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Postado em 22-04-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 22-04-2010 18:09

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira que o governo, por meio das estatais, poderá assumir sozinho a construção da usina. “Nós, enquanto Estado brasileiro, empresa pública, faremos sozinho (a usina) se for necessário”, disse, após almoço oferecido ao presidente do Líbano, Michel Sleiman, no Palácio do Itamaraty; em meio as notícias desencontradas sobre ameaças da construtora Queiroz Galvão em deixar o consórcio Norte Energia, que venceu o leilão para a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA).

Segundo Lula -informa o portal IG-, no consórcio pode entrar e sair quem quiser. “No leilão, entra quem quer e sai quem quiser, depois (da licitação). Não tem nenhum cadeado na porta. Não tem problema”, disse o presidente. Nos bastidores, no entanto, Lula tem dito não acreditar que a Queiroz Galvão vá deixar o consórcio. Sobre os interesses das construtoras Odebrecht e Camargo Corrêa, que desistiram do leilão, mas mostraram interesse em participar da obra como construtoras, o presidente disse: “Podem ajudar. É só querer”.

Ainda segundo o IG, Lula rebateu críticas de que o empreendimento irá afetar a região da Amazônia e as comunidades ribeirinhas e disse que o atual projeto da obra prevê um reservatório 60% menor que o previsto originalmente e que serão investidos R$ 3 bilhões para evitar impactos ambientais. Ele disse que os críticos reclamam “até mesmo” do preço da tarifa de energia, considerado por ele como barato. “Eu achei fantástico (o preço)”, disse.

Lula ainda reclamou dos que disseram que o governo tem interesse eleitoral com a obra. “Eu ouvi um cidadão dizer que isso foi político. Quem não fez política fez o apagão”, disse, referindo-se ao governo anterior. “As usinas de Belo Monte, Jirau e Santo Antônio são coisas que nossos adversários torcem para não dar certo”, acrescentou.

Leia mais sobre o assunto no portal IG ( www.ig.com.br )

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 23 Abril, 2010 at 6:28 #

Caro VHS

Que tal um grito?

“Parem as redações”

Que os bravos articulistas reflitam por meia hora!

Sobre?

Simples: sobre o sistema financeiro e a resistência, ainda que moderada de Obama.

Caro VHS, não se espera de um presidente do Estados Unidos grandes revoluções. Mas, é gratificante perceber que Obama toca no ponto sensível da política americana e mundial nas últimas décadas.

A influência e até mesmo gestão do setor finceiro na condução e administração do ocidente.

O sistema financeiro tem decidido eleições, tem ditado o pensamento econômico nas diversas redações, tem mantido sob bridão, e freio curto, o discurso político, tem erguido, e também derrubado, o que a mídia denomina “estadistas”.

Vale a pena acompanhar Obama e sua benvinda insistência em, senão domar, ao menos restringir a ação dessa esfinge moderna.

Recomenda-se a leitura do artigo “Obama alerta sobre una nueva crisis si la reforma financiera se frustra”, publicada ontém, 22 de abril, no jornal El País.

Aqui o link: http://www.elpais.com/articulo/internacional/Obama/alerta/nueva/crisis/reforma/financiera/frustra/elpepuint/20100422elpepuint_11/Tes

Destaque-se o quadro final:

________________________________

“Los puntos esenciales de la reforma financiera de Obama

Punto uno: Crear un sistema de protección para el sistema financiero. Dentro de este mecanismo se incluyen, por una parte, los planes de desmantelamiento que deben realizar las propias entidades en caso de que, por su gran tamaño, una eventual quiebra ponga en riesgo al conjunto del sistema. Por otra, se establecerán unos requisitos de reservas de capital para garantizar los depósitos y respaldar un posible deterioro de los activos de los bancos. Aunque el presidente Obama habla de “protección del sistema”, el objetivo último de este primer punto es, precisamente, evitar que sea el contribuyente el que tenga que salir en apoyo de los bancos en caso de una nueva crisis.

Punto dos: Aumentar la transparencia del mercado financiero y sacar las transacciones “a la luz del día”. Obama quiere incrementar la información sobre los productos derivados sumamente complejos que en parte han llevado al sistema a la actual crisis, así como que los inversores conozcan los riesgos implícitos de este tipo de operaciones.

Punto tres: Aumentar la protección al consumidor. El plan del presidente estadounidense creará el mayor sistema de protección del usuario conocido hasta la fecha.

