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Postado em 23-04-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 23-04-2010 10:02

Ciro: na hora da traição

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Em seu artigo desta sexta-feira, na Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho analisa as pressões e os interesses estranhos no jogo de pressões, dentro e fora do PSB, para afogar a postulação do deputado Ciro Gomes como candidato de seu partido à presidência da República. Este e outros interesses regionais do PSB, especialmente na região Nordeste, estão para Ciro como as 30 moedas de prata pagas a Judas estiveram para Jesus, compara o colunista no texto que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Ciro e as 30 moedas

Ivan de Carvalho

OLHO: Este e outros interesses regionais do PSB, especialmente na região Nordeste, estão para Ciro como as 30 moedas de prata pagas a Judas estiveram para Jesus.

Ciro Gomes queria ser candidato a presidente da República.

Tinha (continua tendo, naturalmente) um currículo político invejável.

Nascido no interior de São Paulo, foi deputado estadual cearense, prefeito de Fortaleza, governador do Ceará por dois mandatos.

Ministro da Fazenda do governo Itamar Franco por apenas três meses, assumiu o cargo apontado como talvez o único político disponível capaz de manter a credibilidade do Plano Real em fase de implantação, credibilidade ameaçada pelo chamado “caso da parabólica”, envolvendo Rubens Ricúpero, que por isto teve que deixar o Ministério da Fazenda. Cumpriu a missão.

Em 1997, depois de ter sido filiado no início de sua vida política ao PDS e passado para o PMDB, desliga-se do PSDB e ingressa no PPS, legenda pela qual concorre às eleições de 1998 para presidente da República. Uma mudança brusca imposta à legislação eleitoral por uma “interpretação” do TSE sob a influência do então presidente da corte, o ministro do STF Nelson Jobim, impondo a chamada “verticalização das coligações”, inviabiliza o apoio formal do PFL à sua candidatura e leva a um apoio informal apenas de metade deste partido, deixando Ciro sem a estrutura de sustentação de uma candidatura viável. Fica em terceiro lugar. Em 2002, concorre novamente à presidência pela coligação PPS-PTB-PDT, mas tem dez por cento dos votos e passa a apoiar Lula, em cujo governo ocupa o Ministério da Integração Nacional, mais tarde ocupado pelo peemedebista baiano Geddel Vieira Lima.

A “verticalização das coligações” teve o resultado de assegurar que a eleição acabasse por ser polarizada entre o PSDB e o PT, um quadro que se repetiria nas eleições presidenciais seguintes, mesmo depois que o Congresso Nacional acabou com a “verticalização” imposta pela “interpretação” do TSE. A “verticalização” foi, lá atrás, o principal fator para formatar o atual quadro partidário, em que predominam fortemente o PT e o PSDB.

Mas, voltando a Ciro, novamente ele tentava, este ano, por um partido médio, o PSB, disputar a presidência da República. Até o fim da semana passada estava com dez por cento das intenções de voto, mas o PSB ontem consumou a traição a Ciro, avisando-o que não terá a legenda do partido para ser candidato a presidente, conforme desejava o presidente Lula e o presidente do PSB, Eduardo Campos, que faz de tudo para ter o apoio do PT e de Lula para reeleger-se governador de Pernambuco.

Este e outros interesses regionais do PSB, especialmente na região Nordeste, estão para Ciro como as 30 moedas de prata pagas a Judas estiveram para Jesus. O leitor naturalmente sabe quem pagou as 30 moedas de prata.

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