Waldir: vaga do PT no senado

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DEU NO TERRA MAGAZINE

Claudio Leal

Numa conversa reservada de duas horas, segunda-feira à noite, no Palácio de Ondina, em Salvador, o ex-ministro da Defesa Waldir Pires e o governador Jaques Wagner (PT) discutiram pela primeira vez sobre a sucessão baiana. Terra Magazine apurou que Waldir defendeu a candidatura própria do PT ao Senado e manifestou o desejo de ser o nome do partido.

O encontro foi considerado amigável pelos dois lados. Mas há divergências entre os petistas, principalmente no que se relaciona com a “metodologia” da eleição. Wagner costura uma aliança com os ex-governadores e os ex-afilhados políticos de Antonio Carlos Magalhães, César Borges (PR) e Otto Alencar (PP). Petistas históricos resistem à composição com lideranças conservadoras e velhos rivais nas eleições da Bahia.

Além de manifestar o desejo de disputar uma vaga no Senado, caso seja convocado, Waldir Pires esclareceu ao governador que, se o movimento por sua candidatura crescer, ele poderá submeter seu nome à convenção do partido. Mas ressalvou que, seja qual for a definição, apoiará a reeleição do companheiro e a campanha da ministra Dilma Rousseff. “O que vocês fizerem, eu cumpro. Não farei besteira. Não tem problema nenhum porque eu voto em você e na Dilma”.

Durante o papo noturno, ficou mais do que definido que o ex-ministro da Defesa lutará, dentro do partido, pela candidatura. No último domingo, 7, Waldir Pires recebeu uma homenagem dos petistas de Vitória da Conquista, a terceira maior cidade baiana. Com auditório lotado – à frente o prefeito Guilherme Menezes (PT) -, ouviu discursos favoráveis à sua presença na chapa do Senado.

Waldir tem sustentado que o PT não pode admitir um recuo na reformulação política da Bahia, depois do declínio do grupo do ex-governador ACM. Compor-se com os herdeiros do carlismo seria um retrocesso, de acordo com lideranças à esquerda no PT. A interlocutores, Wagner defende alianças pragmáticas, para vencer o pleito no primeiro turno. Isso ele também deixou claro a Waldir.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 9 Março, 2010 at 20:00 #

VHS

Talvez possa ajudar esse teu leitor a entender esse final melancólico da biografia de Waldir Pires.

Ao que parece, quando pode, mantém o mesmo discurso de outrora, posicionando-se, como gosta de repetir, contra as “forças do mercado”, e outras variantes de seu discurso ideológico.

Aqui, um documento histórico, a sua carta tentando mudar a visão do jornalista Carlos Castelo Branco, o Castelinho, que assistira e relatara suas investidas sobre Ulisses Guimarães, carta publicada na Coluna do Castelo, em 27/02/1991:

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“Waldir Pires dá o seu testemunho

