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Postado em 06-04-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 06-04-2010 09:45

Tancredo: vítorias e vítimas

No artigo de hoje em sua coluna na Tribuna da Bahia o colunista político, Ivan de Carvalho, comenta sobre os movimentos de construção de alianças para disputar o governo da Bahia e lembra o ensinamento de Tancredo Neves de que “não se constroem vitórias sem vítimas”. Segundo o texto de Ivan, que Bahia em Pauta reproduz, os eleitores vão decidir se o governador, com sua política de ampla e diversificada aliança, está construindo ou não uma vitória eleitoral.
(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

As primeiras vítimas

Ivan de Carvalho

Tancredo Neves costumava dizer que “não se constroem vitórias sem vítimas”. Os eleitores vão decidir se o governador Jaques Wagner, com sua política de ampla e diversificada aliança, está construindo ou não uma vitória eleitoral.
Enquanto esta incógnita não se revela, já surgem as primeiras vítimas nas fileiras do próprio governismo. Ainda não são muitas, ainda que sejam importantes, mas há possibilidade de aumentarem de número, hipótese que me reservo a analisar caso seja consumada. Não nasci com nem desenvolvi o dom de adivinhar as coisas, embora o dom exista.
Vamos, portanto, ficar com o que já está consumado e o que parece que está.
Primeira vítima – o deputado federal João Leão, que divide ou dividia com seu colega Mário Negromonte, presidente estadual do PP, o comando deste partido na Bahia. Leão está “estremecido” com Negromonte por ter este ido de encontro à sua posição contrária à participação do ex-governador e ex-conselheiro do TCM na chapa majoritária governista como candidato a vice-governador.
Leão defendia que ao PP, como anteriormente combinado, deveria caber uma vaga na disputa pelas duas cadeiras de senador que estarão em jogo em outubro. Alencar deixou o TCM, filiou-se ao PP e é candidato a vice, com o aval de Negromonte e a ausência protestante de Leão no importante ato político de filiação de Otto Alencar ao PP. Para aceitar Alencar como vice, Leão (como seus amigos no PP) queria o deputado estadual Roberto Muniz para sucessor de Alencar no TCM. Assim, os votos de Muniz seriam divididos entre a deputada Eliana Boaventura e um filho de Leão que é candidato à Assembléia Legislativa. Prevaleceu a vontade de Alencar de indicar seu assessor no TCM, Plínio Carneiro Filho (filho, claro, do ex-deputado Plínio Carneiro, com base política na região de Serrinha). Para Leão, perda total.

Segunda vítima – O deputado, ex-candidato a prefeito e ex-secretário do Planejamento Walter Pinheiro. O que ele queria mesmo, agora, era ser candidato ao Senado. A chapa para o Senado está ganhando outra composição, que o exclui. A alternativa era ficar no cargo de secretário com a garantia de ser novamente candidato a prefeito de Salvador em 2012. Do PT recebeu o veredicto de que poderia ser ou não, garantia não havia, pois o deputado Nelson Pelegrino, que já em 2008 terçara armas com ele pelo privilégio, também está querendo – mais uma vez – concorrer à prefeitura.

Com um dia de atraso em relação aos governistas que ocupavam cargos no Executivo estadual, Pinheiro deixou o dele e, descontente, vai buscar a reeleição para deputado federal, cedendo parte de seus votos para o amigo e ex-secretário Afonso Florence, que tem o mesmo objetivo. Observação com algum atraso: o governador não poderia nomear melhor sucessor para o cargo deixado por Pinheiro do que Antonio Alberto Valença, exemplo de competência, seriedade e visão de problemas e soluções. Aí o Estado está muito bem servido.

Terceira vítima – Waldir Pires. Talvez mais mártir do que vítima. Queria e outros o queriam candidato a senador. Foi alijado da chapa (na verdade, não chegou a estar nela) em nome de uma “aliança mais ampla”, desejada por Wagner. Fiel, disse ao governador que votará nele, mas inflexível na defesa de seu ideário e princípios, uma longa história de coerência e luta, pode não dar ainda esta luta por encerrada. E também não é impossível imaginar que mantenha sua insurgência (inclusive pública) contra as restrições que tinha à composição da chapa majoritária liderada por Wagner, especialmente no que diz respeito à quase certa participação do ex-governador e senador César Borges, do PR.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 6 Abril, 2010 at 16:58 #

Noticias da Corte!

Enquanto o rol, sempre entre eles, de satisfeitos e insatisfeitos ocupam laudas nuas, posto que “os mesmos” de há muito despiram-se idéias, planos, prgramas, metas, ou seja lá qual for a expressão fora de moda, e das pautas, que cuidem do pobre eleitor, nenhum sinal de avanço, melhora, ou ao menos esperança, surge nos céus, baianos, ou do resto do país emPACado.

Saudades de um tempo em que ilústres articulistas políticos, esmeravam-se em entender, compreender, e sobretudo falar sobre escolhas e consequências políticas, mesmo que premidos pela pressão de um, ou pela afoiteza de outro.

Hoje o conteúdo assemelha ao das velhas e saudosas colunas sociais do interior: fulano jantou com sicrana, fulana dançou com beltrano, e o bispo avisou que a próxima quermesse contará com a Bandinha da Força Pública. Coronel doou a novilha, Filhas de Maria preparam os frangos.

Mas… nessa nova quermesse, quem paga a prenda já é velho conhecido, um tal de “nós”!


Roberto on 9 Abril, 2010 at 9:27 #

Waldir Pires, uma vítima? E coerente?Você acha mesmo que ele vai abrir a boca? Ele não abriu a boca à época do mensalão, imagine se o fará agora. Nem mesmo ele sabe dizer se o dinheiro usado em sua campanha foi lícito…ou será que não? Muuuito inocente? Pra essa gente é muito conveniente se fazer de cego, ao que parece. Ele que engula César Bosta bonitinho, porque está na idade, assim como João Durval, de usar fraldão geriátrico e ficar em casa assistindo a TV.


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