mar
06
Postado em 06-03-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 06-03-2010 09:48


Em seu artigo deste sábado na Tribuna da Bahia o colunista políticvo Ivan de Carvalho fala sobre Janio Lopo, a figura especial de jornalista e editor político da TB que ontem nos deixou e que será cremado às 11hs de hoje no cemitério Jardim da Saudade Janio foi sempre um ser prestativo e desapegado do ter e do mandar, um daqueles seres humanos que não vieram para ser servidos, mas para servir, diz Ivan no texto que Bahia em pauta reproduz.

=======================================================


======================================================

OPINIÃO POLÍTICA
JANIO LOPO

Ivan de Carvalho

Não poderia escrever hoje neste espaço sobre outro tema que não fosse, com sentimento profundo e difícil de expressar – pois reside no coração, onde é mais percebido que na mente, sedes da escrita e da fala – o colega Janio Lopo, morto durante a sua terceira grande crise cardíaca, pois outras menores já haviam ocorrido.

Às duas primeiras ele resistiu. Mas a terceira o levou. Não saberia dizer o que mais terá contribuído para isso, se o chamado que sempre chega, mas só em casos extremamente raros se tem previamente conhecimento do momento, se o cigarro do qual se afastava após cada crise e ao qual voltava após pouco tempo de abstenção.

Discutir porque ele fez neste momento, com 52 anos ainda incompletos, a passagem que leva à outra realidade, invisível para nós, mas tão ou mais real do que esta – a mutação da crisálida que ganha a liberdade das borboletas – talvez seja menos importante ou menos útil, agora, do que lembrar um pouco do que ele foi e representou no jornalismo baiano.

Tenho uma razão muito especial para fazer isto. É que a função de Editor de Política da Tribuna da Bahia, que ele exerceu com dignidade, coragem e independência (acumulando-a com a de colunista de política), foi antes, em dois períodos – o primeiro, de 14 anos, o segundo, de cinco anos – ocupada por mim. Posso dizer, com satisfação – a única que sinto nesta ocasião – que os critérios de seriedade, verdade e competência que humildemente sempre busquei imprimir à Editoria foram por ele mantidos. E a isso acrescentou qualidades outras que ao meu alcance não estavam.

Mas falar da competência profissional de Janio Lopo seria chover no molhado. A mim, colega e amigo seu, como tantos outros, obrigatório é – pois profunda injustiça seria não fazer este registro – assinalar algumas características do seu caráter ou modo de ser fora da profissão. Janio foi sempre um ser prestativo e desapegado do ter e do mandar, um daqueles seres humanos que não vieram para ser servidos, mas para servir, que vieram para fazer sorrir e não para se queixar, chegando em certos momentos não profissionais a dar a impressão de que não levava a vida muito a sério, que brincava com ela e seus problemas.

No jornalismo baiano – com o fim dos seus 30 anos de carreira, 20 dos quais no jornalismo político – e no coração de seus colegas e amigos, sua morte produz um vazio difícil de preencher. Mas, para ele e para nós, tenho certeza, a vida continua. Lá e cá. A Deus, Janio.

Be Sociable, Share!

Comentários

Aurora on 6 Março, 2010 at 21:58 #

Ivan, parabéns por este texto sensível e sincero. Jânio era realmente uma pessoa ímpar, doce, bem humorado, extremamente sensível. Tinha alma de poeta, não sei porque escolheu essa área tão espinhosa e quase sempre decepcionante da política. Talvez para manter os pés no chão, e mantendo-os limpos.
Janio é uma daquelas pessoas que não morrem. Agente deixa de ver, mas sente a presença. Acho que vai ser assim, serenamente, com a confiança de que o companheirinho estará bem onde está agora.
Aurora


rosane santana on 6 Março, 2010 at 22:48 #

Caro Ivan, sinto imensa satisfação, que um profissional com sua integridade e lisura, possa dar o testemunho da grandeza do amigo Jânio. Muito obrigada.


Olivia on 8 Março, 2010 at 9:07 #

Nossa amiga querida Aurora já disse tudo. Vamos lembrar Janinho com a sua música preferida, de Chico Buarque, claro, uma das suas maiores paixões: ‘Agora eu era o heroi, e meu cavalo só falava inglês… cantem em sua homenagem.


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos