mar
05

Lula e Dilma: uvas no parreiral do São Francisco

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GRAZZI BRITO

Lula esteve em Juazeiro, no Vale do São Francisco, nesta sexta-feira (05), para a inauguração da 1ª etapa do perímetro de irrigação do Projeto Salitre. O presidente entregou as estruturas dos lotes para os primeiros agricultores beneficiados com o projeto. A primeira etapa beneficia 255 agricultores familiares e “até março serão licitados mais sete mil hectares do Projeto”, garantiu Lula. O projeto Salitre, em sua primeira etapa contou com R$ 251 milhões, investimento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Sobre a disputa ao governo da Bahia de seus aliados políticos Geddel e Wagner, o presidente foi direto ao pontro:“Posso dizer na frente deles, eu não fico a vontade nessa situação. Sonhamos com essa aliança (PT/PMDB) e foi o que permitiu vencer a ultima campanha na Bahia e no Brasil, isso não estava previsto”, reconheceu de público o presidente.

Mas acrescentou: “ acho que ainda temos tempo de resolver muita coisa, ainda tem muita coisa pra acontecer eu não dei por encerrado”,disse o presidente, ao expressar sua esperança ainda na possibilidade do reencontro Lula-Geddel.

Na comitiva de Lula a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff,a candidata preferencial do presidente à sua sucessão , o governador Jaques Wagner e o ministro da Integração Nacional Gedell Vieira Lima entre prefeitos da região, deputados estaduais e federais.

Em relação a candidatura de Dilma à presidência, Lula disse que ele e a ministra Dilma, juntos, incômodam pra muita gente “Se eles pudessem eles cantavam todo dia: um Lulinha incomoda muita gente, uma Dilminha incomoda muito mais”, brincou.

Grazzi Brito é jornalista, mora em Juazeiro, no Vale do São Francisco

mar
05

O almoço mineiro oferecido no centenário de Tancredo Neves virou festa das melhores , recheada de sotaques – paulista, carioca, baiano, cearense, gaucho . A depender da roda ou da vizinhança, mais ou menos animadas, mais ou menos reveladoras neste tempo quente de definição – e indefinições – de nomes da chapa para a disputa da sucessão do presidente Lula, entre bicadas dos tucanos do PSDB e espantos de seus primos do DEM.

Terra Magazine, através de seu editor chefe, Bob Fernandes, apurou os ouvidos e conta bastidores do almoço oferecido pelo governador mineiro Aécio Neves a ilustres convidados para a inauguração da Cidade Administrativa Tancredo Neves, em Belo Horizonte. “No Palácio, entre um gole de champanhe e outro, segredos e intrigas, amigos e inimigos. No ar, os gestos e meias palavras, os meandros da chapa puro-sangue do PSDB que não nasceu. ATO II da sucessão presidencial, ATO I do bailado tucano”, como registra a chamada para a reportagem de Bob, que Bahia em Pauta reproduz.

(VHS)

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Cena mineira à espera do almoço/ Leo Drumond

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Bob Fernandes

Ciro Gomes, PSB, pré-candidato a presidente da República, passa rente a José Serra, PSDB, pré-candidato a presidente da República. Ambos não se cumprimentam, sequer se olham.

Aécio Neves, PSDB, governador de Minas Gerais, abraça José Alencar, PRB, vice presidente da República, e lhe sussurra algo.

Geraldo Alckmin, PSDB, ex-governador e pré-candidato a governador de São Paulo, conversa com Rodrigo Maia e ACM Neto, o presidente e o deputado do DEM, enquanto Sérgio Guerra, presidente do PSDB, cochicha com os senadores Tasso Jereissati, possível candidato a vice-presidente pelo PSDB, e Agripino Maia, líder DEM. Antonio Anastasia, vice-governador de Minas e candidato a suceder Aécio, aproxima-se do governador e do vice-presidente da República.

Os garçons servem champanhe a ministros dos tribunais superiores, o cantor Fagner gargalha, o senador Wellington Salgado escreve uma mensagem no Livro dos Convidados.

