicílio eleitoral do Senhor do Bonfim. Para puxar a escada dos concorrentes, as plantações se intensificam no processo de escolha do candidato ao Senado, na chapa do governador Jaques Wagner (PT).

Depois da desistência do ex-afilhado de ACM, o senador César Borges (PR), Wagner pediu ao PT para debater o nome mais viável. De cedo, o ex-ministro da Defesa Waldir Pires demonstrou o desejo de concorrer a uma vaga do Senado. Esbarrou no petista ungido pelo governador e pela bancada na Assembleia Legislativa, o ex-secretário de Planejamento Walter Pinheiro.

Em 2008, a deputada federal Lídice da Mata (PSB) abandonou sua candidatura à prefeitura de Salvador para apoiar Pinheiro, que estava mal nas pesquisas (perderia para o PMDB). Como retribuição, ele se comprometeu a não entrar no vespeiro do Senado, em 2010. Compromisso firmado no gabinete de Wagner. Agora, Pinheiro entrou na disputa. Quer a preferência. Lídice, até o momento garantida na segunda vaga do Senado, pode dividir o apoio da militância petista com um companheiro de chapa eleitoralmente menos competitivo.

Outro concorrente de Pinheiro numa provável disputa interna pela candidatura a prefeito de Salvador em 2012, Nelson Pelegrino sentiu-se livre para submeter seu nome ao partido na sucessão senatorial. Quer o passe daqui a dois anos. Na instância definitiva, quem decide a escalação é o governador, como esclarece o presidente do PT baiano, Jonas Paulo.

Porém, inúmeras flores nascem no asfalto. E na imprensa. Nas colunas de notinhas, Waldir é o preferido de Wagner. Maldade. Os dois lados riem fundo. Pois há um mês circulava que Wagner não queria ouvir falar do nome de Waldir. Ambos sustentam conversas respeitosas, mas, sem enganos, o governador não esconde a simpatia por Pinheiro. O que não o impede de repetir, adiante, o mineiro Magalhães Pinto: a política é nuvem.

O PMDB, liderado no Estado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima, é apontado por petistas como o ervanário das notícias desencontradas, para tumultuar as decisões do rival. Geddel não quer a candidatura de Waldir, ao lado de Lídice, porque arriscaria ainda mais a campanha do senador César Borges (PR) – o qual, segundo o PSDB, já perde nas pesquisas para o ex-aliado ACM Júnior (DEM).

COGUMELOS GAÚCHOS

O PSDB anuncia: o PP gaúcho vai apoiar a reeleição de Yeda Crusius e a candidatura José Serra. Crescem as chances de Dornelles ser vice de Serra – os jornalistas se antecipam. No mesmo dia, o PP desmente: sem aliança proporcional, não há acordo. “Se dependesse de mim, eu recomendaria que fizesse (a aliança)”, declarou Serra, em visita ao Rio Grande do Sul. E, se dependesse de Dilma, o PP se aliaria ao PT, apesar do veto da executiva pepista.

No eterno retorno brasileiro, Paulo Maluf janta em 24 de abril com o presidente do PSDB, Sérgio Guerra. Em honra da aliança Serra-Dornelles. Uai, o Maluf? Como especialista em passado, ele disse à Folha de S. Paulo: “Se eu pudesse ser um conselheiro, eu diria (a Serra): ‘olha, pensa de maneira séria’. Porque ele (Dornelles) adiciona tempo (de TV) e adiciona voto. E tem mais: é um candidato com um passado nota dez.”

Lembram da cusparada que a atriz Maitê Proença deu na fonte histrórica do Mosteiro dos Jerônimos, tombado como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e um dos recantos de Lisboa mais venerados pelos portugueses?

Pois bem, a ofensa gravada hé tempo e transformada em vídeo de sucesso no You Tube, segue causando polêmica e reações em Portugal, com respingos sobre Maitê e sua carreira de atriz e a maneira crítica como nossos descobridores a encaram atualmente.

A reação mais dura e mais recente esta contida na carta da Dra. Mafalda Carvalho, Professora Doutora da Universidade de Coimbra, endereçada à Maitê Proença, cuja cópia foi mandada por um leitor para Bahia em Pauta.

