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Posted on 24-04-2010
Filed Under (Newsletter) by vitor on 24-04-2010

O jornalista, professor da Faculdade de Comunicação da UFBA e amigo do Bahia em Pauta, Washington Souza Filho, 52, foi ferido a bala neste sábado, durante tentativa roubo, na rua Ceará, na Pituba, próximo ao mercado Hiperideal. Ele foi alvejado três vezes, mas não corre risco de morte, segundo os médicos que o atenderam no Hospital da Cidade, depois de socorrido pelo SAMU.

Segundo revela a edição online de A Tarde, uma bala passou de raspão na coxa, outra atingiu o peito sem perfurar e a última transfixou o pé causando uma fissura no osso.

Washington contou, por telefone, à repórter Amélia Vieira, que estava distraído conversando com a esposa quando foi abordado pelo ladrão que pediu o celular e a carteira. Como demorou a obedecer, o marginal efetuou os disparos e fugiu.

“Estava distraído, não percebi a aproximação do sujeito. Por isso, não obedeci rápido. Então, ele atirou”, relatou Washington, no hospital, enquanto era submetido a exames no pé, única parte do corpo que ficou lesionada.

De acordo com a Central de Telecomunicação da Polícia (Centel), o criminoso é negro, forte, careca e trajava camisa laranja e bermuda bege. O caso está sendo investigado pela 16ª Circunscrição Policial (Pituba).

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Posted on 24-04-2010
Filed Under (Artigos, Janio) by vitor on 24-04-2010

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CRÔNICA

Beatles, dízimo e pedofilia

Janio Ferreira Soares

Os últimos dias foram bastante movimentados no mundo da fé e da música. Começou com a igreja católica publicando um artigo no Observatório Romano (diário oficial do Vaticano) absolvendo os Beatles das condenações que lhe foram impostas 44 atrás, que iam desde as supostas mensagens implícitas em suas músicas louvando o satanismo e as substâncias alucinógenas, até a blasfêmia. Em seguida, uma reportagem da Folha de São Paulo mostrou um treinamento dado aos pastores da Igreja Universal, onde os mesmos recebiam orientações de como arrecadar o dízimo em tempos de crise usando a bíblia, que nessas horas deixa de ser um livro santo para se transformar numa espécie de Forbes celestial.

No que diz respeito à atitude do Vaticano em perdoar os Beatles 40 anos depois do fim da banda, normal. Aliás, até me arrisco a dizer que essa mea-culpa deve ter partido de alguém com a sabedoria de perceber que a voz de Paul MacCartney cantando Michelle faz menos mal aos princípios cristãos do que a performance do monsenhor Luiz na cidade de Arapiraca (AL), que em público seguia a cartilha episcopal, mas no privado se guiava pelas tentações carnais atribuídas ao capeta.

Quanto aos pastores da Universal, tiro o meu chapéu para a teatralidade em nome de Jesus. Só acho que quando indivíduos que se denominam representantes divinos pegam o atalho da esperteza, alguma coisa está completamente fora de ordem. Ademais, todos sabem que entre o discurso e a prática existe um enorme abismo cheios de provocações lançando assovios traiçoeiros em direção aos cordeiros de Deus que, uma vez cooptados, preferem engrossar a fila dos pecadores a tirar os pecados do mundo.

Mas isso é discussão para o dobro deste espaço e para pessoas mais capacitadas. Sendo assim, despeço-me muito preocupado com o que pode acontecer com as presenças de Lennon e Harrison tocando harpas com os querubins em um céu de diamantes. Quanto ao monsenhor Luiz e os espertos pastores, a vaga dos dois Beatles ao lado de Lúcifer está aberta. Se apertar, cabem todos.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, no Vale do Rio São Francisco

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Posted on 24-04-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 24-04-2010

Ciro: Serra é melhor que Dilma

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Ciro Gomes e José Serra eram não somente adversários políticos como havia entre eles uma inimizade pessoal. Sombras da sucessão presidencial de 2002. Desde o começo desta semana, sinais cada vez mais nítidos de aproximação entre os dois começaram a cruzar o espaço político entre o Ceará e São Paulo.