Os ternos, quase todos em azul marinho. As gravatas, quase todas vermelhas.

É o bailado da sucessão presidencial de 2010.

O segundo grande ato da sucessão, este executado na tarde da quinta-feira 4 de março no Palácio da Liberdade, construção de 1897 encravada no coração de Belo Horizonte.

O primeiro ato se deu, semanas antes, na Convenção do PT que ungiu Dilma Rousseff candidata à presidência República.

Nesta quinta-feira o PSDB pretendia iniciar o seu ATO I, com o anúncio da chapa puro-sangue José Serra-Aécio Neves. Não conseguiu fazê-lo, e no almoço oferecido por Aécio as coxias fervilham.

Ainda ecoa, repercute entre os convivas, o coro de milhares de pessoas na Cidade Administrativa Tancredo Neves, inaugurada instantes atrás:
– Aécio presidente! Aécio presidente!

Coro entoado na presença de José Serra, o pré-candidato tucano à sucessão de Lula.

Aécio Neves recebe seus convidados à porta do elevador interno do Palácio ou à beira da escadaria art nouveau fundida na Bélgica.

Os governadores de Minas e São Paulo, Aécio Neves e José Serra,
o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB),
e o senador Casildo Maldaner (DEM/SC) (foto: Wellington Pedro)

Mesas postas em três salões por onde se formam e desmancham rodas de conversas e cochichos.

Ciro Gomes, provocado, diz que ele e Serra acabaram de se cumprimentar:
– Nos cumprimentamos cordialmente como deve ser com dois rapazes educados…

(pausa)

-… uns mais educados do que outros.

Ciro e Serra não se falam, não se olham nos primeiros passos do dueto.

Serra, à soleira da porta que leva à sacada do Palácio da Liberdade, onde confabulam ACM Neto e Rodrigo Maia.

Ciro, a menos de dois metros do governador de São Paulo, conversa com o irmão, Cid, governador do Ceará. Cid recorda o pai José Euclides Ferreira Gomes e filosofa:
– Como meu pai dizia, às vezes os prognósticos são apenas a expressão dos nossos desejos…

Ciro expõe o seu prognóstico. Ou desejo, como diria o velho José Euclides:
– Serra está vivendo um drama humano, isso é profundamente humano: a dúvida, a angústia de saber se vai ou não vai, e ele…

Ciro acha, ao menos diz de público, que Serra não vai.

Fiel ao seu estilo, o pré-candidato do PSB aproxima-se de Rodrigo Maia e ACM Neto e brinca:
– Como é que vocês, dois jovens, ficam com “O Coiso” e não comigo?

Sorrisos amarelos dos jovens DEM. Cara de paisagem de uma involuntária testemunha da cena; Geraldo Alckmin gostaria de não estar ali, mas Ciro aponta para o ex-governador enquanto dirige-se à dupla DEM:
– Ele fica p… da vida quando eu faço isso.

Mãos cruzadas abaixo da cintura, Alckmin vê-se obrigado a abandonar a paisagem. Sorri, discretamente.

Aécio passa por Serra e chega à sacada. Cumprimenta Maia e ACM Neto, puxa Ciro para o lado e com ele confabula por minutos.

Os garçons enchem taças. Segue o bailado da sucessão 2010.

Cabe a José Alencar a primeira mensagem no Livro dedicado ao dia, data do Centenário de Tancredo, da inauguração da Cidade Administrativa que leva seu nome, e data da chapa que não nasceu, a puro-sangue do PSDB.

Sucessão à tucanos. Com dois candidatos e ainda sem nenhum.

Horas antes, sob o arco desenhado por Oscar Niemeyer para a Cidade Administrativa, o coro:
– Aécio presidente! Aécio presidente!

Não uma, mas duas vezes. No segundo ensaio do coro, já no palco, capacete na cabeça e ladeado por alguns dos 13.048 operários da obra monumental, Aécio sorriu e com as mãos fez o gesto de “manera, manera”. Foi atendido e o coro se esvaziou.

E Serra, o que teria pensado ao ouvir o estrondoso clamor de Minas à sua volta?