Do deputado Waldir Pires, recebi a seguinte carta:
“Li, com o interesse de todos os dias, sua coluna no JORNAL DO BRASIL de ontem, 22. É um privilégio da nossa época dispor de um jornalista que conta e interpreta, cotidianamente, com sua competência, a história política do nosso país.
Nessa coluna, você alude à minha participação no episódio da sucessão presidencial de 1989 e comenta o processo de escolha da candidatura do Dr. Ulysses pelo PMDB e sua evolução até o final conhecido. Fiquei com a impressão de me cumprir o dever de dar-lhe meu testemunho, pelo respeito ao que você escreve e também pela velha estima. Não manobrei para substituir o Dr. Ulysses. Fui candidato inscrito na convenção nacional do PMDB, para concorrer á Presidência da República, abertamente, formalmente, conduzido pelo movimento de valorosos companheiros, inconformados com a deterioração crescente dos princípios e dos valores morais e sociais da nação, reunidos no conjunto de um núcleo de esforço, que então nos aglutinava. chamado o Novo PMDB. Éramos muitos e fomos tantos que, naquela convenção de abril de 1989, explicitando princípios essenciais e compromissos estratégicos básicos da sociedade brasileira, quase conquistamos a candidatura, depois de derrotarmos o Cerzirão com o Planalto junto.
A transição do regime militar para a democracia, e não a transição simplesmente, estava sendo perdida, mutilada pelos desvios dos métodos e práticas remanescentes da ditadura. A transição democrática já fora gravemente atingida pela derrota das Diretas-já, seguida do infortúnio da morte de Tancredo, e a nação não a retomaria se não lhe fosse possível, objetivamente, devolver a toda a população brasileira a confiança profunda na sua capacidade e suas potencialidades, pelo processo da discussão corajosa das esperanças que foram perdidas ou frustradas e dos erros cometidos.
Nosso povo queria, na reocupação das praças públicas, restaurar sua crença na
viabilidade do Brasil, como nação e como sociedade, para sua justa expectativa de uma vida decente e melhor. Não queria e não quis — foi o que vimos na
lição da campanha e das urnas — a postura do continuismo excludente e estéril, do hábil oportunismo dos fabricantes de vitória eleitoral, para a administração dos mesmos interesses de sempre com os mesmos beneficiários de sempre.
De um lado, então, no comando dos acontecimentos, se encontrava o Dr. Sarney, tornado presidente da República pela circunstância de ter sido o representante da dissidência do regime militar no governo do acordo para a transição. Mas quem era o Dr. Sarney? A rigor, do seu desempenho não se poderia exigir o que ele não poderia dar-nos — a força e a fé democráticas que empurram um dirigente para as mudanças institucionais e estruturais profundas da sociedade. Dr. Sarney vinha do longo concubinato com o regime autoritário.
De outro lado, o quadro da sucessão, postas à opção popular candidaturas respeitáveis e sérias, mas ainda politicamente setorizadas, e uma outra, singular, disparada em ascensão, vendendo a utopia descomprometida, intrinsecamente contraditória, rica de todos os meios, e de retórica, de gestos, para o desenlace dos riscos e perplexidades que aí estão.
Apoiei o Dr. Ulysses, no segundo turno da Convenção do PMDB, com meu engajamento expresso, publicamente, de sustentar na campanha eleitoral, pelo discurso e pela ação, as idéias-forças que foram nosso compromisso da longa travessia de luta contra a ditadura.
Uma semana depois, vime, na minha terra, na Bahia, instado e pressionado por meus companheiros diletos, pelos colegas governadores de estado e pela direção nacional do partido, em sua unanimidade, todos ali pessoalmente invocando a coerência que devíamos ao desafio de insistirmos, sem recuo, na construção de uma sociedade democrática, livre, libertada do medo e da miséria, em nossa pátria.
Em seguida, foram as vacilações é a história”.”

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Como pode observar, a relutância de Waldir era justificada pela presença de…..(ele mesmo) Sarney.

Agora, em prorrogação de biografia, o sempre cuidadoso Waldir, olimpicamente, esquece Sarney, Renan e outros, que asseguram a tal da governabilidade do objeto de seu apoio, esse mesmo Lula que cultiva, com grande satisfação mútua, os melhores laços de convivência e assistência recíproca com as tais forças do mercado.

Waldir Pires, ao que parece, Prolonga a biografia, mas ao mesmo tempo apaga a própria história.

Ou não?


Olivia on 9 Março, 2010 at 21:50 #

Fontana,
Política tem lado. Waldir Pires sempre esteve do mesmo lado, o lado da Democracia e da justiça social. Sua presente manisfestação é um alento para milhares de baianos que estão perplexos e sem destino com os rumos da política local.


luiz alfredo motta fontana on 10 Março, 2010 at 9:20 #

E por falar em lado…

Cara Olívia, para nosso desconforto e crescente desolar, o lado parece ser único, tal qual o pensamento econômico que assola a planície.

Lula, FHC, Dilma, Serra, Wagner, são representantes diversos da mesmice em política econômica, rezam a cartilha do sistema financeiro, e num primor de pragmatismo vão edificando o altar da transferência de renda para esse mesmo sistema.

Waldir, ao que parece e transpira dos relatos da crônica política, tenta, mais uma vez, manter-se em cargo honroso, mesmo que suas crenças tenham sido sacrificadas em oferenda ao Lula, e por consequência às tão temidas “forças do mercado”. Elege os destroços do Carlismo como adversário do momento, mas, ao mesmo tempo, declara amor profundo ao Lulismo.

Vale a pena reler o que consta da carta acima, dirigida ao Carlos Castelo Branco, especialmente esse paragráfo:

“Não queria e não quis — foi o que vimos na
lição da campanha e das urnas — a postura do continuismo excludente e estéril, do hábil oportunismo dos fabricantes de vitória eleitoral, para a administração dos mesmos interesses de sempre com os mesmos beneficiários de sempre.”

Cai como luva sobre o mesmo Waldir, que “ingenuamente” recita, nos ouvidos moucos de Wagner:

“O que vocês fizerem, eu cumpro. Não farei besteira. Não tem problema nenhum porque eu voto em você e na Dilma”.

