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Posted on 09-04-2010
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 09-04-2010

Fatima Bernardes e…

…Laura Beatriz(8 anos): encontro na tragédia

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ARTIGO DA SEMANA

DEPOIS DAS CHUVAS

Vitor Hugo Soares

Nada como os grandes desastres que se abatem sobre populações inteiras e a visão dos dramas que se seguem, entrando pelas casas do país, em imagens instantâneas de coberturas jornalísticas, como a conduzida por Fátima Bernardes na quinta-feira, direto do Morro do Bumba, em Niterói, para desnudar o que a fauna humana tem de melhor e pior nas duas pontas opostas de seu espectro.
No Rio de Janeiro desta semana – assim como nas recentes tragédias causadas pelos terremotos no Haiti e no Chile – as situações se assemelham em grandiosidade e em pequenez: heróis anônimos, em geral gente desconhecida da própria comunidade surgem de repente do lamaçal, de dentro das águas ou dos círculos de poeira e escombros.

Pessoas de todas as idades. Uma delas, a menina de oito anos que Fátima entrevista no final da sua pungente e humana reportagem no JN. Laura Beatriz narra sua experiência pessoal dolorosa e comovente no meio do caos, da dor incontida e dos gemidos em volta, enquanto tudo desmorona. No final, a mensagem surpreendente de que é preciso não jogar fora a esperança que ainda resta: “ainda tenho muito a viver”, diz a menina.

Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”. Penso em seguida nas palavras do poeta enquanto observo as imagens dos voluntários generosos vindos de lugares próximos da favela fluminense, ou de países distantes, armados de infinita coragem e vontade de ajudar. Cidadãos despreendidos, técnicos capazes.

E o contraste com o bate-cabeça desordenado de governantes e administradores insensíveis, sem planos e sem idéias do que fazer efetivamente. A não ser esperar a chuva passar, para ver “como a gente vai resolver os problemas”. Enquanto isso, repisam surrado discurso de outras tragédias. Acusam a “ocupação desordenada dos terrenos urbanos e dos lixões abandonados”, jogam pedras em governos passados , “que em mais de 50 anos nada fizeram”, como gosta de repetir o governador Sérgio Cabral.

Em volta, por todos os lados e de todos os partidos, políticos e candidatos que não enxergam um palmo além do próprio umbigo ou da sobrevivência por mais um mandato nas eleições que se aproximam. Na fotografia de O Globo, a ex-ministra Dilma Rousseff, candidata do peito do presidente Lula à sua sucessão, confraterniza-se alegremente com o ex-governador Garotinho, até recentemente apontado como responsável por metade das desgraças do Rio de Janeiro das últimas décadas.

Agora a culpa é jogada sobre mortos. Um deles, o ex- governador Leonel Brizola, que no túmulo em que descansa no Rio Grande do Sul, nem pode responder. Na hora de acusar, não falta quem lembre até de outro gaúcho; Getúlio Vargas.

Simbolicamente, até a histórica e sempre afetuosa ligação Rio-Bahia anda ameaçada pelos efeitos da catástrofe. No meio das chuvas devastadoras no Rio – pouco antes do desmoronamento no Morro do Bumba, que previsões indicam pode ter soterrado até 200 pessoas – saiu o relatório da auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU). O levantamento revela que, entre 2004 e 2009, o estado do Rio recebeu menos de 1% do total de recursos destinados à prevenção de catástrofes em todo o país, enquanto a Bahia – terra do ex-ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), virtual candidato de seu partido ao governo no estado – teria abocanhado mais de 60% dos recursos.

O conselho nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que parece despertar da letargia dos últimos anos, quer que o Ministério Público investigue tudo. O presidente da instituição, Ophir Cavalcante, reconhece que a OAB não tem como exigir do poder público certos dados, o que o MP pode fazer, até para afastar esse tipo de acusação ou de coincidência.

“Queremos apenas a explicação. O governo tem que se explicar. É o mínimo que pode ser feito nesse momento”, assinala o presidente da OAB. Na quinta-feira, o presidente Lula saiu em defesa de Geddel, ex-auxiliar destacado de sua administração e aliado político e de palanque em 2010, apesar dos desentendimentos do ex-ministro com o governador petista baiano, de quem quer o lugar no Palácio de Ondina. Novos temporais à vista, desta vez políticos e administrativos, já se vê.

