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O mesmo título para duas maravilhosas canções:”Coração Noturno”, perfeitas para terminar o dia e romper a madrugada atÁ clarear o domingo. A primeira (ou a segunda, não importa) de autoria do mestre e perfeccionista Edu Lobo, aliada a uma interpretação sempre refinada como a figura do próprio autor. O vídeo foi garimpado por Gilson Nogueira, mais que competente neste mister e em tantos outros do jornalismo e da música.
(Vitor Hugo Soares)

A segunda ( ou a primeira, também não importa) é de autoria do maluco beleza da Bahia, Raul Seixas, aqui em composição de romantismo deslavado mas com o estilo crítico e bem humorado único de Raulzito em cada estrofe. A escolha é do editor.
BOA NOITE !!!

mar
06


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De volta ao Carnegie Hall

Rosane Santana

A morte de Jonny Alf, aos 80 anos, na última semana, levou-me de volta aos Estados Unidos, país onde a bossa nova ocupa lugar de destaque nas programações diárias de rádios locais, com execuções de várias composições que marcaram o movimento e onde artistas como Tom Jobim e João Gilberto ocupam lugar de honra no concorrido mercado de jazz. Mais do que isso, são absolutamente populares, de tal forma que, até hoje, é quase impossível para um músico brasileiro ingressar no mercado americano com outra batida que não seja bossanovista.

Isso acontece, por exemplo, com nomes como Milton Nascimento e Caetano Veloso, que tive a oportunidade de ouvir algumas vezes na prestigiosa National Public Radio (NPR), enquanto passeava à noite pelas ruas de Boston, no verão, sentindo a brisa que vinha do Charles River – o rio que corta a cidade. Emoção indescritível. A exceção é Roberto Carlos, cantor com influências gilbertianas, que pode ser encontrado, com certa facilidade, em lojas de discos, por causa do grande contingente de imigrantes hispânicos, entre os quais é bastante popular. É muito conhecido também entre intelectuais americanosna Universidade de Harvard.

Lembro Caetano, em um dos seus momentos mais proféticos: “Será que apenas os hermetismos pascoais, e os tons, os mil tons e seus sons e seus dons geniais, nos salvam, nos salvarão dessas trevas e nada mais…?” (Podres Poderes, 1984) Verdadeiramente, a Bossa Nova é onde o Brasil é Primeiro Mundo. Em 22 de junho de 2008, cobri para Terra Magazine, em primeira mão para o Brasil, a antológica estréia do show 50 Anos da Bossa Nova, no Carnegie Hall, em Nova Iorque, quando João Gilberto foi ovacionado por uma platéia de americanos (atenção, não era o Brazilian Day!).

Vi socialities americanas, como a ambientalista novaiorquina Allegra Levanne ,esperar, durante quase duas horas, a saída do cantor daquela casa de espetáculos, para conseguir um autógrafo do artista no CD Getz/Gilberto que tinha nas mãos- clássico da bossa nova que vendeu mais de um milhão de cópias em meados dos sixties. Antes, já havia assistido músicos cantarem bossa nova ,”nos bares da vida, em troca de pão”, e a execução de Garota de Ipanema pela Orquestra Sinfônica de Boston, quando chorei.

Americanos costumam prestigiar seus ídolos. Gigantes do jazz como Miles Davis e Stan Gets, entre outros, não saem de cartaz, como se fossem artistas vivos e continuassem a produzir. Frank Sinatra, Beatles, Jimi Hendrix, Jean Joplin, Elvis Presley, entre outros que deixei de citar, também não saem da moda. Suas músicas são executadas diariamente à exaustão, em rádios americanas. Seus discos são encontrados em qualquer loja especializada.

Agora pergunto: o que faz um músico da grandeza de Johnny Alf, no Brasil, ser lembrado apenas em sua morte? O que faz um movimento como a bossa nova ser praticamente esquecido, a não ser entre platéias mais requintadas e amantes do estilo? O nosso subdesenvolvimento, respondo, embora possa parecer arrogante na resposta. Canções como “Eu e a Brisa” e “Ilusão à toa”, são obras-primas, que poderiam constar em qualquer antologia da música universal. Esta última, nas interpretações de Johnny Alf e Fafá, ela absolutamente surpreendente, embora com em tom a la Nelson Gonçalves, e no dueto de Elis e Gal, são puro êxtase.

À propósito, quando deixava o Carnegie Hall, em Nova Iorque, na noite de 22 de junho de 2008, após a estréia internacional do show comemorativo dos 50 anos da Bossa Nova, João Gilberto interrompeu bruscamente uma entrevista, quando um repórter da TV Record perguntou se a Bossa Nova poderia ser considerada MPB, depois de 50 anos.
Retratos do Brasil.

Rosane Santana é jornalista, mestre em Hisdtória pela UFBA, acaba de retornar de Boston, onde passou tr~es anos estudando em Harvarda.Está em São Paulo.

mar
06

Hosmany Ramos antes da Islândia/G1

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DEU NO ESTADÃO.COM.BR (ÚLTIMAS NOTÍCIAS)

Extraditado da Islandia o ex-médico cirurgião plástico Hosmany Ramos, de 62 anos, desembarcou no aeroporto de Presidente Prudente, interior de São Paulo, sob forte esquema de segurança na manhã deste sábado. Com metralhadoras, cerca de seis agentes da Polícia Federal, ocupando duas viaturas, aguardavam o médico na pista.