Antes algumas observações de quem enviou o e-mail com a carta da professora para reativar a memória do leitor de BP sobre o caso:

1) Maitê Proença disse no programa “Saia Justa” umas gracinhas sobre a inteligência dos portugueses. Fez comentários descabidos sobre a História de Portugal, sobre tradições portuguesas que ela desconhece, sobre o estuário do Rio Tejo, reduziu Sintra a uma vilazinha, criticou e ridicularizou o atendimento a seu PC pelo pessoal do hotel onde estava hospedada… e por aí afora.

2) O programa passa em Portugal e causou um grande mal estar lá na “terrinha”.
Quando foi execrada pelos portugueses, no seu pedido de desculpas ainda disse que o povo Português não tem senso de humor. Que foi “apenas” uma brincadeirinha’.

Pois sim!

(Vitor Hugo Soares)
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Maitê:cusparada na fonte

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CARTA-RESPOSTA DE UMA PROFESSORA E
DOUTORA PORTUGUESA PARA MAITÉ PROENÇA

Exma. Senhora:
Foi com indignação que vi a ‘peça cómica’ que fez em Portugal e passou no programa Saia Justa em que participa. Não que me espante que o tenha feito – está à altura da imagem que há muito tenho de si, pelo que me tem sido dado ver pelos seus desempenhos – mas sim pelo facto da TV Globo ter permitido que tal ignorância fosse para o ar.

Só para que possa, se conseguir, ficar um pouco mais esclarecida: A ‘vilazinha’ de Sintra é património da Humanidade, classificada pela UNESCO e unanimemente reconhecida como uma das mais belas e bem preservadas cidades históricas do mundo;

Em Portugal, onde existem pessoas que olham para o mouse do seu computador como se de uma capivara se tratasse, foi onde foi inventado o serviço pré-pago de telefones móveis (os celulares) – não existia nenhum no mundo que sequer se aproximasse e foi também o que inventou o sistema de passagem nas portagens (pedagios, se preferir), sem ter que parar – quando passar por alguma, sem ter que ficar na fila, lembre-se que deve isso aos portugueses.

É um dos países do Mundo com maior taxa de penetração de computadores e serviços de internet em ambiente doméstico. É o único país do mundo onde TODAS as crianças que frequentam a escola têm acesso direto a um computador (no próprio estabelecimento de ensino) – e em Portugal TODAS as crianças vão à escola… Muitas delas até têm um computador próprio, para seu uso exclusivo, oferecido ou parcialmente financiado pelo Ministério da Educação – já ouviu falar do Magalhães? É natural que não… mas saiba que é uma criação nossa, que está a ser adquirida por outros países. Recomendo-o vivamente – é muito simples e adequado para quem tem poucos conhecimentos de informática.

Somos tão inovadores em matéria de utilização de tecnologia informática e web nas escolas, que o nosso caso foi recomendado por especialistas americanos, como exemplo a seguir, a Barack Obama, que é só o Presidente dos Estados Unidos – ao Sr. Lula da Silva tal não seria oportuno, porque ele considera que a Escola não é determinante no sucesso das pessoas (e, no Brasil, a julgar pelo próprio, tem toda a razão).

A internet à velocidade de 1 Mega, em Portugal há muito que é considerada obsoleta – eu percebo que não entenda porquê, porque no Brasil é hoje anunciada como o grande factor diferenciador a transmissão por cabo, que já não nos interessa. Já estamos noutra – estamos entre os países do mundo com a rede de fibra óptica mais desenvolvida. E nesse contexto 1 Mega é mesmo uma brincadeira.

O ditador a que se refere – o Salazar – governou, infelizmente, ‘mais de 20 anos’, mas para a próxima, para ser mais precisa, diga que foram 48 (INFELIZMENTE, é mais do dobro de 20). Ainda assim, e apesar do muito dano que nos causou a sua governação, nós, portugueses, conseguimos em 35 anos reduzir praticamente a ZERO a taxa de analfabetos e baixar para cifras irrisórias o nível de mortalidade infantil e de mulheres no parto, onde estamos entre os melhores do mundo.