De fato, Olivia, política deveria ter lado, mas…entre Dilma e Serra, entre PT e PSDB, como distinguir as diferenças?

Repito aqui o que tenho afirmado sobre o nosso triste momento:

“2010, o ano em que urna enjoou.”

Não só os baianos estão perplexos e à deriva.


luiz alfredo motta fontana on 10 Março, 2010 at 9:21 #

errata

“2010, o ano em que a urna enjoou!”


Olivia on 10 Março, 2010 at 11:07 #

Fontana,
Vamos haver, como diria o professor Agenor Miranda. Nao vamos perder o que nos resta de sonho, por enquanto.


luiz alfredo motta fontana on 10 Março, 2010 at 11:28 #

Cara Olivia

Vamos haver…

Ao mais , respondo à tua elegância:

Tem dias…

(luiz alfredo motta fontana)

Tem dias…

em que a conta é apresentada

nela além de frio aceno

a inexistência de saldo

a ausência do crédito

Tem dias…

em que ao conferir o passado

soma-se equívocos, aponta-se delírios

para então

varrer depósitos vazios

Tem dias…

que só quando noite

sob afagos vestidos em prata

na busca da nudez da musa

encontra-se abrigo

no redimir da poesia


Olivia on 10 Março, 2010 at 20:28 #

Valeu, amigo.
Mas, meu voto continua sendo de Waldir, a qualquer cargo que ele concorra.


inacio gomes on 10 Março, 2010 at 21:13 #

Pragmatismo é a apalavra da moda no Brasil de hoje. Não se denuncia e submete a julgameto o torturador do passado para não se comrometer a governabilidade.È pragmatimo. Os que estão nos palacios fecham as janelas para que a seu ouvidos não chege os gritos dos torturados e as palvara de ordem da mocidade do passado dizendo que “o povo unido jamais será vencido”. Para se manterem no poder as allianças mais espurias são construidas. Tudo em nome do Pragmatismo. Não sou sectario. A participação de Otto Alencar na chapa de senador é comprensivel. Carlista no passado nunca ordenou a repressaõ policial aos moveimentos populares e estudantis. Será , nete caso,uma alliança para construção de um novo momento na Bahia. Agora, querer fazer o eleitorado democratico engulir guela á baixo um cesar borges – aqule que ordenu a ocupação do campus universitario de ilnstalações do hospital universitário para repelir violentamente movimento estudantil democratico -é, me permita repetir, o gigantimo do pregmatismo . È um tapa na cara dos que lutaram contra a ditadura e,ainda, estão vivos. È desrespeitar a sepultura do mortos. Governador , pragmatico V.Excia.será se homenajeando o passado e olhando para o futuro convidar Waldyr ou Lidice para compor a chapa que a seu lado será a continuação do seu dinamico gverno.Certas hora eu chego a imaginar que na Bahia a Sindrome de Estocomo foi substituida, em algnuns casos, por uma relação sado masqista, saudosa, entre torturado e torturador. Tudo no altar pagão do Pragmatismo,


Carlos Volney on 10 Março, 2010 at 23:04 #

Brilhante, como se espera sempre, a análise de Inácio Gomes. Em nome da tal governabilidade – para mim nada mais que um sofisma – vamos sendo “estupra-
dos” e os que outrora acreditávamos realmente comprometidos com causas nobres preocupam-se tão somente em se manterem no poder. Viva Pindorama.


Zilda on 11 Março, 2010 at 12:32 #

Para os aliados dos poderosos de sempre, era mais bonito e romântico – quem sabe até defensável – quando as esquerdas ficavam só sonhando e dando murro em ponta de facas, mas nunca chegavam ao poder. E se ele o que se há de fazer. Se é necessário, usa-se Sarney – uma figura deplorável para não ofender o ancião que é. Afinal, como bem disse Ernst Bloch, “a novidade socialista virá com o poder e não com tagarelice, com trabalho árduo de comprovação e não com lábia desleal”. Esta, deixemos para Heloisa Helena e cia. Além do mais, a derrocada dele e de outras figuras do mesmo naipe, tem que vir do povo, da sociedade. Se não conseguirmos em tempo hábil, a natureza se encarrega. Só o fato da criatura não estar deixando herdeiros à altura de sua camaleonice já é um ganho para o Maranhão e o Brasil. Política não é arte de nada. É conjunto de práticas para alcançar o poder e tentar mantê-lo. Usá-lo, claro, em benefício da maioria e não como a velha e carcomida elite brasileira e seus asseclas sempre fizeram:usar o poder sempre a favor das minorias ínfimas.


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