Ele não ouviu:
– … Gritos? Eu estava ocupado na hora, não prestei atenção, nem percebi…

Segue o bailado.

Serra exercita a arte da abstração. Por exatos seis minutos e 45 segundos escreve uma mensagem para Aécio Neves.

No Livro, a ele oferecido por Dona Jovi, funcionária do Cerimonial, o governador de São Paulo constrói a mensagem. Caneta na mão direita, pensativo, Serra escreve o que a história registrará:
– Ao governador Aécio, sua equipe e os mineiros e mineiras, meu abraço e meu contentamento pela “Cidade” Tancredo Neves e por todo o notável avanço de Minas Gerais na direção do desenvolvimento, da justiça social, do equilíbrio regional, na contribuição maior ao Brasil,

José Serra

Antes dele, Ciro Gomes ocupa a segunda página do Livro. Com o estilo de sempre. Direto. Em dois minutos e meio:
– Aos mineiros do tempo do grande governador Aécio Neves. O Brasil tem uma dívida com Minas e seu povo. A cada transe, sempre Minas é quem acode o Brasil. De Felipe dos Santos a Itamar Franco, passando por Juscelino – de todos o maior – e Tancredo. Privilégio meu sua amizade,

Ciro.

Aécio se desloca, circula entre os convidados, os grupinhos, faz as honras da casa. Instigado, comenta notícia de que Lula pretenderia se licenciar por dois meses para mergulhar na campanha:
– Ele tá confiante, hein?

Serra, ao lado, ouve e mantém o silêncio.

Num pequeno púlpito, Dona Jovi de guardiã, avança o ritual das mensagens no Livro.

Wellington Salgado, senador do PMDB de Minas, expoente da tropa de choque governista alcunhado de “Cabelo” pela oposição, descreve o que lhe vai n’alma:
– Governador, duro é ter tudo que se imagina de um grande político da minha geração e por questões políticas ter que admirá-lo comportadamente e sem tê-lo no meu partido,

Wellington Salgado.

Um tucano se aproxima do Livro. Passa os olhos pelas mensagens, detém-se na página com a confissão de Wellington e murmura a sua confissão:
– …está todo mundo doido pra trair…

Murmura, mas nada escreve no Livro.

Quem quer trair? E a quem?

Wellington Salgado, por exemplo, deixa escapar para um amigo:
– Na verdade, no PMDB ninguém está feliz, feliz mesmo, com a Dilma.

E no PSDB?

Segue o bailado.

João Almeida, da Bahia e líder do PSDB na Câmara, vê Serra passar. Analisa:
– Ele tá demorando muito…

Sérgio Guerra, presidente do PSDB expressa (prognóstico ou desejo?):
– E agora? O Serra é candidato. Não tem mais “e agora?”, ele é candidato…

Aécio e Serra se despedem, um diz algo no ouvido do outro. Aécio provoca:
– …e todos os dias os jornalistas perguntam se falamos, o que decidimos, o que falamos nas nossas conversas…

Serra sorri, Aécio sorri e emenda:
– …nossos destinos estão traçados… nossos destinos já estão traçados.

Serra e Aécio têm conversado, dias e dias de conversas telefônicas, encontro reservado na noite-madrugada de terça para quarta, em Brasília.

Aécio já comunicou, e repetiu, e repetiu, e repetiu:
– Eu não serei vice!

Conversaram também sobre mais, muito mais do que isso, sondaram até o inimaginável.

Aécio e Serra se despedem no Palácio que já abrigou, já assistiu à urdidura do poder feita por Juscelino, Tancredo, Milton Campos, Benedito Valadares…

Serra se vai. Aécio murmura, como se fosse pra si mesmo:
– …nossos destinos já estão traçados…

Fim do bailado tucano, ATO I.

mar
05
Posted on 05-03-2010
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 05-03-2010

Janio na TB: eterna busca da notícia

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ROSANE SANTANA

Figura frágil, tímida, quando o conheci há cerca de 20 anos, o rosto, que a doença foi transfigurando, lembrava o do poeta Castro Alves, de quem guardava ainda semelhanças pelo espírito byronista, ultra-romântico. Jânio Lopo respirava jornalismo e sua escrita o ajudava a se manter vivo, nos últimos anos, quando o coração apaixonado pela profissão e pela boemia dava sinais de cansaço.

