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Postado em 06-04-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 06-04-2010 10:17

Rio de Janeiro: “não saia de casa”

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O jornalista Gilson Nogueira, colaborador atento do Bahia em Bahia e amante do Rio de Janeiro, como tantos leitores deste site blog, mandou para a área de comentário do BP um registro que é, ao mesmo tempo um apelo sobre o caos que se instalou no Rio, depois de dois dias de fortes chuvas na Cidade Maravilhosa. Há informações de mais de 30 morte. Os Bombeiros confirmam 17, oficialmente.

“Água dura é isso. Confiram, agora, no site de O Dia. O Rio está quase submerso. Velei-nos, São Sebastião!”, diz Gilson em sua mensagem, acompanhada de reportagem de O DIA, que Bahia em Pauta também publica, ao tempo em que se solidariza com o querido povo do Rio de Janeiro.

(Vitor Hugo Soares)

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Prefeito pede que a população não saia de casa

A forte chuva que transformou a cidade em um mar de transtornos e desespero na noite desta segunda-feira não deu trégua na manhã desta terça. Em comunicado, o prefeito Eduardo Paes pediu que a população não saia de casa e evite deslocamentos de pela cidade, principalmente em direção ao Centro.

“A situação é de caos. Todas as principais vias da cidade estão interrompidas e é um risco enorme. Não saiam de casa, não levem seu filho à escola até que possamos avaliar melhor a situação e alterar a orientação. Ainda chove muito. Se preservem e tomem muito cuidado, principalmente as pessoas que moram em áreas de risco. A situação é muito crítica”, alertou o prefeito.

“Temos uma chuva que já dura mais de 15h e são muitos críticos. Estamos pedindo à população que evite sair de casa. Não há como chegar ao Centro da cidade. A Niemeyer está interditada assim como a Ponte Rio-Niterói e outros lugares. Não queremos nos eximir de responsabilidade, mas está chovendo de uma forma atípica. Árvores estão caindo e a Lagoa Rodrigo de Freitas está com 1m e 40 cm. O que mais nos preocupa é a perda de vidas humanas e por isso estamos trabalhando. Estamos pedindo às escolas particulares para que liberem seus alunos, assim como fizeram as escolas municipais”, disse Eduardo Paes em entrevista à TV Globo.

Durante uma coletiva na noite desta segunda no Centro de Controle da CET-Rio, na sede do Detran, Paes disse que a questão da maré alta também influenciou no caos, mas que toda a prefeitura estava nas ruas tentando minimizar os estragos. O prefeito ainda qualificou o preparo da cidade durante este temporal, de zero a dez, como “inferior a zero” e classificou as mortes ocorridas no Morro do Borel como fatalidades. Eduardo Paes pediu também que “os demagogos de plantão” não critiquem futuros reassentamentos de moradores de áreas de risco.

“Sem dúvida, o comportamento da cidade foi muito ruim. Hoje temos 10 mil domicílios em áreas de risco. Esses moradores precisam ser reassentados. Não damos conta de fazer todos esses reassentamentos com a velocidade necessária. Espero que os demagogos de plantão, que só aparecem nessas horas, não venham dizer que estamos tirando pobres de suas casas”, atacou o prefeito.

ALERTA MÁXIMO

A Defesa Civil emitiu alerta máximo de deslizamentos em todo o Rio. Até o momento, pelo menos sete pessoas morreram por conta de deslizamentos. No Morro do Borel, na Tijuca, a bebê Ana Marcele Barbosa, de cinco meses, uma jovem de 16 anos e Francisca Bezerra de Souza, 60, morreram soterradas no desabamento da casa. Há a informação de uma quarta morte nesse deslizamento, mas o Corpo de Bombeiros não confirmou. Cerca de outras 12 pessoas ficaram feridas. No Morro dos Macacos, outras três vítimas fatais e uma no Morro do Andaraí. Os bairros mais afetados são Andaraí, Lins de Vasconcelos e Tijuca, na Zona Norte e Praça Seca e Freguesia, na Zona Oeste. Até o momento, cinco pessoas estão desaparecidas.

As aulas na rede municipal de ensino estão suspensas. O Reitor da UERJ, Ricardo Vieiralves, também determinou a suspensão das aulas, já que a situação é bastante complicada no entorno da Universidade. A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) decidiu adiar a segunda partida entre Unilever (RJ) e Blausiegel/São Caetano (SP), que seria disputada no ginásio do Maracanãzinho, às 21h, pelas semifinais da Superliga Feminina de vôlei. A chuva alagou o estádio. A nova data da partida será definida pela CBV após reunião com as equipes.

A Praça da Bandeira continua completamente alagada e ruas como a Barão de Itapagipe e a Paulo de Frontin, estão com o tráfego parado. Há grandes bolsões de água ainda no Aterro do Flamengo, no Jardim Botânico, em Botafogo e em Copacabana. Na região metropolitana, a prefeitura de Niterói interditou a Avenida do Contorno.

