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Postado em 20-03-2010
Arquivado em (Artigos, Vitor) por vitor em 20-03-2010 00:06

Ciro esquenta disputa presidencial

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ARTIGO DA SEMANA

SAI DE BAIXO QUE LÁ VEM CIRO

Vitor Hugo Soares

Fixo minha parabólica baiana de mais longo alcance na direção do sul do País e sintonizo em São Paulo. Mais exatamente na página principal da revista digital Terra Magazine, onde o editor-chefe e repórter em tempo integral, Bob Fernandes, que vi dar os primeiros passos na redação da sucursal do JB (rádio e jornal), em Salvador – e depois andar a passos cada vez mais largos com Ricardo Noblat, na revista Veja – faz o que mais gosta e sabe: jornalismo político.

Bob levanta a lebre escondida sob os tapetes elegantes do PSB. Destampa o caldeirão de uma trama ainda meio submersa mas já com a cauda de fora quanto aos objetivos: afastar o mais rapidamente possível a candidatura à presidência da República do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), sempre inquieto, imprevisível, língua solta. Isso significaria manter a campanha que se aproxima restrita ao governador de São Paulo, José Serra, e a ministra petista Dilma Rousseff. A Verde senadora Marina Silva correndo bem por fora para emprestar credibilidade internacional à disputa.

Assim a campanha poderia rolar praticamente o tempo inteiro no planejado estuário insosso, livre de surpresas, sem debates que mereçam este nome. Típico das disputas plebiscitárias tão do agrado das forças que contam de fato e que seguram as rédeas da política e da economia cabocla. Bem na linha leopardiana da transição do Império para a República na Itália: “É preciso mudar alguma coisa para deixar tudo como está”.

O problema – se é que isso é mesmo um problema – é que Ciro Gomes parece decidido a “melar” os planos de petistas e tucanos na sucessão presidencial, para usar uma expressão bem ao estilo do político cearense, personagem principal destas linhas.

Na Bahia, há uns dois meses, já dava para desconfiar Do jogo para apresentar Ciro como um estorvo maior que o da trama do livro de Chico Buarque. Desde os primeiros movimentos das pedras no Estado com vistas às composições para a sucessão de Lula, no Planalto, e do governador Jaques Wagner, em Ondina, circulavam no ar aqueles ruídos de fuxico bem sertanejo, onde se conta a história e a fonte permanece escondida no escuro.

Esta semana, porém, Terra Magazine desencavou peças fundamentais do tabuleiro da história que mistura malandragens com ameaças explícitas de traição ao socialista de Sobral, rápido no gatilho e eficiente (embora desastrado às vezes quando exagera no ataque como aconteceu em campanha passada no pega com um ouvinte da Rádio Metrópole em Salvador) tanto no debate quanto no bafafá.

Ciro Gomes reúne em um mesmo personagem a sagacidade e capacidade de argumentação dos acadêmicos treinados em política e economia na Universidade de Harvard, aliado ao instinto de caubói de faroeste que não nega nem as origens nem o jeito de falar sertanejos, embora tanto se esforcem para fazer dele um paulista talhado para governar o Estado mais rico do País.

Esta semana, quando o jornal Valor Econômico perguntou por que ele transferiu o título de eleitor para São Paulo, foi direto ao ponto: “Porque Lula pediu”.

De volta a Terra Magazine: desde a última terça-feira crescem as informações e também rumores dos movimentos dentro do PSB a favor e contra a manutenção da candidatura de Ciro Gomes à presidência da República. A reação mais emblemática veio de Pernambuco, no comentário do governador Eduardo Gomes – neto dileto de Miguel Arraes e uma das lideranças mais ilustres dos socialistas no País – a propósito de opiniões de Ciro sobre as alianças do PT na sucessão.

Eduardo Campos afirmou que o colega de partido tem “um jeito de falar” diferente do seu e que conversariam em Brasília. Não se sabe ainda se a conversa de fato ocorreu, ou se morreu no ar e na distância que separam o Crato (CE) e Carpina (PE) do Planalto Central.