Relembro-o sentado em um canto, quase escondido na redação da Tribuna da Bahia, fuçando os jornais e buscando um tema para sua coluna diária, qual escafandrista a procurar tesouros submersos. Atrás da aparente fragilidade, a firmeza para defender o que achava correto e a bravura e o destemor para enfrentar os poderosos de plantão, que se sentiam eventualmente ofendidos com suas críticas; a lealdade e a generosidade com os amigos.

Jânio, meu querido, vou sentir sua falta. Perdoe minha ausência e a indelicadeza de não tê-lo visitado, como programei, quando da rápida passagem pela Bahia, há cerca de duas semanas, depois de três anos nos EUA e alguns contatos pelo telefone. Gostaria de abraçá-lo e tomar uma cerveja contigo e prometi que o faria, quando retornasse a Salvador no final de março. Mas a vida me colheu de surpresa, hoje, uma tarde cinzenta que ficou cor de chumbo, em São Paulo, quando recebi a notícia de sua partida, na redação de Terra Magazine. Ainda choro.

Sou-lhe profundamente grata, amigo, pela generosidade com que sempre me acolheu, pela lealdade, pela admiração, pelo carinho, pelo humanismo, pelo teu exemplo. Vá em paz, guerreiro querido.

Rosane Santana, jornalista baiana. mestre em História pela UFBA, acaba de retornar de Boston (EUA) onde pessou três anos estudando em Harvard. Está em São Paulo>

mar
05
Posted on 05-03-2010
Filed Under (Multimídia) by vitor on 05-03-2010

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Mensagem do jornalista Gilson Nogueira que garimpou e sugeriu a música desta tarde da despedida do mestre : Johnny Alf estará sempre aí, no mundo, como a Bossa!
(VHS)

mar
05

Bira Castro: ataque a Ubaldo em defesa da ponte

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DEU EM TERRA MAGAZINE

Guilherme Lopes
Especial de Salvador (BA)

Alvo de críticas do romancista baiano João Ubaldo Ribeiro, o projeto da megaponte Salvador-Itaparica tem causado, nas últimas semanas, discussões acaloradas entre urbanistas, arquitetos, membros do governo baiano (entre eles o próprio governador, o petista Jaques Wagner) e intelectuais brasileiros.

Ontem, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia (FAU-UFBA) protagonizou mais um capítulo da contenda entre defensores e opositores da obra ao promover o debate “Ponte de Itaparica – Alternativa para qual desenvolvimento?”.

Na mesa estavam o Superintendente de Planejamento Estratégico da Secretaria do Planejamento da Bahia (Seplan), Paulo Henrique de Almeida, o historiador ligado ao Partido dos Trabalhadores e diretor da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro de Araújo, o professor da FAU-UFBA Paulo Ormindo de Azevedo e o arquiteto Carl von Hauenschild. Na platéia, público suficiente para ocupar todas as cadeiras e corredores e ainda deixar alguns estudantes do lado de fora, à espera de lugares vagos.

Paulo Henrique de Almeida abriu o debate. Amparado em slides projetados em um telão, com fotos de pontes grandiosas construídas na última década (a lisboeta Vasco da Gama em seus 17km), o governista afirmou que, com a opção por expandir o litoral norte baiano ocorrida na década passada, “a Cidade Baixa, o subúrbio ferroviário e as ilhas ficaram completamente abandonados”, o que criou problemas para a integração da região à economia baiana e, consequentemente, à geração de renda.

Segundo Almeida, a ponte, usada como alternativa de ligação entre Salvador e o interior do estado, facilitaria também a integração de Itaparica à região metropolitana da capital. Esse é justamente um dos pontos mais criticados pelos opositores do projeto, que defendem a preservação das belezas naturais e históricas da Ilha.