Criar uma rede viária que é das mais avançadas do mundo – em Portugal, sem exceder os limites de velocidade e sem correr risco de vida, fazemos 300 km em duas horas e meia (daria tanto jeito que no Brasil também fosse assim!).

Melhorar muito o nível de vida das pessoas, promovendo salários e condições de trabalho condignos. Temos ainda muito para fazer nesta matéria, mas já não temos pessoas fechadas em elevadores, cuja função é apenas carregar no botão do andar pretendido – cada um de nós sabe como fazê-lo e aproveitamos as pessoas para trabalhos mais estimulantes e úteis; também já não temos trabalhadores agrícolas em regime de escravatura – cada pessoa aqui tem um salário, não trabalha a troco de um prato de comida.

Colocar-nos na vanguarda mundial das energias renováveis, menos poluentes, mais preservadoras do planeta; enquanto uns continuam a escavar petróleo, nós estamos a instalar o maior parque de energia eólica do mundo (é a energia produzida a partir do vento).

Poderia também explicar-lhe quem foi Camões, Fernando Pessoa, etc., cujos túmulos viu no Mosteiro dos Jerónimos, mas eles merecem muito mais.

Ah!, já agora, deixe-me dizer-lhe também que num ponto estou muito de acordo consigo: temos muito pouco sentido de humor. É verdade. Não acharíamos graça nenhuma se tivéssemos deputados a receber mesada para votarem num certo sentido, não nos divertiria muito se encontrassem dirigentes políticos com dinheiro na cueca, não nos faria rir ter senadores a construir palácios megalómanos à conta de sobre-facturação do Estado, não encontramos piada quando os políticos favorecem familiares e usam o seu poder em benefício próprio. Ficaríamos, pelo contrário, tão furiosos, que os colocaríamos na cadeia. Veja só – quanta falta de humor. Mas, pelo contrário, fazem-me rir as sessões plenárias do senado brasileiro. Aqui em Portugal , e estou certa que em toda a Europa, tal daria um excelente programa de humor.

Que estranho, não é?

Para terminar só uma sugestão: deixe o humor para quem no Brasil o sabe fazer com competência (e há humoristas muito bons no Brasil). Como alternativa, não sei o que lhe sugerir, porque ainda não a vi fazer nada que verdadeiramente me indicasse talento…

Peço desculpa por não poder contribuir.

Mafalda Carvalho – Professora Doutora da Universidade de Coimbra

maio
06
Posted on 06-05-2010
Filed Under (Newsletter) by vitor on 06-05-2010

O 1º tenente da Polícia Militar da Bahia Ícaro Ceita, homossexual assumido, foi inocentado de uma acusação de deserção pela Justiça Militar, no final de abril. Outro processo paralelo, também por deserção, foi descartado pela promotoria militar.

Ceita está afastado da corporação com um atestado médico que afirma que ele sofre de depressão. Segundo o tenente, causada pelo “assédio moral de alguns setores da Polícia Militar”.

A assessoria de imprensa da Polícia Militar da Bahia informa que a corporação vai acatar a decisão e nega que Ceita tenha sido vítima de qualquer tipo de perseguição.

“Existiam fatos duvidosos, cabia uma apuração. A Polícia Militar tem a obrigação de investigar qualquer suspeita. A Justiça deu seu veredito, foi tudo esclarecido. Mas não existe nenhum tipo de perseguição ao tenente nem a qualquer pessoa por conta de sua orientação sexual”, afirmou ao G1 o chefe da unidade de imprensa da PM da Bahia, o capitão Marcelo Peppa. “Vou pedir realocação para não ter que ir para a rua. Tenho medo. Já recebi ameaças”, afirmou Ícaro Ceita. O veredito foi dado por um júri formado por oficiais da polícia.

( Informação do portal G1 )

maio
06
Posted on 06-05-2010
Filed Under (Newsletter) by vitor on 06-05-2010

Memelia com Chico: perda

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DEU NO G1

Morreu na noite da última quarta-feira (4) Maria Amélia Buarque de Hollanda, mãe de Chico Buarque. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do cantor, que não confirmou, no entanto, o local nem a causa da morte.

