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Postado em 05-05-2010
Arquivado em (Artigos, Eventuais) por vitor em 05-05-2010 19:24

O Grito de Munch
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OPINIÃO

Os nossos gritos não bastam

Washington Souza Filho

Um episódio ocorrido no sábado, 24 (de abril), incluiu o meu nome nas estatísticas sobre a violência na Bahia. Surpreendido, quando caminhava em um trecho até então, para mim, tranquilo da Pituba, bairro onde moro, há quase dez anos, fui atingido por três tiros, em uma tentativa de assalto. Ferido, mereci o reconhecimento de estar vivo por uma espécie de milagre.
A solidariedade de muitos contribuiu para que tivesse um pronto atendimento e pudesse escapar da sanha de um assaltante, que usou a arma como se uma vida tivesse o preço, por exemplo, de uma pedra, o inferno da droga. No momento, falava pelo celular com a minha mulher, Daisy. Demorei em compreender a situação.
A consciência ocorreu, após a fuga do criminoso, com os gritos dos moradores. A realidade trouxe uma questão, sem uma avaliação correta do fato, inclusive pelos meios de comunicação, tanto que tive a minha morte anunciada em um site: você reagiu? Não reagi, respondo.
Não compreendi a situação e desobedeci ao criminoso. Ouvi do delegado da 16ª Delegacia, André Carneiro, que outra vítima reagiu, de fato, ao mesmo ladrão, sem sofrer violência. Na segunda-feira, 26, para escapar dos assaltantes, que mataram, na mesma Pituba, um policial, uma jovem preferiu jogar as chaves em bueiro, para evitar o roubo do seu carro.
A consequência não depende da atitude. Precisamos reagir, sem o confronto direto. Não podemos aceitar a perda do direito à cidadania, de ir e vir. O País vive o Estado de Direito Pleno, depois de anos de arbítrio. Os crimes da ditadura têm sido questionados, e podem ser investigados. Qual é a razão de nos curvamos a este terror?
A violência não pode ficar limitada ao debate entre os políticos, sobre quem colocou lenha na fogueira que arde há mais tempo. A falta de reação nos confina aos nossos espaços. A pergunta não deve ser sobre as nossas atitudes. Somos livres, temos o direito de andar, sem preocupação, pelas ruas dos bairros onde vivemos. A salvação não pode ser mais os gritos de socorro para a próxima vítima

Washington Souza Filho, Jornalista, professor da FACOM-UFBA, amigo do Bahia em Pauta Texto publicado originalmente na página de Opinião do jornal A Tatde em 3 de maio)

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Comentários

Oriana Lopes on 5 Maio, 2010 at 22:35 #

Caro,
É muito simples a receita para combater a violência neste país. É colocar na cadeia, os verdadeiros patrocinadores da violência, os ladrões de colarinho branco, os malandros de gravata e capital, os corruptos que abudam em toda a parte, inclusive na política. Começando do alto, os de galinha vão se intimidar. Agora, o que mais se vê neste país hoje, é ladrão de colarinho branco, falando em combater a violência, o que é um contrasenso. São como lobos em pela de cordeiro ou como o satanás pregando quaresma.


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