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Postado em 23-03-2010
Arquivado em (Artigos) por vitor em 23-03-2010 18:49

A Bahia precisa?

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OPINIÃO/ÁGUA

Um dia depois da celebração da água, que mobilizou milhares de pessoas em todo o planeta, é alentador dar de cara com a reflexão do economista e cientista político Riccardo Petrella, que em entrevista declarou que o direito à água para todos não é “uma prioridade das classes dirigentes mundiais. Sua prioridade é saber quem vai ganhar, no decurso dos próximos 15 anos, a batalha para a conquista e a supremacia do mercado de um bilhão de novos carros ‘verdes’, bem como aquela das novas moradias ‘verdes’”.

Pelo mundo afora, muitas manifestações chamaram a atenção contra a privatização e contaminação da água. A Coordenadora Andina de Organizações Indígenas (CAOI) rechaçou a privatização da água, reafirmando o compromisso de promover a adoção de uma Declaração Universal de Direitos da Mãe Terra. O comunicado da CAOI afirmou que a despeito da sua importância para a vida dos seres vivos, a água continua a ser um bem explorado e mercantilizado pelos Estados “como parte da imposição do seu uso para atividades extrativas, como a mineração, que não só a monopoliza e consome em enormes volumes, como também contamina irreparavelmente suas fontes”.

Pode parecer romântico e utópico falar coisas assim atualmente, mas o que seria do planeta sem utopias?

Na Bahia, infelizmente, a lei que obriga as escolas da rede pública estadual a fazer atividades educativas no Dia Estadual da Água, não é cumprida. Ainda assim, estudantes de muitos colégios participaram do X Grito da Água, que coloriu as ruas de Salvador na tarde ontem. A alegre caminhada, promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Água e Esgoto (Sindae), com a participação de um grupo de índios pataxó, baianas e representantes de diversas organizações, foi do Campo Grande até a Praça Castro Alves, animada por um trio elétrico com banda de forró, grupos de dança e bonecos gigantes.

Um dos temas em destaque da agenda de protestos foi a energia nuclear, com manifestações de repúdio à instalação de usina nuclear na Bahia, desfilando em balão, faixas e alegorias. Por isto mesmo, o ato contou também com a participação de representantes de movimentos e entidades de Caetité, onde uma mineração de urânio é acusada de contaminar a água consumida por moradores das proximidades da unidade industrial que dá início ao ciclo de produção de energia nuclear.

O X Grito da Água também aconteceu no interior, onde os sertanejos, afetados pela escassez de água e pelos impactos sócio ambientais da mineração de urânio e ferro, realizaram manifestação em Guanambi em torno do tema “Água e meio ambiente vamos preservar sem privatizar”. Cerca de 300 pessoas, de Caetité, Malhada, Pindaí e Guanambi sairam em passeata da Praça da Matriz, com faixas, discursos e cantos até a sede da CODEVASF, onde ocorreu a “Bênção da Água, com entrega de documentos com as reivindicações das populações, que padecem com as perspectivas de agravamento da falta de água, por causa da ação das mineradoras que atuam na região. A Comissão Paroquial de Meio Ambiente de Caetité, a Caritas Regional NE, a CPT-Sudoeste, o Movimento Paulo Jackson – Ética, Justiça, Cidadania e o Sindae colaboraram para a realização do evento.

A entrevista especial sobre a água, com o italiano Riccardo Petrella, pode ser lida em:

http://racismoambiental.net.br/2010/03/a-privatizacao-da-agua-nega-o-direito-humano-de-ter-acesso-a-ela-entrevista-especial-com-riccardo-petrella/

Confira e veje que nem tudo está perdido

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