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Postado em 11-03-2010
Arquivado em (Artigos, Eventuais) por vitor em 11-03-2010 11:47

O filho do carteiro: obra prima da Van Gogh

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OLHAR E SER VISTO

Sonia Regina Caldas

A exposição OLHAR E SER VISTO ressalta os retratos como um dos gêneros mais poderosos das artes plásticas. A presença constante de retratos na história da arte, desde os tempos mais remotos até a contemporaneidade, faz com que esta mostra seja antes de tudo curiosa. A sequência de belíssimos retratos executados por renomados artistas nos deixa extasiados com a possibilidade da comparação.

A cuidadosa seleção e organização dos trabalhos, pertencentes ao acervo de oito mil obras, junto com os comentários de Teixeira Coelho, curador da mostra, torna-a extremamente didática. As exposições A natureza das coisas, Virtude e aparência, A arte do mito e O olhar e ser visto marcam as comemorações dos 60 anos do Museu de Arte de São Paulo.

É interessante observar que há 27000 anos este gosto pela pintura e desenho das faces e expressões humanas, não se modificou mesmo com o uso da fotografia. Desde os mais remotos, até as obras dos novíssimos artistas hiper-contemporâneos, o retrato continua ocupando o seu lugar.

Teixeira Coelho afirma que por uma condição peculiar, os retratos nos olham tanto quanto os olhamos e os olhos dos retratados seguem os observadores pela sala onde quer que se coloquem, eles seguem para examinar, proteger ou acusar.

Os retratos pelo tempo sempre tiveram vida própria e até mesmo, certo poder, especialmente na cultura ocidental onde passaram a ser quase uma entidade dotada de reflexão e sentimentos. Ao observar os retratados pelo tempo, esquece-se que ali está o olhar de algum artista. Por isso às vezes, muitos viram para a parede os retratos expostos daqueles, cuja presença não pode suportar.

A exposição demonstra retratos clássicos com os fundos esquecidos diante do valor da figura e modernos que mostram atemporalidade sem precisão dos traços da vida corporal ali retratada. Indica uma trajetória, nem fixa nem única, dividindo-a em cinco grupos: o retrato da pompa, o recurso à cena, o eu mesmo, ou seja, os autos-retratos, e os retratos modernos e a desconstrução.

Através desta exposição consegue-se perceber a força dos movimentos artísticos na história da arte através de retratistas marcantes, tais como: Frans Hall, Goya, Manet, Lautrec, Gauguin, Renoir, Van Gogh, Pancetti, Darcy Penteado, Anita Malfatti e outros considerados artistas. Trata-se de uma bela proposta. Vale a pena essa especial releitura, com certeza, o visitante sairá com novas imagens de si mesmo.

Sonia Regina Caldas é artista plástica, doutora em Letras pela UCSAL e em Turismo pela FAMMETIG.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 11 Março, 2010 at 12:15 #

E por falar em auto-retrato…

que tal o de Mario quintana?

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O AUTO-RETRATO

No retrato que me faço
– traço a traço –
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore…

às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança…
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão…

e, desta lida, em que busco
– pouco a pouco –
minha eterna semelhança,

no final, que restará?
Um desenho de criança…
Corrigido por um louco!


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