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Postado em 14-03-2010
Arquivado em (Artigos, Vitor) por vitor em 14-03-2010 15:01

Lula e Wagner juntos no Oriente Médio

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BAHIA EM PAUTA COMENTA:

O relato de Josias de Souza,  da Folha,  postado anteriormente neste BP,  está quase perfeito nas informações de bastidores e análises. Mas vale pontuar alguns aspectos bem regionais, que podem ecoar nacionalmente.

No caso da Bahia, cairá em erro grosseiro quem tentar reduzir o governador petista, Jaques Wagner, a simples amigo do presidente. Bem mais que isso, Wagner é tido, também,  como um dos melhores negociadores políticos do PT, saído da velha escola sindicalista de Lula, e aprofundado no Polo Petroquímico de Camaçari. Nesse particular, os dois se entendem por música. E em “otras cositas más”.

E não é preciso apurar os ouvidos para saber que o governador é considerado um dos nomes estratégicos para os embates políticos e eleitorais que estão a caminho.

Ah, não custa lembrar, também, que Wagner foi escolhido a dedo, por indicação presidencial, para compor a comitiva que embarcou ontem para o Oriente Médio, com agenda das mais delicadas a ser cumprida.

Judeu, o “galeguim dos óio azul”, como Lula o chama na intimidade, é bom de conversa e, em geral, nada ortodoxo. O convite à Jaques Wagner “se apóia, dentre outras razões, no relacionamento do Governo do Estado com Israel, por conta da visita do presidente Mahmoud Abbas,  à Bahia, e ao encontro que o governador promoveu entre integrantes da Sociedade Israelita da Bahia e o presidente Abbas –  que teve o intuito de demonstrar ” exemplo de convivência harmoniosa entre judeus e palestinos no Brasil”, assinala um comunicado distribuído pela Agecom-BA em seguida ao embarque de Wagner.  Mas não é só isso. É isso e muito mais!

Além dos temas internacionais, seguramente, não faltarão na viagem momentos de conversas – e acertos- sobre política caseira.

Pena o ministro Geddel, do PMDB, não cultivar barba nem bigode, pois assim poderia colocá-los de molho desde já.

(Vitor Hugo Soares ).

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 14 Março, 2010 at 17:30 #

Caro VHS. aqui desse bar distante, entre uma dose e outra, ouvindo ao fundo Nana Caymmi, essa disputa, entre Wagner e Geddel, parece estar restrita ao costumeiro entre súditos de Lula, por vezes vale a estrela, em outras a condição de representante da governabilidade, essa “bijouterie” vendida pelos Renans da vida. Os anseios do povo baiano é mero detalhe, por certo.

O que desperta a curiosidade, no balcão do bar e mesmo nas mesas mais próximas, é outro “affair” que tenta esmaecer o céu de Salvador.

A Folha de São Paulo de hoje, joga luz nos escuros andaimes do metrô soteropolitano:

…”Segundo as investigações policiais, o esquema operou, por exemplo, na licitação dos metrôs de Salvador, do Rio de Janeiro, de Fortaleza, do Distrito Federal e de Porto Alegre.
O caso de Salvador é o mais emblemático. A cronologia dos fatos esmiúça o esquema:
1) Documento manuscrito datado de 1º de fevereiro de 1999 menciona uma reunião sobre o metrô soteropolitano da qual teriam participado várias empreiteiras, entre elas OAS, Camargo Corrêa e Norberto Odebrecht. O papel cita, também, a discussão de um “acordo” em torno da obra;
2) O consórcio Impregilo/ Soares da Costa apresentou a menor proposta de preço (R$ 347 milhões) e ganhou a licitação, realizada em 1999;
3) A comissão especial da concorrência cancelou o resultado, por “razão técnica”, e, em outubro daquele ano, declarou vitoriosa a associação Camargo Corrêa/Andrade Gutierrez;
4) Ainda em outubro, a Impregilo/Soares da Costa entrou com mandado de segurança para reverter a decisão;
5) Em fevereiro de 2002, a Impregilo/Soares da Costa desistiu da ação na Justiça;
6) Em 2009, policiais acharam minuta de termo de acordo, pela qual a Camargo Corrêa e a Andrade Gutierrez prometiam recompensar a Impregilo em troca do recuo na Justiça. O valor: 1,5% do contrato do metrô. Por isso, o Ministério Público denunciou as três empreiteiras por cartelização.
7) Perícia feita pela PF no controle de receitas e despesas e nos saldos de caixa das empreiteiras concluiu, além disso, que a Camargo Corrêa e a Andrade Gutierrez não tocam sozinhas a construção do metrô.
Integram o “consórcio paralelo” justamente as construtoras citadas no papel de 1999 que aludia ao “acordo”. Segundo a polícia, a Norberto Odebrecht e a OAS ficaram, cada uma, com 16,7% dos contratos -e cuidam até da gerência da obra. Constran (16,7%) e Queiroz Galvão (5,2%) também teriam sido contempladas….” (“Consórcios paralelos” driblam licitações de obras no Brasil)

Com a palavra “Wagnerianos” e “Geddelianos”, por certo os eleitores da Bahia têm interesse em ver essa história “lavada” em águas cristalinas.


luiz alfredo motta fontana on 14 Março, 2010 at 19:37 #

Algumas doses depois…

A “conversa”, no balcão do bar, segue animada, nenhum representante do pensar “Wagneriano”, ou da pretensão “Geddeliana”, contrapõe argumentos, tornando assim inevitável a alusão sobre o potencial de ações correlatas que exaurem do “sonho” vivido pelo atual governo baiano, ao idealizar os 13 km da tal ponte”Salvador-Itaparica”.

Assusta, até pela força dos interessados de sempre. Aqui mais trecho da matéria citada no comentário anterior de Renata Lo Prete, na edição de hoje, da Folha de São Paulo:

“…As construtoras sob investigação de formação de cartel (Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Constran, Crasa, EIT, Impregilo, Norberto Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Carioca Engenharia, Serveng e Soares da Costa) têm, juntas, receita líquida anual de R$ 20 bilhões -mesmo valor que União, Estados e municípios estimam gastar nas obras da Copa do Mundo de 2014. …”

Valei-nos Xangô!

Kawó Kabiesilé!!!


luiz alfredo motta fontana on 14 Março, 2010 at 20:02 #

errata:

exaurem do “sonho” = exaurem o “sonho”


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