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Postado em 27-04-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 27-04-2010 10:20

Henrique Meireles: herança?

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A partir da análise de recentes pronunciamentos do presidente do Banco Central e do deputado socialista do Ceará o colunista político Ivan de Carvalho conclui em seu artigo desta terça-feira, na Tribuna da Bahia, que BP reproduz: “Acho que Meirelles e sobretudo Ciro, ambos na mesma linha embora com intensidades e maneiras diferentes, estiveram falando de uma possível futura “herança maldita” para o governo que sucederá o de Lula”. Confira.

(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Herança maldita

Ivan de Carvalho

Vale a pena relacionar certas coisas.
Falando a investidores em Nova York, ontem, o presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, disse que o sucessor do presidente Lula deve evitar manipular o câmbio para manter a inflação sob controle.
Meirelles falou ao investidores depois de uma pesquisa haver mostrado mais uma alta nas expectativas de inflação no Brasil. O presidente do Banco Central brasileiro disse que ninguém tem dúvida de que o Brasil é capaz (de que?) e está comprometido em conter a alta dos preços. Ele acrescentou que “flutuações de curto prazo” nas expectativas do mercado são normais, mas manifestou sua suposição de que os investidores ainda acreditam que a inflação caia nos próximos anos.
Bem, deixemos um pouco Meirelles e seu investidores de Nova York e invoquemos o cearense de Pindamonhangaba, Ciro Gomes, que queria ser presidente da República, já deu como certo que seu partido, o PSB, lhe negará hoje a legenda e anunciou que vai espernear até a manhã de hoje, dia em que a direção do PSB se reúne para “decidir” a questão, isto é, para aderir publicamente à candidatura da petista Dilma Rousseff e negar a Ciro a legenda para que se candidate a presidente da República.
Pois é que numa rumorosa entrevista ao portal iG, na semana passada, Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, disse que em 2011 ou 2012 o Brasil vai sofrer “uma crise cambial e fiscal”, avisando que, na presidência da República, o tucano José Serra (de quem não gosta) é mais preparado para enfrentar isso do que a petista Dilma Rousseff, de quem Ciro gosta, ou pelo menos gostava.
Agora, juntando. Ciro anuncia para o ano que vem ou para 2012 uma crise cambial e fiscal, da qual evidentemente está percebendo os dados preliminares. E no rastro de suas declarações o severo presidente do Banco Central adverte que o próximo presidente da República deve evitar manipular o câmbio com o objetivo de manter a inflação sob controle.
Qual é a cesta de maldades anunciada ou vislumbrada nessa história toda? Crise cambial, crise fiscal, inflação tentando sair de controle e criando o risco de um presidente da República resolver manipular o câmbio para conter a alta dos preços. Em tudo isso aí cabe mencionar uma coisa que nem Ciro nem Meirelles explicitaram, ainda que certamente estivessem pensando nela quando falavam das outras. A dívida pública. Não a dívida externa, da qual o governo gosta de falar e de dizer que tem divisas suficientes para pagá-la (déficits na balança comercial e no balanço de pagamentos podem corroer tais divisas).
A dívida pública chegou a um nível calamitoso. Ela consome hoje mais de três centenas de bilhões de reais em “serviço da dívida” e deixa menos de uma centena para investimentos. Daí que a infraestrutura do país e os serviços do Estado brasileiro (saúde, segurança, educação) estão uma porcaria. A dívida pública pode gerar uma crise fiscal e uma crise cambial, além de elevação de preços até um perda do controle da inflação.

Acho que Meirelles e sobretudo Ciro, ambos na mesma linha embora com intensidades e maneiras diferentes, estiveram falando de uma possível futura “herança maldita” para o governo que sucederá o de Lula.

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Comentários

çuiz alfredo motta fontana on 27 Abril, 2010 at 10:48 #

Destaque-se:

“A dívida pública chegou a um nível calamitoso. Ela consome hoje mais de três centenas de bilhões de reais em “serviço da dívida” e deixa menos de uma centena para investimentos. Daí que a infraestrutura do país e os serviços do Estado brasileiro (saúde, segurança, educação) estão uma porcaria. A dívida pública pode gerar uma crise fiscal e uma crise cambial, além de elevação de preços até um perda do controle da inflação.”

E, acrescente-se:

Essa sangria tem paternidade conhecida, a política PSDB/PT, apoiada no mantra dos meninos do COPOM, juros além da imaginação e sobretudo do necessário.

Junto o corolário do câmbio, juros altos, desvalorização do dólar, assim o especulador estrangeiro ganha com os altos juros internos e torna a ganhar quando realiza seu lucro e compra mais dólares com os reais adquiridos na entrada.

Ao mais, a taxa selic estratosférica possibilita que os bancos ignorem o mercado, evitem os riscos e aufiram lucros garantidos pelos depósitos compulsórios, enquanto fingem, secundados pela distração reinante nas redações, serem apenas “vítimas de ação punitiva’ do BC.

Ao mais, chafurdam nos empréstimos consignados, e de maneira apenas isntitucional, no mundo real, praticam taxas absurdas para os poucos que se dignem solitar os emprétimos ditos de mercado.

Claro que esse tema é proíbido nas hostes petistas e tucanas, continuarão fingindo discordar e esgrimindo fofocas daqui e dali.

Durma-se com um engodo destes!


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