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Postado em 19-03-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 19-03-2010 10:29

Em seu artigo desta sexta-feira na Tribuna da Bahia o jornalista político Ivan de Carvalho analisa as expectativas de paz reveladas pelo presidente Lula em seu périplo pelo Oriente Médio, alimentadas principalmente pelas atuais diverg~encias entre Estados Unidos e Israel. “Divergências sérias entre EUA e Israel já ocorreram antes e contam-se às dezenas, algumas delas graves, mas nenhuma capaz de romper a aliança”, assinala Ivan no texto que Bahia em pauta reproduz.
(VHS)

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Paz distante

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Lula fantasia a paz

Ivan de Carvalho

Na Terra Santa e adjacências, quase tudo gira em torno da Bíblia – Antigo e Novo Testamento – e do Corão. Eles são a base da cultura israelita, islamita e da rarefeita população cristã da região que envolve Israel, 22 países árabes e alguns países muçulmanos não-árabes, a exemplo do Irã.
As três religiões monoteístas estão imbricadas a tal ponto na região que o primeiro Patriarca, Abraão, deu origem a Ismael e Isaac e desses dois troncos descendem, respectivamente, árabes e hebreus, estes por intermédio de um dos dois filhos de Isaac, Jacob. Mais tarde, surge a figura essencial e misteriosa do Arcanjo Gabriel, aquele que anunciou a Maria que ela teria um filho ao qual chamaria Jesus (aqui, o nome na versão latina) e que foi o mesmo Arcanjo Gabriel que ditou o Corão a Maomé.
A um observador neutro e atilado (não reivindico para mim qualquer dessas duas qualidades), não há de parecer casuais essas circunstâncias, seja em relação aos patriarcas, seja quanto à gravidez de Maria e ao ditado “angélico” representado pelo Corão, o livro sagrado dos muçulmanos. A conclusão lógica – e certamente quase todo mundo concordaria com ela se não envolvessem três das quatro cinco grandes religiões do planeta (as outras são o budismo e o hinduísmo) – é a de que há um plano milenar em andamento. Um plano que praticamente chega a ser exposto na Bíblia, quase a cada página, embora a Bíblia evite proclamar essa característica de um planejamento a longo (para nós) prazo.
Daí que a viagem e o bedelho do governo brasileiro no conflito entre Israel, os palestinos, os árabes em geral e os muçulmanos engajados nessa briga (há os que não estão dando bola pra ela) não tem a chance de influir para a pacificação, pela simples razão de que, devido ao comportamento da sociedade humana, a pacificação só virá – segundo o plano – após a destruição da atual sociedade, quando uma nova passará a ser construída em outras bases.
“De nada valerá buscardes o auxílio do Egito (com quem Israel fez um tratado de paz), pois não haverá paz e Israel deve confiar apenas no Senhor”, diz lá no Antigo Testamento o profeta Isaías. Eis (para os crentes) porque não podem os crentes e mesmo os não crentes, mas inteligentes, comemorar a descoberta do presidente Lula de que a divergência entre Israel e Estados Unidos sobre as 1.600 casas que o governo israelense acaba de decidir construir em Jerusalém Oriental pode abrir a chance para que se chegue à paz, suponho que por um hipotético enfraquecimento de da posição de Israel.
Divergências sérias entre EUA e Israel já ocorreram antes e contam-se às dezenas, algumas delas graves, mas nenhuma capaz de romper a aliança entre americanos e israelenses. Na hora do aperto estão, inevitavelmente, juntos. Naquela área do mundo, ao se fazer política, é bom ter um olho nela e o outro nos livros sagrados fundamentais de israelenses, muçulmanos e cristãos. “Bem aventurados os pacificadores”, Jesus disse no Sermão da Montanha. Mas não disse que eles terão sempre êxito em seus intentos, ainda que recebam o prêmio, se tentaram a paz de coração puro.

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