Assim que desceu do avião da Passaredo, que pousou às 11h05, Hosmany foi algemado e colocado em uma perua da Polícia Federal, que não permitiu entrevista alegando que a operação era de risco. Com a barba branca e roupa escura, ele usava capuz e óculos também escuros. A operação durou cerca de cinco minutos entre o desembarque e a entrada de Hosmany no carro da PF.

O ex-cirurgião foi levado para o presídio de Junqueirópolis e, também por questão de segurança, a Polícia Federal fez um trajeto alternativo até a cidade, que fica na Alta Paulista. Ele chegou ao Brasil nesta madrugada, após ser extraditado da Islândia.

Condenado a 43 anos no Brasil por homicídio, sequestro e roubo, entre outros crimes, o ex-médico foi preso em agosto de 2009, com passaporte falso do irmão morto, quando tentava embarcar para o Canadá. Ele estava encarcerado desde 1981 e cumpria pena no interior paulista. Beneficiado pela saída de Natal, no fim de 2008, Hosmany fugiu do país. A defesa dele vai recorrer para que o cliente cumpra o restante da pena em Tocantins (terra natal).

mar
06
Posted on 06-03-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 06-03-2010


Em seu artigo deste sábado na Tribuna da Bahia o colunista políticvo Ivan de Carvalho fala sobre Janio Lopo, a figura especial de jornalista e editor político da TB que ontem nos deixou e que será cremado às 11hs de hoje no cemitério Jardim da Saudade Janio foi sempre um ser prestativo e desapegado do ter e do mandar, um daqueles seres humanos que não vieram para ser servidos, mas para servir, diz Ivan no texto que Bahia em pauta reproduz.

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OPINIÃO POLÍTICA
JANIO LOPO

Ivan de Carvalho

Não poderia escrever hoje neste espaço sobre outro tema que não fosse, com sentimento profundo e difícil de expressar – pois reside no coração, onde é mais percebido que na mente, sedes da escrita e da fala – o colega Janio Lopo, morto durante a sua terceira grande crise cardíaca, pois outras menores já haviam ocorrido.

Às duas primeiras ele resistiu. Mas a terceira o levou. Não saberia dizer o que mais terá contribuído para isso, se o chamado que sempre chega, mas só em casos extremamente raros se tem previamente conhecimento do momento, se o cigarro do qual se afastava após cada crise e ao qual voltava após pouco tempo de abstenção.

Discutir porque ele fez neste momento, com 52 anos ainda incompletos, a passagem que leva à outra realidade, invisível para nós, mas tão ou mais real do que esta – a mutação da crisálida que ganha a liberdade das borboletas – talvez seja menos importante ou menos útil, agora, do que lembrar um pouco do que ele foi e representou no jornalismo baiano.

Tenho uma razão muito especial para fazer isto. É que a função de Editor de Política da Tribuna da Bahia, que ele exerceu com dignidade, coragem e independência (acumulando-a com a de colunista de política), foi antes, em dois períodos – o primeiro, de 14 anos, o segundo, de cinco anos – ocupada por mim. Posso dizer, com satisfação – a única que sinto nesta ocasião – que os critérios de seriedade, verdade e competência que humildemente sempre busquei imprimir à Editoria foram por ele mantidos. E a isso acrescentou qualidades outras que ao meu alcance não estavam.

Mas falar da competência profissional de Janio Lopo seria chover no molhado. A mim, colega e amigo seu, como tantos outros, obrigatório é – pois profunda injustiça seria não fazer este registro – assinalar algumas características do seu caráter ou modo de ser fora da profissão. Janio foi sempre um ser prestativo e desapegado do ter e do mandar, um daqueles seres humanos que não vieram para ser servidos, mas para servir, que vieram para fazer sorrir e não para se queixar, chegando em certos momentos não profissionais a dar a impressão de que não levava a vida muito a sério, que brincava com ela e seus problemas.

No jornalismo baiano – com o fim dos seus 30 anos de carreira, 20 dos quais no jornalismo político – e no coração de seus colegas e amigos, sua morte produz um vazio difícil de preencher. Mas, para ele e para nós, tenho certeza, a vida continua. Lá e cá. A Deus, Janio.

mar
06
Posted on 06-03-2010
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 06-03-2010

Bachelet: dor na despedida

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ARTIGO DA SEMANA

LÁGRIMAS DE MICHELE BACHELET

Vitor Hugo Soares

Uma noite vi a terra tremer também em Santiago. Os anos 80 caminhavam para o fim e, de férias do Jornal do Brasil, estava hospedado com Margarida (então repórter de A Tarde, na Bahia) em um hotel tradicional a menos de 200 metros do Palácio La Moneda, já restaurado e livre da presença do general Augusto Pinochet, que o havia mandado bombardear no dia da morte do presidente Salvador Allende.

