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Postado em 12-04-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 12-04-2010 08:51

Geddel e Cesar: a virada

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Em seu artigo desta segunda-feira de semana que promete pegar fogo na política, o jornalista Ivan de Carvalho comenta em sua coluna na Tribuna da Bahia, o fato mais relevante e surpreendente até aqui nos movimentos e articulações de chapas para a disputa sucessória no Estado: o senador Cesar Borges (PR) muda de rumo na hora H e abandona a aliança que o governador petista Jaques Wagner considerava praticamente fechada, para cair nos braços e no palanque do pre-candidato do PMDB a Ondina.O fato e suas presumíveis consequencias modelam o texto de Ivan. que Bahia em Pauta reproduz. (VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Virada na sucessão

Ivan de Carvalho

Por que o senador César Borges, presidente estadual do PR, não vai integrar a chapa majoritária governista encabeçada pelo governador Jaques Wagner, como este queria? Não vai porque o PT – uma parte dos seus dirigentes e suas bancadas parlamentares, principalmente a estadual – quiseram tudo e nada se dispuseram a dar em troca. Numa negociação política, isto é impensável, inaceitável.
É verdade que a cúpula e os dirigentes do PT, ressalvados alguns setores simbolizados na pessoa do ex-governador Waldir Pires, não se opunham à participação do senador republicano na coligação para as eleições majoritárias. Isso já era ponto pacífico nas articulações do senador com o governador.
Mas ambos passaram a sofrer pressões de suas respectivas bases políticas. O governador via dirigentes do PT e suas bancadas parlamentares se oporem tenazmente à presença de petistas e republicanos nas mesmas coligações para as eleições proporcionais. O senador era legitimamente pressionado pelos deputados federais e estaduais de seu partido – dentre estes últimos, pelo menos três já apoiavam o governo estadual na Assembléia e a reeleição de Wagner – a colocar como condição imprescindível de uma aliança essas coligações proporcionais.
Mas o PT queria ter em sua chapa majoritária o senador-presidente do PR, os mais de dois minutos que este partido acrescentaria ao tempo de propaganda eleitoral gratuita dos governistas no rádio e televisão, o apoio dos parlamentares e da estrutura do PR, tudo isso sem dar nada em troca, a não ser um lugar na chapa de candidatos ao Senado. Explicando de outro modo: o PT não se dispunha ao menor sacrifício.
Resultado: perdeu. O PR oficializou em nota de sua Comissão Executiva Estadual a aliança com o PMDB – que atuou com perícia – e o apoio ao candidato a governador Geddel Vieira Lima. Serão feitas coligações com o PMDB para as eleições majoritárias e proporcionais. Os mais de dois minutos do PR no rádio e TV não ganhos pelo governismo vão para a aliança liderada pelo PMDB. Esse tempo, saindo de um lado em que quase já estivera para outro, representa uma “mudança” de aproximadamente cinco minutos.
Além disso, o impacto da decisão do PR, tanto no público quanto no meio político, é um dado fundamental neste momento e deverá produzir conseqüências muito relevantes imediatamente e também em um período mais amplo.
Das imediatas, destacam-se um evidente fortalecimento político e na percepção pública da candidatura de Geddel e a provável, porque lógica, necessidade dos deputados estaduais republicanos que vinham apoiando o governo de se reposicionarem na Assembléia Legislativa e a respeito da orientação eleitoral que repassam às suas bases no interior. Entre as conseqüências mediatas está o fortalecimento da aliança comandada pelo PMDB, sob diversos aspectos.
Quanto ao PT, terá que rearrumar a chapa majoritária, encontrando um substituto para César Borges. Walter Pinheiro ou Waldir Pires? Otto Alencar passa para candidato a senador? Mais um problema para o governador e seu partido. Mas os deputados do PT devem estar muito felizes, rindo para as paredes. Como gulosos trapalhões, embaraçaram seriamente a estratégia do governador Wagner, mas não terão que disputar cadeiras com os republicanos dentro das mesmas coligações proporcionais.
Geddel agora já pode anunciar sua chapa quando quiser

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Comentários

danilo on 12 Abril, 2010 at 17:36 #

diante dessa nova situação, Jaques “Cabelo de Q-Bôa” Wagner pode começar a arrumar as malas e ir preparando sua mudança de domicilio de volta para o Rio de Janeio…


luiz alfredo motta fontana on 13 Abril, 2010 at 5:11 #

Com que bloco eu vou?

Entre Wagnerianos e Geddelianos, quem diria, César, o Borges, tem seu dia de “Sangalo”.

Aqui, Renata Lo Prete, Coluna Painel, Folha de São de Paulo, 13/04/2010:

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“Rodo 1. Jaques Wagner (PT) chegou a afirmar em entrevista que estava “fechado” o apoio do PR à sua reeleição na Bahia. No mesmo dia, o partido anunciou que disputará o Senado, com César Borges, na chapa que terá Geddel Vieira Lima (PMDB) como candidato a governador.

Rodo 2. Ao PR interessava aliança na chapa proporcional, mas o PT não queria. Borges também achava que os petistas pretendiam atrapalhar sua reeleição ao Senado colocando outro nome de peso na chapa. “Não venham com Waldir Pires pra cima de mim”, avisou a Wagner.

Rodo 3. Já robustecido pelo tempo de TV do PR, Geddel está perto de arrastar também o PPS, para ira do PSDB, que na Bahia apoiará o candidato do DEM, Paulo Souto.”

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Carnaval tem dessas coisas, por vezes criam “destaques” inimagináveis.


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