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Postado em 28-04-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 28-04-2010 09:23

Marina: a caminho da Bahia

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Em seu artigo desta quarta-feira na Tribuna da Bahia o colunista Ivan de Carvalho escreve sobre Marina Silva, a pré-candidata do PV à presidência da Rapública, que visitará Salvador no fim de semana.”E foi isto que mais me sensibilizou em Marina. Ela condenou a política brasileira em relação a Cuba e ao Irã. Ora, eu já o havia feito tantas vezes que cansara”, diz Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

O jeito franco de Marina

Ivan de Carvalho

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Se o voto não fosse secreto, eu que sou jornalista político, com a obrigação de buscar ser isento no relato dos fatos e nas análises, mas sem perder o meu direito de cidadão e de jornalista de expressar minhas opiniões, estaria a um passo de dizer que estou a um passo (a estratégia do passo-a-passo) de votar em Marina Silva para presidente da República.

A senadora do PV, que rompeu com o PT e saiu do Ministério do Meio Ambiente porque para suas idéias e convicções lugar não mais achava no governo e no partido de Lula, saiu em defesa de outro que foi usado pelo presidente e o PT enquanto isso foi interessante para eles e depois alvejado pelo que Marina chama de uma “operação de guerra” para afastar Ciro da eleição presidencial.

Marina ataca aqueles que só têm “democracia no discurso” e condena a utilização, pelo presidente Lula, pelo PT e pela cúpula do PSB, “às velhas formas de operar para eliminar possíveis concorrentes”.

Esse ataque de Marina agrada porque ela deixou de lado aquela velha desculpa de tantos, que para evitar embates alegam não querer comentar “assuntos de outros partidos”, quando deles se esperaria exatamente que comentassem os assuntos tanto dos outros partidos quanto dos deles. E usou uma linguagem direta, coisa que poucos políticos de destaque fazem quando falam sobre questões polêmicas.

Mas não é a defesa que fez de Ciro que me leva a simpatizar, como cidadão, com a candidatura de Marina Silva. É também a hombridade com que abandonou o ministério para não abandonar suas convicções e deixou o PT para não deixar-se submeter a um jugo partidário que tem inequívocas componentes autoritárias, ainda que tenha também outras que não estão nesta linha. Aliás, neste aspecto, o PT está mesmo em cima do muro, mas infelizmente doidinho pra pular pro lado de lá.

E foi isto que mais me sensibilizou em Marina. Ela condenou a política brasileira em relação a Cuba e ao Irã. Ora, eu já o havia feito tantas vezes que cansara. Então vem Marina e reanima. E de uma maneira arrasadora, deixando-me indignado comigo mesmo por não ter encontrado antes dela as duas frases lapidares que ela usou para lapidar – no velho e punitivo sentido de apedrejar – a política externa brasileira e, por tabela, os regimes iraniano e cubano.

Faço questão de transcrever. Sobre a “nossa” política para o Irã: “O Brasil é a única democracia ocidental que tem dado audiência a Ahmadinejad”. E mais inspirada ainda na abordagem da questão cubana: “Se os direitos humanos são importantes para os brasileiros, também são importantes para os cubanos”.

Some-se a isso a conhecida posição de Marina Silva contra o aborto, admitindo, no máximo, um plebiscito para que a sociedade decida – sou mais radical contra este mal, minha consciência não admite que uma maioria, mesmo em âmbito nacional, dê a mães e médicos o poder de sentenciar à morte seres humanos totalmente inocentes e indefesos – e, então entendam como é pequena a distância que, neste momento, separa meu voto de Marina Silva.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 28 Abril, 2010 at 9:40 #

Em socorro de Ivan de Carvalho:

Que tal aumentar, ao menos um cadinho, a distância?

Lembre-se Ivan!

Fábio Vaz de Lima, “consorte” de Maria Silva foi flagrado no exercício de Assessor Parlamentar, no gabinete do Senado Federal, na época ocupado pelo “amigo e companheiro” Sibá. É verdade que a imprensa noticiou de forma tímida e Sibá cumpriu seu papel de dedicado substituto, calou-se em copas.

Esse mesmo consorte foi premiado com uma secretaria no governo do Acre, a singela Secretaria de Estado de Governo, pelas mãos fraternas e prestimosas de Binho Marques, aliás, a candidata já declarou, no Acre é PT. Só faltava não ser.

Assim, espero que vislumbre, em nome do rigor ético, uma certa distância entre seu cívico ato de votar e a escolha quase anunciada.

Em tempo:

Caro Ivan, nessa eleição não existe personagem usando chapéu branco como nas matinées de antigamente. O mocinho foi substituido, o que prolifera são os indefectíveis chapéus cinzas.