Corte para Nelson Rodrigues, no livro de memórias “A Menina sem Estrela”, em que ele recorda a tragédia dos desabamentos nos anos 60, quando morreu seu irmão Paulo Rodrigues, a mulher dele, dois filhos e a sogra. Nelson escreve:
“Sou outro depois das chuvas. E me admira que eu tenha mudado e os outros não. As pessoas continuam indo à praia, meninas tomam grapete de biquíni. Uma catástrofe eufórica como a de Laranjeiras realmente não influiu na cor de uma gravata… Agora mesmo tenho diante de mim um recorte de jornal. É a croniqueta do poeta Drumond sobre o desabamento. Já vasculhei o papel impresso, já o apalpei, já o farejei, já o virei de perna pro ar…”

Mais Nelson Rodrigues para terminar: “E o papel não diz nada… Preliminarmente, uma catástrofe para seus largos movimentos, exige espaço, exige extensão. E a crônica miúda é um gênero próprio para furtos de galinha, duzentas mortes pedem a abundância de Jorge de Lima da “Invenção de Orfeu”.

E ponto final, por enquanto.

Vitor Hugo Soares é jornalista . E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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09
Posted on 09-04-2010
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O vice-presidente José Alencar (PRB) não será candidato ao senado nas eleições deste ano, segundo anunciou nesta sexta-feira, atraves da agência Reuters e do portal G1. Ele havia demonstrado interesse em disputar o Senado e seu nome havia sido cogitado para o governo de Minas Gerais.

Segundo a Reuters, Alencar alegou que não seria correto sair candidato porque ainda precisa passar por sessões de quimioterapia para tratar do câncer abdominal. A decisão foi tomada na noite de quinta-feira, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Me sinto curado, mas cientificamente não posso dizer que estou curado”, afirmou Alencar em entrevista convocada para o anúncio.

Alencar lembrou que o avanço da quimioterapia tem apresentado bons resultados. A continuidade do tratamento, segundo o vice-presidente, foi aconselhada pelos médicos por motivo de precaução.

“Acho que não é honesto colocar o meu nome e sair para fazer uma quimioterapia.”

Alencar, de 78 anos, trava uma batalha contra um câncer no abdome há 12 anos e já realizou 15 cirurgias.

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Posted on 09-04-2010
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Ex-ministro Geddel:dificuldades

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Em seu artigo desta sexta-feira, na Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho comenta sobre a chapa encabeçada pelo deputado e ex-ministro da Integração Nacional , Geddel Vieira Lima, cujo lançamento festivo foi adiado duas vezes esta semana. Previsto inicialmente para quarta-feira, passou para quinta, sem concretizar-se de fato. Segundo diz o colunista no texto que Bahia em Pauta reproduz, se não pôde ser ontem, uma sexta-feira seguida do fim de semana não seria o melhor momento para o anúncio, sob o aspecto da repercussão na mídia.

E um lançamento sem repercussão é tudo que menos o ex-ministro Geddel deseja ao iniciar sua corrida pelo lugar do petista Jaques Wagner no Palácio de Ondina. Confira.

(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

PMDB prepara o anúncio

Ivan Carvalho

O ex-ministro da Integração Nacional e candidato do PMDB a governador, Geddel Vieira Lima, negou ontem que tenha havido uma nova conversa com o senador César Borges, presidente estadual do PR e candidato à reeleição.
Eles já tiveram há algum tempo um encontro, quando o PMDB teria acenado com a coligação deste partido com o PR para o senador tentar a reeleição e teria aberto a hipótese (informação não confirmada) de o PR indicar o candidato a vice-governador.
Mas o entendimento não prosperou e o senador envolveu-se numa negociação política com o governador Jaques Wagner, estando pelo menos quase acertado o seu complicado ingresso na chapa majoritária governista.
Um ponto que ainda provoca polêmicas, bastante intensas, é a coligação entre o PT e o PR para as eleições proporcionais de deputados federais e estaduais. As bancadas do PR fazem questão desta coligação, mas nas bancadas do PT a resistência ainda é grande. Mas talvez não seja este o único ponto de dificuldades ou hesitação.

No entanto, nos meios políticos, supõe-se que um acordo será afinal realizado, do que depende o governador Wagner, candidato à reeleição, para anunciar a composição da chapa majoritária – e a esperada solução para o problema das coligações às eleições proporcionais.
Os rumores de que teria havido um novo encontro entre Geddel e César Borges e que isto teria aberto a possibilidade do senador levar o seu PR a uma coligação com o PMDB – ficando assim com uma alternativa à aliança com o PT, o que valorizaria seu cacife político ante esta legenda e seria elemento de pressão para o PR obter o que deseja quanto às coligações proporcionais – foram detonados ontem pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima.