Punto cuatro: Dar a los accionistas la posibilidad de decidir sobre los salarios y los bonus de los miembros de los consejos de administración y una mayor representación en las decisiones que comprometen el futuro de las empresas.

Punto quinto: Reducir la influencia de los grupos de presión en Washington, la industria de los lobbys contratados para contrarrestar las decisiones del Congreso y limitar el impacto de los cambios normativos.”

________________________________

Retome-se as redações!

Cumpram os articulistas seu papel, discorram a respeito, mesmo que contra, mas, ao menos uma vez, não sejam prisioneiros de sua própria inércia e despreparo.

Abraços!

Tim! Tim!


luiz alfredo motta fontana on 24 Abril, 2010 at 5:45 #

Caro VHS

Embora meu grito não tenha ecoado, fato verificado pela ausência de reações, ao menos ler Clóvis Rossi, hoje na Folha de São Paulo, revigora o espiríto:
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Clóvis Rossi:

Obama e o capitalismo corsário

O setor púbico salva sempre o privado, que “agradece” atacando cofres públicos e, no percurso, destruindo países

HÁ ALGO de profundamente errado na governança global e na maneira como está funcionando o capitalismo quando os cofres públicos se abrem regularmente para salvar o setor privado, mas o setor privado conspira abertamente para arrombar ainda mais os cofres públicos -e, no percurso, destruir países.
Refiro-me às ajudas públicas para evitar o colapso de empresas privadas e, por extensão, da economia, durante a crise ainda em curso.
Mas me refiro também ao recente caos aéreo na Europa. Há indícios de que os governos sairão mais cedo do que tarde em ajuda das empresas aéreas. O argumento para tanto foi dado por Giovanni Bisignani, diretor-geral da Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo):
“É uma situação extraordinária à que chegamos não por conduzir mal nossos negócios mas por coisas que escapam a nosso controle”.
De acordo: erupção de vulcões escapam de fato ao controle das companhias aéreas. Mas o argumento deveria ser usado também no caso dos governos agora sob ataque continuado dos corsários do sistema financeiro. Antes que alguém se queixe da expressão “corsários”, passo a palavra a um certo Barack Obama, em seu discurso da quinta-feira:
“Acredito no poder do livre mercado. Acredito em um setor financeiro forte que ajude as pessoas a levantar capital e conseguir empréstimos e investir suas poupanças. Mas um mercado livre jamais deveria ser uma licença para tomar o que quer que possa, de qualquer maneira que possa. Foi isso o que aconteceu com excessiva frequência nos anos que levaram a esta crise”.
Não é a descrição de um “modus operandi” de piratas? Volto ao fio da meada: nem todos os governos que se endividaram geriram mal seus negócios. Foram forçados pela dimensão da crise ou das tais “coisas que escapam a nosso controle”, para usar o argumento da Iata.
Mas o setor privado, em vez de ajudar a apagar o fogo, vai ao ataque, derruba a Grécia, volta a mira para Portugal agora e, amanhã, sabe-se lá para que país.
É verdade que o governo grego anterior exagerou nos gastos e ainda por cima falsificou os dados sobre o deficit. Mas é igualmente verdade que foi auxiliado na maquiagem por firmas financeiras, que, no entanto, detêm o poder de vida ou morte sobre as finanças públicas.
E foram elas que “conduziram mal os seus negócios”, de que dão prova ao menos dois fatos recentes:
1 – A Goldman Sachs está sendo investigada por manobras com instrumentos opacos de investimento. George Soros, que atua às vezes como corsário, mas tem agudo senso autocrítico, comenta no “Financial Times”: “Seja a Goldman culpada ou não, a transação em questão claramente não tem benefício social”.
2 – Uma investigação do Senado americano mostrou que as duas principais agências de avaliação de risco, a Standard&Poor’s e a Moody’s, foram indevidamente influenciadas por banqueiros de investimento que pagam suas taxas. Ignoraram propositadamente sinais de fraude na indústria de empréstimos na caminhada rumo à crise.
Não obstante, são avaliadoras como essas que determinam ou influenciam no preço que o Tesouro grego tem que pagar a quem compra seus papéis. Não seria mais correto e justo que os governos é que cobrassem da indústria financeira uma taxa para tapar os rombos que elas ajudaram a criar, sem qualquer “benefício social”?


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