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Postado em 19-04-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 19-04-2010 11:18

Muita onda nas pesquisas

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Em seu artigo desta segunda-feira, na Tribuna da Bahia o jornalista político Ivan de Carvalho chama a atenção  para o cuidado dobrado que se deve ter na leitura de resultados de pesquisas eleitorais nesta fase de pré-candidaturas e muita confusão e jogo de interesses, camuflados ou não.
O colunista assinala que os resultados de uma nova pesquisa do Datafolha, realizada entre os dias 15 e 16 deste mês, que desmoraliza o “empate” apontado pelo Sensus sob encomenda do Sintrapav. O Datafolha atribui a Serra, na modalidade de intenções de voto estimuladas (mesma pela qual o Sensus obteve o tal empate), o percentual de 38 por cento, reservando a Dilma Rousseff 28 por cento. A diferença é de dez pontos percentuais e em nada se assemelha a um empate.

Está assim reforçada o que já é mais do que uma simples hipótese, mas uma suspeita antiga que vem se adensando a cada eleição, diz Ivan de Carvalho no texto que Bahia em Pauta reproduz.
(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Cuidado com as pesquisas

Ivan de Carvalho

Quando foram divulgados os resultados da última pesquisa Sensus para presidente da República, apontando empate entre José Serra (32,7 por cento) e Dilma Rousseff (32,4 por cento) – algo sem precedentes na história das pesquisas eleitorais de institutos conhecidos para o pleito de outubro deste ano, abstive-me de comentá-los.
Eu os considerei suspeitos. Nada ocorrera no intervalo de tal pesquisa e outras anteriores, recentes, de diversos institutos, que pudesse explicar o surpreendente empate. Nelas, Serra, do PSDB, aparecia sempre com uma considerável vantagem sobre a candidata do PT, embora esta se apresentasse numa contínua, mas não abrupta escalada. Um empate poderá, evidentemente, acontecer, ou até uma ultrapassagem, mas essas são possibilidades para o futuro, próximo ou distante. Ou para nunca, o que também não pode ser descartado.
A pesquisa Sensus foi criticada, por exemplo, pelo jornal Folha de S. Paulo, certamente com a assessoria do Instituto Datafolha, há muito o de maior credibilidade entre os políticos e que integra o mesmo grupo empresarial do jornal citado. A Folha observou que o Sensus praticou uma inversão nas perguntas. Ao invés de iniciá-la indagando ao eleitor entrevistado em quem votaria para presidente, perguntou primeiro sobre a avaliação que fazia do governo Lula.
Quando perguntado sobre o voto para presidente, observou a Folha, o eleitor poderia se sentir constrangido a dizer que votaria na candidata governista, uma vez que é muito alta a aprovação de Lula. E também – acrescento – para não parecer incoerente perante o entrevistador. Houve ainda outras críticas, a exemplo do currículo político de Serra, no qual constava apenas “governador de São Paulo”, quando se sabe que é muito mais vasto.
Mas o que mais me fez considerar suspeitos os resultados do Sensus foi o fato de a pesquisa ter sido encomendada pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada no Estado de São Paulo (Sintrapav), uma instituição sem a menor tradição de encomendar pesquisas eleitorais, pelo menos de âmbito nacional. Em outros âmbitos, não sei nem vi nunca notícia de nenhuma. O que teria levado esse sindicato a navegar por mares nunca dantes por ele navegados? Sinceramente, rejeitei os resultados e a pesquisa como imprestáveis.
E se abordo hoje essa pesquisa do Sensus é somente porque no fim de semana foram divulgados os resultados de uma nova pesquisa do Datafolha, realizada entre os dias 15 e 16 deste mês, que desmoraliza o “empate” apontado pelo Sensus sob encomenda do Sintrapav. O Datafolha atribui a Serra, na modalidade de intenções de voto estimuladas (mesma pela qual o Sensus obteve o tal empate), o percentual de 38 por cento, reservando a Dilma Rousseff 28 por cento. A diferença é de dez pontos percentuais e em nada se assemelha a um empate.
Está assim reforçada o que já é mais do que uma simples hipótese, mas uma suspeita antiga que vem se adensando a cada eleição – a manipulação de resultados de muitas das pesquisas eleitorais lançadas no mercado eleitoral.

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