Ele disse a este jornal que não teve com o senador o encontro ou conversa sobre o qual haviam surgido as especulações e acrescentou, no seu estilo direto, considerar que o senador já está com aliança fechada com o governador Wagner e que “ninguém vai se valorizar” às suas custas.

Geddel e o PMDB, que ele comanda, pretendiam anunciar ontem a composição da chapa que concorrerá às eleições majoritárias, mas o anúncio foi adiado e o ex-ministro disse esperar fazê-lo até segunda-feira. É possível que esse adiamento seja uma consequência das chuvas no Rio de Janeiro. Com substituto competente, mas novo na pasta, Geddel teria achado prudente ficar por perto (em Brasília) para as eventuais e primeiras orientações ao ministro João Santana, ex-secretário executivo do Ministério e que ele indicou para sucedê-lo.

Aí está uma explicação plausível para o fato de que o retorno do candidato peemedebista à Bahia, antes previsto para a quarta-feira, só haja ocorrido ontem. E uma razão para o adiamento do anúncio para segunda-feira. Se não pôde ser ontem, uma sexta-feira seguida do fim de semana não seria o melhor momento para o anúncio, sob o aspecto da repercussão na mídia.

Geddel também acena com a possibilidade de surpresa na chapa majoritária de sua coligação. Os nomes parecem já estar bem definidos: Geddel para governador, Edvaldo Brito para senador, além do empresário João Cavalcanti e o atual vice-governador Edmundo Pereira. Uma hipótese de surpresa seria a de Cavalcanti, que parecia definido para o Senado, ser deslocado para a vice, enquanto Edmundo Pereira disputaria uma das cadeiras de senador.

Dor da perda, recordações políticas e afetivas de alguns dos mais expressivos representantes da Bahia, lágrimas de saudade e respeito. Estes sentimentos e reações andaram juntos na tarde desta quinta-feira no cemitério Jardim da Saudade, durante o sepultamento da ex-primeira dama do Estado, Maria Amélia Santos, que morreu aos 70 anos.

O ex-governador e ex-ministro Waldir Pires, por exemplo, lembrou que assim que chegou do exílio se aproximou de Roberto Santos naquela arrumação que Tancredo Neves propôs de juntar o PP, o seu partido, com o MDB, pela redemocratização, aglutinando inclusive políticos oriundos da Arena, como Roberto Santos.Sobre Maria Amélia declarou: “Costumava brincar com Roberto que nós éramos homens de sorte, porque tínhamos mulheres especiais”.

A deputada Lídice da Mata disse que conheceu Maria Amélia na época de militância pela abertura e que recorda-se com carinho dos telefonemas que Maria Amélia dava para ela, sobretudo nos momentos difíceis (referia-se à perseguição promovida por ACM), em sinal de solidariedade.

Maria Amélia Santos, mulher do ex-governador Roberto Santos, morreu ontem em decorrência de doença do sistema sanguíneo que gerou uma insuficiência renal. Admirada pelos amigos e por aqueles que militaram politicamente ao lado do marido, Maria Amélia, que deixa seis filhos, teve grande atuação no governo Roberto Santos, de 1975 a 1979, entre duas gestões de Antonio Carlos Magalhães.

Nutricionista por formação, Maria Amélia é apontada como “líder inata” por seguidores de Roberto Santos, sendo lembrada pelo seu trabalho à frente das Voluntárias Sociais e pelo respaldo que deu ao marido na condução de um governo marcado pela autonomia, apesar de uma oposição ferrenha.
Presentes ao Jardim da Saudade amigos e políticos que lutaram pela redemocratização ao lado de Roberto Santos e desfrutaram do convívio com a ex-primeira-dama, como o ex-ministro Waldir Pires (PT), ex-senador Luiz Viana Neto (PMDB), ex-alunos e colegas da Escola de Medicina da Ufba, instituição da qual Roberto Santos foi reitor. Cumprindo agenda em Brasília, o governador Jaques Wagner (PT) foi representado pelo seu chefe de gabinete, Fernando Schmidt.

Presentes os deputados federais Geddel Vieira Lima (PMDB), Lídice da Mata (PSB), Nelson Pelegrino (PT), entre outros. “Grande perda para os que tiveram a felicidade de conviver com ela”, disse Oscar Marback, ex-presidente da Urbis na gestão Roberto Santos, que dividia a saudade com secretários da época: Jorge Medauar, Raymundo Cayres, Pitta Lima, Welington Figueiredo, Ubaldo Dantas e coronel Mansur de Carvalho.

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