Em seu artigo deste sábado, na Tribuna da Bahia, o colunista político Ivan de Carvalho analisa os efeitos de uma mudança importante, embora esperada: o enterro da candidatura do ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes pelo PSB para atender à estratégia do Palácio do Planalto de fazer uma campanha bipolarizada, com debate centrado somente na comparação dos governos FHC e Lula, como se a história do Brasil andasse para trás, diz Ivan, no texto que BP reproduz.

(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

GOVERNO TENTA DISFARÇAR

Ivan de Carvalho

Nos últimos dias, a sucessão presidencial passa por uma mudança importante, ainda que já esperada – o enterro da candidatura do ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes pelo PSB para atender à estratégia do Palácio do Planalto de fazer uma campanha bipolarizada, com debate centrado somente na comparação dos governos FHC e Lula, como se a história do Brasil andasse para trás.

Há todo um esforço do presidente Lula, do PT e do próprio PSB com o objetivo de passar à opinião pública a impressão de que tanto Lula quanto sua candidata Dilma Rousseff, bem como o governo e o PT, nada têm a ver com o fim da candidatura de Ciro (seria a terceira vez que ele disputaria a presidência da República, caso não o houvessem barrado).

O esforço é para que o fim da candidatura, à revelia do candidato, pareça de responsabilidade apenas do PSB, de modo a reduzir os estragos que uma reação forte de Ciro contra o jogo montado pelo presidente da República e o PT, em conjunto com a direção do PSB, possa causar, digamos, indiretamente, à candidatura de Dilma Rousseff à sucessão de Lula.

Provavelmente para impedir, tanto quanto possível, que esta falsa versão de uma decisão solo do PSB acabe se impondo pela força da repetição, Ciro Gomes já deixou absolutamente claro que sua candidatura morreu e deu estocadas, em entrevista ao portal iG, no presidente Lula e em dirigentes do seu partido, chegando ainda a afirmar que o candidato José Serra (PSDB) é mais preparado que a candidata Dilma Rousseff (PT) para enfrentar eventuais crises econômicas que venham a surgir.

Este elogio contido a Serra em contexto em que o tucano é com vantagem comparado à candidata governista a presidente pode ser um rompante de ira política de Ciro ao ver-se traído – é assim que ele vem se considerando, ante a ação bem sucedida do Planalto para por fim à sua candidatura – mas não se pode descartar que represente algo mais na posição do ex-candidato do PSB.

Ciro Gomes e José Serra eram não somente adversários políticos como havia entre eles uma inimizade pessoal. Sombras da sucessão presidencial de 2002. Há poucos dias, vendo o golpe que o governismo no Planalto e no PSB ultimava contra Ciro, Serra deu declaração afirmando que Ciro tem “uma pinimba comigo, mas é de mão única” e que ele, Serra, nada tem “que se oponha” a Ciro.

Resta esperar um pouco mais de tempo para ver que rumo tomará Ciro, ver se aprofunda o rompimento já aberto com o governismo – disse que Lula “viaja na maionese” e “está se sentindo o todo-poderoso e acha que vai batizar Dilma presidente da República”.

O PSB se prepara para formalizar na terça-feira a decisão de não ter candidato próprio à sucessão de Lula e para apoiar Dilma Rousseff. Depois disso, Ciro – que impedido de concorrer a presidente, não disputará qualquer outro mandato nas eleições de outubro – ficará mais à vontade para aprofundar, ou não, seu rompimento com o governo.

No caso de uma pessoa com o temperamento e o caráter dele, só esperando para ver.

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Com os agradecimentos do Bahia em Pauta ao minerador de pérolas musicais do Blogbar, Luiz Fontana. (VHS)

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Posted on 24-04-2010
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Usinas da Chesf:como negar?