Ainda segundo a assessoria de imprensa, Chico não vai se pronunciar sobre o assunto por enquanto. Ainda não há informação sobre o velório e o enterro.

Memélia, como era conhecida, completou 100 anos no último mês de janeiro, em grande festa com a presença da família e do presidente Lula.

maio
06
Posted on 06-05-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 06-05-2010


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Em seu artigo desta quinta-feira, na Tribuna da Bahia, o jornalista Ivan de Carvalho trata de uma delicada questão de política internacional, que seguramente marcará presença nos comícios e dabates da campanha presidencial. O colunista assinala: O presidente Lula e o Ministério das Relações Exteriores, quase todo o PT e mais alguns pequenos partidos cuja bandeira principal é se autodenominarem “de esquerda”, vivem fazendo festa para regimes políticos como os de Cuba, Sudão, Venezuela, Irã, “partes do mundo onde os detentores do poder não dão a mínima para os princípios democráticos e para os direitos humanos”, diz Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS
)

OPINIÃO POLÍTICA

Dilma ganha apoio podre

Ivan de Carvalho

Ora, o presidente Lula e o Ministério das Relações Exteriores, com a entusiástica aprovação de quase todo o PT e mais alguns pequenos partidos cuja bandeira principal é se autodenominarem “de esquerda”, vivem fazendo festa para regimes políticos como os de Cuba, Sudão, Venezuela, Irã, partes do mundo onde os detentores do poder não dão a mínima para os princípios democráticos e para os direitos humanos.
Há poucos dias, a candidata do PV a presidente da República, a senadora Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente e ex-petista, sintetizou em duas frases lapidares sua opinião desfavorável à política externa brasileira.
Disse que o Brasil é “a única democracia ocidental que tem dado audiência a Ahmadinejad” – o presidente do Irã, que vive de braços e abraços com Lula quando não está cuidando do perigoso programa nuclear iraniano e rompendo com a Agência Internacional de Energia Atômica, órgão da ONU que fiscaliza programas nucleares para assegurar que não tenham fins bélicos.
Disse também Marina Silva que “se os direitos humanos são importantes para os brasileiros, também são importantes para os cubanos”, numa singela e arrasadora condenação dos amores do nosso presidente e do nosso governo ao regime totalitário cubano, amores, salamaleques e rapapés executados por convicção e também para dar um cala-a-boca às alas petistas mais à “esquerda”, insatisfeitas com algumas políticas do governo no plano interno.
Bem, Marina teve a sua vez e arrasou. Ontem foi a vez de José Serra, o adversário tucano. Ele não deixou passar batida a declaração de apoio do presidente-ditador da Venezuela, Hugo Chávez, à candidata do PT a presidente da República, Dilma Beng… hiiii, não consigo esquecer isso!… Rousseff.
Em entrevista ao grupo RBR, em Porto Alegre, Serra sabia, porque era óbvio, que iam lhe perguntar sobre a torcida de Chávez por Dilma. Esperou. Perguntaram. E ele: “Quero te dizer uma coisa, até acho muito bom, no meu caso”. Já seria o suficiente, a ironia estava de bom tamanho. Mas a oportunidade pedia mais. Serra, falando a um grupo de mídia, criticou a intervenção (brutal) de Chávez nos meios de comunicação da Venezuela, disse que a entrada da Venezuela no Mercosul enfraquecerá essa organização, alertou que “não reformar o Mercosul compromete sua existência” e completou: “Chávez começou na vida pública encabeçando um golpe. Só depois foi eleito”.
A palavra agora está com Dilma. Compete a ela dizer aos eleitores se aceita ou rejeita o apoio declarado, ostensivo, de um governante vizinho que está trabalhando contra a democracia e os direitos humanos em seu país durante 24 horas por dia, todos os dias.
Se ao menos fosse preguiçoso, isso já seria uma atenuante. Mas não é. Se calasse, seria outra atenuante. Mas não cala, nem sob ordem real.

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