Era madrugada e fazia frio, havia andado o dia inteiro por montanhas da Cordilheira, tomando pisco e vinho. Caí como um saco de cimento na cama e peguei no sono. Despertei aos poucos como quem sai de um sonho. O quarto balançava de leve e a sensação era a de estar deitado em colchão cheio de água, quase flutuando. Efeito do pisco?.

Só pulei de vez do leito quando vieram os primeiros gritos da rua e os sussurros de outros apartamentos e corredores do hotel. Então despertei e o instinto – ou a curiosidade de jornalista – me empurrou, como recomendam os melhores manuais de sismos, para debaixo da pilastra de uma das janelas do quarto.

Abri a janela ainda a tempo de ver as luzes que tremiam com os postes no cerro de San Cristobal, à distância. Espetáculo de beleza telúrica, mas apavorante ao mesmo tempo. E, embora felizmente fugaz neste caso, absolutamente inesquecível para o turista acidental. Logo os tremores cessaram, sem deixar vítimas humanas ou vestígios de destruição. No dia seguinte, os chilenos quase não falavam do assunto em suas conversas habituais, a não ser se interrogados sobre o fenômeno da madrugada. As TVs e rádios faziam apenas referências rápidas. E ponto final.

Nada nem de longe parecido com a tragédia monumental desta semana no Chile, no tristonho final do governo da socialista Michelle Bachelet, que tem mais de 70% de aprovação nas pesquisas de opinião pública, não conseguiu eleger o sucessor. Na próxima quinta-feira, será substituída pelo conservador Sebastián Piñera. Este, empresário e amigo da velha casta e herdeiros de militares do tempo de Pinochet e dos saudosistas civis de seu regime, que não são poucos.

O violento terremoto de 8.8 graus na escala Richter, seguido de pavoroso e mortal tsumani na costa chilena do Pacífico, já havia custado até ontem a vida de 802 pessoas, deixado mais 2 milhões de chilenos ao desabrigo. Gente apavorada que sai correndo em desespero para as montanhas próximas a cada repique de tremor ou aviso de tsunami nas áreas portuárias e históricas de Concepcion. Até o famoso Festival Internacional da Canção de Viña del Mar, cidade próxima à área do epicentro do sismo da semana passada, foi suspenso.

As imagens que as cadeias internacionais de televisão e seus repórteres na área do desastre e comentaristas competentes no estúdio – em especial a CNN em espanhol – tem mostrado diariamente, são desoladoras: regiões inteiras em ruínas, monumentos históricos destruídos de Santiago a Concepcion, carros nos precipícios dos viadutos e modernas rodovias destruídas; famílias perdidas e desesperadas em busca de filhos, maridos, pais e mães desaparecidos. Saques, pilhagens, prisões, militares de volta às ruas de um país convulsionado e dividido às vésperas da saída de Bachelet e da chegada de Piñera ao poder.

Infraestrutura arruinada, prejuízos financeiros imensos no país mais desenvolvido da América Sul e um dos mais belos e civilizados do continente, que já produziu dois Nobel de Literatura: Gabriela Mistral e Pablo Neruda.

O primeiro levantamento apresentado na CNN indica que serão necessários mais de três anos – “talvez todo o período do novo governo” de Piñera, como disse a presidente em uma emissora de rádio na visita a Concepcion e Maule – e investimentos maciços com indispensável ajuda internacional coordenada pela ONU, para a recuperação dos desastres desta semana.

Agora com as operações de resgate e atendimento aos sobreviventes mais organizados, a descoberta de novos desaparecidos fez o número de mortos subir para 802 no Chile, informou ontem o Escritório Nacional de Emergências. As lágrimas rolaram de público pela primeira vez dos olhos de Bachelet ao transmitir a notícia à população e admitir em entrevista a uma rádio, que o número de mortos ainda pode subir.

Peço socorro à poesia do chileno maior, Pablo Neruda, na “Ode à Tristeza”, para terminar as linhas deste artigo:

“A tristeza não pode/entrar por estas portas.
Pelas janelas /entra o ar do mundo,
As rosas vermelhas novas,/ as bandeiras bordadas
do povo e suas vitórias. /Não podes./ Aquí não entras.
Sacode
tuas asas de morcego, / eu pisarei as penas
que caem de teu manto, / eu barrarei os pedaços
de teu cadáver/ até as quatro pontas do vento,/
eu te torcerei o pescoço,/ te coserei os olhos,/
cortarei tua mortalha /e enterrarei teus ossos roedores
debaixo da primavera de uma macieira”.

Bravo, poeta! O Chile sobreviverá!!!

Vitor Hugo Soares é jornalista.
E-mail: vitor_soares@terra.com.br

EM MEMÓRIA: Este texto é dedicado pelo autor à memória de JANIO LOPO, editor político da Tribuna da Bahia, que ontem nos deixou precocemente. Ficam para os amigos e colegas, como o que assina estas linhas, exemplos de competência, coragem e profunda dedicação ao seu ofício desde a juventude até a partida definitiva.A Bahia lamenta e chora a perda de um de seus melhores jornalistas.
(Vitor Hugo Soares)

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