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Postado em 26-03-2010
Arquivado em (Artigos, Janio) por vitor em 26-03-2010 11:03

Ronaldo: o fenômeno festeja

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CRÔNICA/ COMPORTAMENTO

ARTILHEIROS, DANÇAS E DEBOCHES

Janio Ferreira Soares

Tudo bem que o futebol mudou, mas eu acho que estão exagerando nas comemorações ludopédicas. Nada contra artilheiros extravasando suas emoções com danças e deboches pós-gols, apesar de eu preferir o velho soco no ar acompanhado de abraços – como faziam Pelé, Tostão e Zico -, ou alguma provocação política, no estilo Reinaldo e Sócrates, que sempre erguiam o punho fechado após balançar as redes. Mas hoje, quando os jogadores já entram em campo maquiados e prontos para performances diante das câmeras das tevês, ensaiar coreografias parece ser tão importante quanto um treino tático.

Tomemos como exemplo o jovem time do Santos, que está resgatando o jeito alegre de jogar bola e, por tabela, as grandes goleadas. No último domingo, ao aplicar 9 x 1 no adversário, várias danças foram apresentadas até que, a partir do sétimo gol, os jogadores começaram a se abraçar como nos velhos tempos. Certamente, não acreditando em tal placar, os meninos da Vila ensaiaram poucos gingados. É por isso que eu sugiro aos clubes a contratação dos profissionais baianos que ensinam aquelas danças que estouram nos carnavais, para que não haja essa, digamos, quebra de harmonia. Antecipadamente aconselho algumas adaptações de acordo com cada jogador.

Adriano, por exemplo, poderia comemorar os seus gols com a dança da motinha amassada, em homenagem aos últimos acontecimentos com sua pacata noiva. Já Ronaldo Fenômeno, para relembrar, festejaria os seus comendo sanduíches escondidos debaixo da camisa, enquanto Dentinho, de batom e peruca, chegaria por trás com uma fanta litro dentro do calção, dançando um arrocha, é claro. E o que dizer de Vagner Love puxando de suas tranças o fuzil do traficante que o escoltou durante uma festa num morro, metendo bala numa foto do deputado Ibsen Pinheiro no placar eletrônico, no rap do pré-sal?

Tudo isso me faz lembrar do camarada que todo dia enfiava o braço na traseira do elefante da Globo para limpar os seus dejetos, e dizia, orgulhoso: “o importante, meu caro, é que estou no show bussines!”.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo da cidade de a Paulo Afonso, no Vale do São Francisco

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