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Postado em 14-04-2010
Arquivado em (Newsletter, Olivia) por vitor em 14-04-2010 10:51

Simone de Beauvoir

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Zuzu Angel

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MARIA OLIVIA

Neste 14 de abril, vale, e como vale, rememorar duas grandes mulheres que partiram nesta data. A indispensável escritora, filósofa e militante francesa Simone de Beauvoir, autora de obras fundamentais a exemplo de A Convidada (seu primeiro romance), O Segundo Sexo (profunda análise sobre o papel da mulher, considerada por muitas como “a bíblia femenina”, Os Mandarins, A Cerimônia do Adeus (homenagem ao seu companheiro de vida, Sartre), entre tantas outras. Ela morreu em 14 de abril de 1986, aos 78 anos, em Paris.

Também neste dia, ano de 1976, foi assassinada Zuzu Angel, estilista e mãe do militante estudantil Stuart Angel, morto pela ditadura militar, aos 26 anos. Ele foi sequestrado, torturado barbaramente e assassinado pelos órgãos da repressão em 1971. Para não esquecer, Stuart, na tortura final, foi arrastado num Jipe, amarrado ao cano da descarga do veículo, obrigado a “cheirar óleo diesel”, como denunciou o incomparável Chico Buarque de Holanda em sua canção Cálice, até o fim. Ele não deu nenhuma informação aos seus algozes.

Zuzu Angel, à época uma estilista de renome internacional, soube das torturas e assassinato de seu filho através de carta anônima e daí começou sua luta para denunciar as torturas, a morte e a ocultação do cadáver do filho, no Brasil e no exterior. Ela passou a sofrer intimidações, aí passou a encaminhar cartas, inclusive para Chico Buarque, a quem conhecia, afirmando que “se, por acaso, aparecesse morta por acidente, na verdade era assassinato”. E foi o que aconteceu na madrugada de 14 de abril de 1976, no Túnel Dois Irmãos (Rio de Janeiro), que hoje leva seu nome, uma homenagem do ex-governador Leonel Brizola.
Para ela, nosso amado Chico compôs ANGÉLICA, que dispensa comentários.

Maria Olívia é jornalista
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Angélica (1977)
Miltinho e Chico Buarque

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho?
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar
Quem é essa mulher
Que canta sempre esse lamento?
Só queria lembrar o tormento
Que fez meu filho suspirar

Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo?
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar

Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino?
Queria cantar por meu menino
Que ele não pode mais cantar

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Comentários

Graça Azevedo on 14 Abril, 2010 at 11:25 #

Olivinha
Duas grandes mulheres que marcaram a minha geração e as que se seguiram. Justa homenagem.
Não posso deixar de me emocionar com a música porque eu também preciso “cantar por meu menino, que ele não pode mais cantar.” Morto por outro tipo de marginal, mas igualmente torturador e pusilânime.


Mariana Soares on 14 Abril, 2010 at 12:16 #

É desse tipo de mulher, Olivia, que nos envaidecemos de sermos pares e de quem nos orgulhamos e devemos seguir os exemplos. Mulheres valentes, destemidas, desbravadoras, independentes, mas, acima de tudo, mulheres que não perderam a suavidade, a feminilidade, a doçura, e que não confundiram o seu papel na sociedade com a necessidade de se embrutecer.
Parabéns, minha irmã, pelo belíssimo artigo!


Shirley on 12 Março, 2011 at 21:21 #

Great post, truly!

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