Almeida sustentou que o Ferryboat, sistema de transporte marítimo Salvador-Itaparica, não tem como dar conta do tráfego da capital para o sul do Estado, principalmente por sua “sazonalidade”. “O ferry, quando foi implantado, em 1972, não foi pensado para funcionar como vetor de transporte de massa. E o aumento da frota não é uma saída porque o sistema opera com sazonalidade. Durante a baixa estação, as emb arcações ficam ociosas”, apontou.

“Ponte matará polos econômicos”

Contrário à construção da ponte, o professor Paulo Ormindo apontou o que para ele é o maior problema do projeto: aumentar a centralidade da capital baiana. Ormindo acredita que a ponte bilionária vai concentrar as atividades econômicas da Bahia em Salvador, “matando os polos que começam a surgir no interior, como a pequena industrialização de Santo Antônio de Jesus” (cidade ao sul, a 100km da capital via ferryboat).

Segundo ele, outro aspecto negativo seria a centralização dos serviços públicos na capital. “Semelhante ao que ocorre hoje: a população da região metropolitana vem a Salvador para ter acesso à saúde e outros serviços. A capital irá bancar os serviços públicos para toda a região, que não têm serviços suficientes, sendo que Salvador também não tem como sustentar serviço para sua população atualmente”, afirmou.

Também contrário à ponte, o arquiteto Carl von Hauenschild questionou a necessidade de expansão da RMS no sentido sul. “Nós criaremos um funil ao obrigar todo o transporte sentido sul que sair da cidade a passar pela ponte, quando há espaço à vontade para Salva dor crescer nos municípios da Região Metropolitana”, afirmou. Segundo dados do IBGE de 2009, dos 3,86 milhões de habitantes da RMS, 3 milhões moram em Salvador (77% do total), que só tem 707 km² dos 4.375 de toda a região (16% do território).

Hauenschild criticou a “falta de plano de desenvolvimento para a Baía de Todos-os-Santos”. Ele acusou a idealização a ponte de ser uma obra pontual, “desconectada” de uma “idéia maior” de desenvolvimento da região. Como exemplo, o arquiteto citou o desenvolvimento da infraestrutura portuária no Estado. “Desde o final dos anos 80 chamamos a atenção de que a Bahia não tem um plano de desenvolvimento portuário. E agora vamos de novo deixar as ações para desenvolvedores privados, sem o governo pensar”, atacou.

Historiador governista mira João Ubaldo

O único a comentar a opinião de João Ubaldo Ribeiro durante o debate foi Ubiratan Castro, que tem sido considerado um intelectual “porta-voz” do governo de Jaques Wagner. Defensor da ponte por considerar que a obra poderá facilitar o acesso da população da ilha e do oeste do Recôncavo aos serviços da capital, o historiador não poupou críticas ao conterrâneo, mesmo sem citar seu nome. “(A partir dos anos 70) a região de Itaparica, que já teve uma pujante economia, ficou reduzida a local de veraneio, com nativos indigentes procurando um servicinho na casa do Barão que vai veranear, ou do escritor que vai se lembrar de sua infância. Eu acho que o escritor tem direito a lembrar de sua infância, mas não tem direito a mobilizar uma população na miséria e na pobreza para que lhe sirva de inspiração para fazer romances”, disparou.

Esse tem sido o tom de outros contra-ataques dos petistas. Rusgas à parte, o historiador considera que a Bahia tem condições de fazer uma ponte, preservando o patrimônio histórico e artístico existente na cidade colonial, pois “na Bahia tem Iphan e Ipac”. Os dois órgãos vem recebendo críticas de urbanistas e intelectuais por liberarem obras polêmicas em Salvador.

A ponte

Com um orçamento previsto inicialmente em R$ 2 bi, a ponte entre Salvador e Itaparica atravessaria a Baía de Todos-os-Santos e seria parte de um novo sistema viário a ser implantado na região oeste do Recôncavo.