É preciso esperar as próximas falas, para verificar se houve alguma mudança no jeito de Ciro Gomes sacar a sua espingarda verbal. Enquanto isso vale escutar o que disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES), 49 anos, um dos entusiastas da candidatura Ciro, “sobre o rumo dos ventos”, como assinala Bob Fernandes na apresentação da entrevista.

-… Para ser franco, o partido está em dúvida, tremenda dúvida se deve ou não ter Ciro como candidato à presidência da República.

O que fazer, então? Afinal, como reconhece Renato Casagrande, “não dá pra tirar assim, sem nada, um candidato que tem 10%, 11%, 13% de intenção de voto.”

Voltamos então à clássica questão da fábula da assembléia dos ratos:

Quem terá a coragem de colocar a sineta no pescoço de Ciro Gomes, para avisar a tucanos, petistas e socialistas sobre o perigo de sua presença?

Um queijo para quem acertar no palpite.

Vitor Hugo Soares é jornalista – E-mail:vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

Olivia on 20 Março, 2010 at 12:58 #

Eu quero é mais…estou na arquibancada apreciando os tais acordos em nome da manjadissima governabilidade, ou seja, poder e mais poder.


Albino Machado on 20 Março, 2010 at 18:15 #

Esta é á melhor análise que vi das eleições de 2010 pelos Blogueiros. Na grande imprensa, não sair uma análise imparcial, porque esta polarização entre dois candidatos, é fruto dos interesses da grande mídia. Afinal, quais candidatos que estão todos os dias estampados nos jornais e telejornais:Dilma e Serra.Obviamente, desta cartola só vão sair dois coelhas, ou melhor, um coelho e uma coelha.
A eleição em dois turnos foi idealizada para que pluralidade brasileira possa se manifestar – através de propostas antagônicas – no período eleitoral, especialmente, no primeiro turno. Pena que os blogueiros só sabem repetir o que já foi veiculado na grande imprensa.
Parabéns pelo artigo.


Carlos Volney on 20 Março, 2010 at 20:12 #

Caro Vitor Hugo, com a adimiração e reverência cada vez maiores por tantos predicados explícitos em você, peço-lhe uma reflexão. Para mim, foi episódio menor, insignificante mesmo, o “quiprocó” de Ciro com um ouvinte da rádio metrópole. Até porque a querela se deu por uma questão sem a menor importância. Sempre quiseram supervolorizar a coisa, até porque na Bahia de “todos os santos, encantos e axé” tudo tem dimensão superlativa – afinal, somos sempre os maiores, não? Enfim, creio que o que houve mesmo foi o “tiro no pé” que Ciro deu ao vir aqui e sair em passeata com ACM, pouco depois de dizer que ele era sujo igual a pau de galinheiro. Após isso, na primeira pesquisa, o boquirroto caiu verticalmente na preferência dos brasileiros. Aí, os apaniguados do então cacique maior da Bahia difundiram rapidamente a versão que dava como motivo o bate-boca com o ouvinte da rádio. Conveniência da Bahia, mais uma??? Puxe pela memória, reflita e conclua. Posso até estar errado, mas confesso uma intenão e até pretensão de contribuir para clarear os fatos. De resto, continuo admirando Ciro.
Abraço forte.


Carlos Volney on 21 Março, 2010 at 12:13 #

Você foi generoso comigo Vitor Hugo, mas, de qualquer forma, obrigado. É isso, o Brasil não é a Bahia. Ciro, creio, pagou pela atitude incoerente. Aqui, ACM impunha uma “proteção” e quem não a aceitava nos termos da imposição, tinha que ser destruído. Parece que o Brasil enxergava isso.


filho on 22 Março, 2010 at 20:16 #

tem q ter o ciro, a marina e mais candidatos. o pt e o psdb já se escolheram como adversários e farão tudo para ser assim, mas o povo tem o direito a mais opções.


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