Transportes

O temporal e a dificuldade de locomoção nas ruas do Rio e Niterói estão comprometendo a operação da concessionária Barcas S/A, já que parte da tripulação (comandantes, chefes de máquinas, marinheiros, amarradores de corda etc.) não está conseguindo chegar às estações da Praça XV, Niterói e Charitas. Dessa forma, em vez de 10 minutos, as partidas estão sendo feitas com intervalos de 20 minutos na linha Niterói-Praça XV. A linha Charitas-Praça XV está inoperante. A linha Cocotá-Praça XV tem próxima viagem confirmada às 8h. Próxima partida de Paquetá às 9h.

A SuperVia informou que a circulação dos trens está alterada por medida de segurança. Neste momento, os trens do ramal Saracuruna não estão circulando e os paradores das linhas Campo Grande, Bangu e Deodoro não fazem paradas nas estações Praça da Bandeira, São Cristóvão, Maracanã e Mangueira. Nos demais ramais (Japeri, Santa Cruz e Belford Roxo), a circulação registra atrasos médios de 10 minutos. Os passageiros estão sendo informados das alterações pelo sistema de som das estações.

O Aeroporto Santos Dumont está fechado e o Internacional Galeão-Antônio Carlos Jobim está aberto para pousos e decolagens, mas opera por instrumentos na chuvosa manhã desta terça-feira. Segundo a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), apenas voos para Brasília registram atrasos.

Caos na cidade

Desde que a chuva começou, por volta das 17h30, uma série de congestionamentos provocou transtornos no tráfego no Rio. A situação mais crítica, de acordo com a Guarda Municipal, ocorreu na Praça da Bandeira, que é um dos locais de acesso a vários pontos do Centro. O local ficou totalmente alagado e o nível da água chegou a atingir 1,5 m, impedindo a passagem de carros e ônibus. Nesse ponto, assim como na Avenida Maracanã, bombeiros usaram barcos e botes infláveis para auxiliar motoristas e pedestres.

Cerca de 40 pessoas foram resgatadas pela Defesa Civil durante a madrugada. Elas estavam dentro de três ônibus (dois da linha 606, viação Matias, e um da linha 268, da viação Redentor) que estavam sendo tomados pela forte chuva.

Em São Cristóvão, várias ruas permaneceram alagadas por toda a madrugada, especialmente a Pedro II, Melo e Souza, Figueira de Melo e Francisco Bicalho. O nível de água ultrapassou 0,5 m nessas vias, que ficaram intransitáveis, devido ao transbordamento do Canal do Mangue, que fica entre as duas pistas da Francisco Bicalho.

Na Tijuca, com o transbordamento do Rio Maracanã, automóveis ficaram submersos e motoristas tiveram que ser resgatados. Isso provocou alagamentos em diversas vias próximas, como a Boulevard 28 de Setembro, próximo à Rua Felipe Camarão. Na Praça da Bandeira, nas avenidas Presidente Castelo Branco e Maracanã, bem como nas ruas Conde de Bonfim e General Canabarro, o nível da água encobriu os pneus dos carros.

Na Avenida Brasil, principal porta de entrada da cidade, pelo menos cinco trechos ficaram alagados: Caju, Manguinhos, Bonsucesso, Ramos e Parada de Lucas. Quem circulou pela Zona Sul também encontrou trechos castigados pelo temporal. A Rua Jardim Botânico, na altura da Rua Pacheco Leão e do Parque Lage, e a Rua Voluntários da Pátria, na altura da Real Grandeza, foram os pontos mais castigados, e os motoristas encontraram grandes bolsões d’água. Na Avenida Prefeito Mendes de Moraes, em São Conrado, onde mora o ex-prefeito Cesar Maia, bueiros entupidos ocasionaram grandes transtornos e muito acúmulo de água nas vias.

O trânsito parado em toda a cidade motivou arrastões, que foram registrados na Linha Amarela, Avenidas Brasil, Pastor Martin Luther King Júnior (ex-Automóvel Clube) e Dom Hélder Câmara (ex-Suburbana).

Aeroportos foram fechados e trens tiveram a circulação interrompida no ramal de Saracuruna, entre as estações Central do Brasil e Bonsucesso, por causa de alagamento em Manguinhos. O ramal de Belford Roxo circulou com atrasos. O metrô também sofreu por causa do excesso de passageiros que procuraram fugir do trânsito caótico usando o sistema subterrâneo.

No Forte de Copacabana, as rajadas de vento chegaram a 75km/h. Pelo menos sete bairros ficaram sem energia por causa da queda de redes elétricas: Ilha do Governador, São Conrado, Barra da Tijuca, Jacarepaguá, Alto da Boa Vista, Tijuca e São Cristóvão. Por volta de meia-noite, a chuva diminuiu, mas cerca de uma hora depois voltou com toda a força e fez o Rio Maracanã transbordar mais uma vez.

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Comentários

Olivia on 6 Abril, 2010 at 13:20 #

Que São Sebastião e São Jorge (muito cultuado na cidade maravilhosa, inclusive no próximo dia 23 de abril, Dia do Santo Guerreiro, é feriado no Rio de Janeiro) acudam os cariocas e a belíssima e amada cidade.


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