Além do escritor João Ubaldo – nascido na Rua do Canal, número um, em Itaparica -, vários intelectuais brasileiros já se posicionaram contra a imposição da obra sem debates com os baianos – os signatários, Luis Fernando Verissimo, Chico Buarque, Cacá Diegues, Milton Hatoum, Ricardo Cravo Albin, Emanoel Araújo, Monique Gardenberg, Sonia Coutinho, Jomard Muniz de Britto, Hélio Pólvora, Edson Nery da Fonseca, Sebastião Nery, Walter Queiroz Júnior, Jerusa Pires Ferreira, Hélio Contreiras, Aninha Franco, Fernando da Rocha Peres e Ruy Espinheira Filho. Todos eles assinaram o manifesto “Itaparica: ainda não é adeus”, em resposta ao artigo “Adeus, Itaparica”, um libelo de João Ubaldo contra a destruição do paraíso ecológico.

No último mês de janeiro, o governo da Bahia abriu um Procedimento de Manifestação de Interesse para a construção da ponte e do novo sistema viário. Duas empreiteiras, a Odebrecht e a OAS já declararam interesse em realizar a obra, e devem entregar os estudos iniciais até o dia 14 de março. Caso seja efetivado o interesse do estado, a Seplan prevê novos estudos e abertura de licitação no ano que vem. A OAS manifestou ainda o desejo de construir condomínios fechados na parte central de Itaparica, em zona rodeada por mata atlântica.

Atualmente, a Ilha conta com uma população de 58 mil habitantes que, apesar de em sua maioria considerar o lugar tranquilo, se deparam nos últimos meses com um aumento dos casos de violência, especialmente os ligados ao tráfico de drogas oriundo de Salvador. Outro problema recorrente da ilha é o acesso por ferryboat ou “lanchas” (barcos de madeira que a cada meia hora partem do centro de Salvador), notadamente insuficientes para atender a demanda de veranistas durante a alta estação.

mar
05
Posted on 05-03-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 05-03-2010

Heraldo: “transferência de responsabilidades”

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OPINIÃO POLÍTICA

O crack e a violência

Ivan de Carvalho

De acordo com o líder da oposição, o governo tenta transferir para a droga ilícita a responsabilidade pelo ‘crescente aumento’ da violência na Bahia.Será que o argumento tem sentido?

É este o tema do artigo de hoje do jornalista político Ivan de Carvalho, nesta sexta-feira, na Tribuna da Bahia, que este Bahia em Pauta reproduz. Confira.

(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

O crack e a violência

Ivan de Carvalho

O governo do Estado elegeu o crack como a principal causa dos homicídios na Bahia. É o que está na propaganda oficial na televisão. É também, aproximadamente, o que disse o líder da oposição na Assembléia Legislativa, o democrata Heraldo Rocha, ao fazer da tribuna a crítica à mensagem anual que o governador Jaques Wagner lera ali, no dia 16 último, na sessão solene de abertura dos trabalhos parlamentares deste ano.

Em discurso, Heraldo Rocha disse que o atual governo tenta culpar o tráfico de drogas, sobretudo o crack – como registrou na ocasião este jornal – pelo crescimento da criminalidade, citando os outdoors espalhados por todo o estado. “É possível ler, claramente, a seguinte afirmativa: o crack é o responsável por 80 por cento da causa de violência”, relatou.

De acordo com o líder da oposição, o governo tenta transferir para a droga ilícita a responsabilidade pelo “crescente aumento” da violência na Bahia. “Essa informação – disse Rocha – é um absurdo, contestada até por grandes profissionais como o psiquiatra Antônio Neri. Ele afirma que isso é uma grande inverdade”. Nery é um conhecido psiquiatra baiano estudioso da questão das drogas.

É claro que o tráfico, comércio e consumo das drogas ilícitas são importante causa de violência, ainda mais quanto ao crack, por seu baixo preço financeiro (o preço pago pela saúde do usuário e pela sociedade é muito alto), acessível a toda a população, pela rapidez com que gera fortíssima dependência e pela dificuldade de erradicá-la, bem como pelo estado cerebral que produz.