Olivia on 28 Abril, 2010 at 17:28 #

Na coluna de hoje, 28, do bem informado jornalista Joaquim Ferreira dos Santos – Gente Boa, Jornal O Globo – tem o motivo do riso largo de Marina Silva : Fez tratamento dentário com o ‘darling’ dentista preferido dos globais cariocas… e vida que segue, porque o jogo é de campeonato, não tem amadores.


Mariana Soares on 28 Abril, 2010 at 19:05 #

Ei, amigos, devagar com o andor que o santo é de barro…Marina merece respeito! Ela pode e deve ter os seus dentes tratados e sorrir a vontade, pois, diferentes de muitos que andam por aí, não ostenta qualquer impáfia, arrogância e a desmedida vaidade, que tanto enoja.


Graça Tonhá on 29 Abril, 2010 at 1:55 #

Concordo com você Mariana. Parabéns Ivan de Carvalho pelo excelente artigo, mais um entre tantos, devo ressaltar…


luiz alfredo motta fontana on 30 Abril, 2010 at 4:46 #

Aumentando a distância

Ivan tem sorte!

De cadinho em cadinho irá afastar a tendência ao voto equivocado.

Até mesmo a candidata Marina, em discurso, revela a sua semelhança com o pensamento único em economia, sobretudo monetária e fiscal, que assola nosso apático país.

Veja trecho da matéria de Dary Jr. sob o título No PR, “Marina critica proposta de Serra e elogia alta de juros”,no UOL Notícias:

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“Marina lamentou também a retirada da pré-candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB). Segundo ela, o que torna a democracia saudável é a existência de ideias diferentes. Sem Ciro, continuou a pré-candidata do PV, o eleitor perdeu uma opção.

Mais tarde, em encontro com empresários na sede da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), Marina defendeu a alta da taxa de juros – o Copom elevou a taxa em 0,75% nesta semana. “Foi correto em função do esforço para controlar a inflação”, justificou.

A declaração causou mal estar. O presidente da Fiep, Rodrigo Rocha Loures, sentado ao lado de Marina, rebateu. Para ele, a política de juros do governo desestimula investimentos. O certo, segundo Loures, seria racionalizar os gastos públicos em vez de aumentar a taxa Selic.

Marina prometeu, se eleita, manter a política econômica baseada no tripé meta de inflação, superávit primário e câmbio flutuante. Apesar disso, para acalmar os empresários, ponderou que não permitiria que a taxa de juros impedisse investimentos e, consequentemente, o crescimento do Brasil.”

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A cândida Marian também professa o mantra : “JurosAlém Amém”!

Assim desfila de braços dados com os sacerdotes do sistema financeiro.

Ecologia de banqueiros é assim, vinde a nós a vossa renda, alimentai nossa especulação, Amém!

Em tempo:

Marina, Dilma, e mesmo o “não declaro nada explícito” Serra, são iguais, sabem que só ganha eleição quem professar a ideologia do mercado financeiro.

Nada contra articulistas declararem suas opções, desde que não enfeitem o bolo, mascarando o gosto amargo da submissão ao sistema financeiro.


luiz alfredo motta fontana on 30 Abril, 2010 at 5:16 #

Para não restar dúvidas

Aqui artigo de hoje, 30/04/2010, na Folha de São Paulo:
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Pré-candidatos evitam criticar alta dos juros

DA FOLHA RIBEIRÃO
DA AGÊNCIA FOLHA

Os três principais pré-candidatos à Presidência da República evitaram criticar ontem a decisão do Banco Central de elevar a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, para 9,5%. Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) elogiaram a atitude do BC, enquanto José Serra (PSDB) afirmou que a alta é um argumento do Copom para combater a inflação, embora seja “dolorosa”.
Em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, Serra disse que a subida dos juros “é um problema para a agricultura, que tem dificuldade para exportações, para a concorrência externa”.
Dilma, que visitou o mesmo evento que o tucano, uma feira agrícola, afirmou que a decisão não vai afetar o nível de crescimento do país.
“Eu não considero que esse aumento afetará o nível de crescimento que a gente está acreditando que o Brasil vá ter, de 5,5%”, disse.
A petista aproveitou sua fala para criticar os antecessores do atual governo. “O Brasil está maduro e ninguém vai ganhar eleição como fizeram lá atrás, quando se sabia que as coisas estavam ruins e ninguém tomou providência.” Logo depois da disputa em que Fernando Henrique Cardoso foi reeleito presidente, em 1998, o país teve de recorrer ao FMI (Fundo Monetário Internacional).
Em Curitiba, Marina, disse que concordou com a elevação dos juros. “A decisão foi correta em razão de que se está fazendo um esforço muito grande para o controle da inflação.”

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Conclusão:

Os “disciplinados” candidatos, Marina inclusa, nem precisam escrever uma “Carta aos Brasileiros” como Lula em 2002.


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