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ARTIGO DA SEMANA

RESPEITO À MEMÓRIA

Vitor Hugo Soares

Nas barrancas do São Francisco, rio da minha aldeia, no tempo pioneiro da construção da hidrelétrica da CHESF – que iluminaria o Nordeste depois de inaugurada pelo presidente Café Filho -, um detalhe em especial impressionava o garoto de então: as manifestações populares grandiosas das campanhas políticas na cidade transformada em formigueiro humano de operários, engenheiros e técnicos de toda parte, atraídos pela obra monumental que se erguia na vizinhança árida do quase deserto do Raso da Catarina.
Nunca esqueci o comentário de um “cassaco” (mistura romântica imortalizada dos cossacos da Rússia de então, com os heróicos carregadores de milhões de sacos de cimento consumidos na mega-construção no sertão da Bahia, imortalizados por Luiz Gonzaga). Depois de um discurso de palanque arrasador feito por Antonio Balbino, que disputava o governo do estado com o historiador Pedro Calmon, disse o atento operário ao meu lado no comício:: “Em tempo de eleição ninguém tem descanso, nem os mortos”.
Mais de meio século depois vejam este bafafá cercado de interesses estranhos – e pouco transparentes -, por todo lado, que envolvem o leilão para a construção bilionária da mega-hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Beatos e conselheiros dos novos tempos andam metidos na briga – um deles o diretor de Avatar e seus santos guerreiros do Greenpeace, em cruzada internacional contra a obra.
Briga feia, que cobra explicações mais nítidas tanto do governo e demais propagandistas da obra, como de seus opositores, alguns acenando as bandeiras justas da defesa do meio ambiente, dos índios, da floresta, e outros nem tão idealistas assim. Travada em tempo de pré-campanha eleitoral, tudo parece antecipar uma nova Guerra de Canudos no norte do País, como a que dizimou o belo monte de Canudos, no sertão da Bahia, nos primeiros anos da República.
Em termos de argumentos vale tudo. Até os mais equivocados ou que escamoteiam a verdade. Por exemplo, dizer e escrever como alguns têm feito, que falta tradição em construção de obras do porte de Belo Monte ao consórcio vencedor do polêmico leilão, encabeçado pela Companhia Hidro-Elétrica do São Francisco – CHESF. Ora, em nome dos fatos e da história da engenharia brasileira, nunca é demais perguntar: “Quem tem mais tradição em obras assim no País que a CHESF?
Vale escutar o rei do baião Luiz Gonzaga, em seu canto de louvor a Paulo Afonso, para reavivar memórias fracas ou mal intencionadas. Também como tributo merecido, nesta hora confusa e interesseira do debate sobre Belo Monte, a tantos que se empenharam até a morte – e não foram poucos – na construção daquilo que para muitos não passava de utopia nordestina.
“Delmiro (Gouveia) deu a idéia. / Apolônio (Sales) aproveitou / Getúlio fez o decreto, e Dutra realizou / O presidente Café (Filho) a usina inaugurou/ E graça a esse esforço, de homens que têm valor/ Meu Paulo Afonso foi sonho que já se concretizou… Olhando pra Paulo Afonso eu louvo nosso engenheiro/ louvo nosso cassaco, caboclo bom brasileiro./ E vejo o Nordeste erguendo a bandeira de ordem e progresso à nação brasileira. / E vejo a usina feliz mensageira, vivendo da força da cachoeira/ Meu Brasil vai”.
Mais de 50 anos depois da epopéia da Chesf em Paulo Afonso, tudo pode parecer piegas e romântico agora, diante de Belo Monte e dos monumentais interesses que a mega-obra amazônica representa, inclusive os eleitorais. Mas na época, quase tudo foi heróico na grande aventura humana sob o ronco da cachoeira nas margens baianas do Rio São Francisco.
Digo isso como o jornalista Sebastião Nery na apresentação de “Rompendo o Cerco”, livro sobre a bravura dos falecidos Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Rômulo Almeida, naquele 13 de Maio de 1978, em Salvador, quando a ditadura soltou os cachorros para impedir a fala de Ulysses em ato público na data histórica: “Ninguém me contou. Eu vi. Estava lá.”.
No caso da CHESF, serve também para lembrar as palavras de sabedoria e ser justo com aquele “cassaco” anônimo que estava ao meu lado no comício de Antonio Balbino, em Paulo Afonso.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@ terra.com.br

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