Mas chegar sem mais nem menos àquele “percentual de responsabilidade” de 80 por cento da violência parece realmente demasiado criativo. E mais. Afinal, não é o crack uma droga ilegal cujo comércio cabe ao Estado combater? E não está em sua composição, como elemento básico, a cocaína, importada de países vizinhos por fronteiras mal fiscalizadas pela Polícia Federal e entrando nos Estados por divisas mal fiscalizadas pelas polícias estaduais e pelas polícias rodoviárias? Estarão a PF e as outras polícias aptas a fazerem essa fiscalização? E as polícias civis e militares estaduais, aptas também a combater o comércio do crack? Onde está a prioridade para a segurança pública e exatamente numa questão que seria responsável por 80 por cento da criminalidade violenta, no caso da Bahia? Existem ou não as cracolândias “liberadas”, mostradas na TV?

E já que citamos a televisão, com certeza é um enorme mal o que fazem certos programas de TV especializados em mostrar violência para ganhar a audiência da parte do público que adora ver misérias, o mesmo público que até provoca congestionamentos de trânsito só para verificar se o motoqueiro acidentado perdeu a cabeça ou ainda está com ela pendurada no pescoço.

Esse público assiste tais programas e fica com aquele “clima” na mente. Qualquer espiritualista e os cientistas sem preconceitos acadêmicos sabem que o pensamento é poderoso elemento criador (“Ocupai o vosso pensamento somente com o que é bom e belo”, aconselhou São Paulo, que sabia) e o que a mente foca tende a se concretizar. Aí estão esses programas e seus patrocinadores – assim como a insuficiência dos aparelhos policial e judicial – como parceiros do crack na gênese da violência.

Martinho: um lugar na ABL

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DEU NO PORTAL IG (ULTIMO SEGUNDO)

Agora é oficial: declarada vaga, nesta quinta-feira, a cadeira 29 da Academia Brasileira de Letras (ABL), ocupada até o último domingo pelo bibliófilo e empresário José Mindlin, seis nomes se candidataram a substituí-lo. Conforme o iG antecipou, Ziraldo, Martinho da Vila, Eros Grau, Geraldo Holanda Cavalcanti, Muniz Sodré e Marco Lucchesi enviaram ao presidente da Academia, Marcos Vilaça, a inscrição de candidato.

Pela liturgia da Casa, as candidaturas são abertas após a chamada “sessão da saudade”, que ocorre tradicionalmente no Salão Nobre do imponente Petit Trianon, no centro do Rio, na primeira quinta-feira após a morte de um membro da ABL. A sessão homenageou Mindlin no fim da tarde desta quinta-feira e abriu oficialmente a corrida eleitoral.

O número de candidatos, porém, não deve se resumir aos seis citados. As inscrições ficarão abertas durante 30 dias. Mas a campanha começou logo depois de anunciada a morte do bibliófilo. Pelo menos um deles não esperou sequer 24 horas da morte de Mindlin para começar a trabalhar na campanha. Outros enviaram aos acadêmicos um “telegrama de intenções”.

O nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também era cogitado para entrar na disputa. Na quarta-feira, no entanto, ele ligou para o presidente da ABL, Marcos Vilaça, avisando que não entraria na corrida. Não agora. “Desejo ser acadêmico, mas não serei candidato agora. Ainda não”, disse-lhe FHC.

Conforme um observador avaliou ao iG, o ex-presidente só entrará numa disputa para uma vaga na ABL se vislumbrar no horizonte uma aclamação por unanimidade. A eleição presidencial deste ano também adia a candidatura de FHC.

mar
05
Posted on 05-03-2010
Filed Under (Newsletter) by vitor on 05-03-2010

CONCEPCIÓN (Chile) – Fortes réplicas sacudiram na manhã desta sexta-feira na zona central e sul do Chile. Os tremores acontecem seis dias depois do forte terremoto e tsunamis registrados no país no fim de semana passado, que deixaram quase 800 mortos, mais de 2 milhões de desabrigados e prejuizos financeiros ainda por calcular.

(Com informações da Reuters, publicadas no portal MSSN))

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