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Postado em 02-03-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 02-03-2010 19:57

Tancredo: glória e sofrimento

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Anote em algfum lugar esta dica para não esquecer: Nesta quinta-feira, 4 de abril, às 20hs, o Canal Brasil (fechado infelizmente e portanto só para assinantes) vai relembrar a trajetória política de Tancredo Neves no dia em que o mineiro completaria um século de vida, com a exibição do documentário Tancredo Neves – Mensageiro da Liberdadea.

Em Tancredo Neves – Mensageiro da Liberdade (2005) (56’) – Dpoimentos de familiares e parceiros de trabalho remontam a trajetória política de Tancredo Neves, primeiro civil a se eleger Presidência da República após o golpe militar de 1964. Dirigido pelo cineasta Bruno Vianna, o documentário tem o roteiro assinado por José Augusto Ribeiro, assessor de comunicação do político durante a campanha presidencial de 1984.

A produção investiga o papel de Tancredo na defesa da democracia durante os 21 anos em que o Brasil esteve sob ditadura militar. Conhecido pela personalidade conciliatória, ele lutava pela manutenção da legalidade desde o suicídio de Getúlio Vargas, de quem foi ministro da Justiça e Negócios Interiores. À época, o iminente golpe de Estado articulado pela UDN (União Democrática Nacional) foi desmantelado com a eleição de Juscelino Kubitschek para a Presidência. Seis anos depois, a instabilidade política volta à cena com a renúncia de Jânio Quadros. Tancredo Neves tenta, então, garantir o governo do vice-presidente, João Goulart, mas, em vista da crescente ameaça de golpe, dá início a uma estratégia de mediação no Congresso Nacional para que seja instituído o regime parlamentarista.

Em 1964, os militares tomam o poder, e o político passa a fazer ferrenha oposição à ditadura. O então deputado federal se nega a votar no general Castello Branco para a Presidência, ao contrário da maioria dos correligionários. Aos “anos de chumbo”, seguem-se a campanha pelas eleições diretas e o histórico comício da Praça da Sé, em São Paulo. A emenda Dante de Oliveira, que garantiria o pleito, não é aprovada pelo Congresso, mas a pressão pela liberdade política toma conta do país. O próximo presidente seria escolhido pelo Colégio Eleitoral, e Tancredo Neves encabeça a chapa de oposição a Paulo Maluf, candidato apoiado pelos militares.

A eleição do mineiro é recebida com entusiasmo, mas, dias antes da posse, ele sente fortes dores no estômago. Mesmo ciente de que sofria graves problemas de saúde, reluta em se submeter ao tratamento antes de assumir o governo. Temia que a ausência abrisse caminho para que as tão esperadas mudanças políticas não se concretizassem.

O ex-presidente José Sarney, então vice de Tancredo Neves, revela que, já empossado, esteve com o amigo na UTI do Incor, em São Paulo, para garantir que a transição democrática se completara. Dias depois, a síndrome venceria a resistência do político e poria fim a uma vida dedicada à democracia.

Os netos Aécio Neves e Andrea Neves da Cunha, que seguiram a tradição política do avô, falam da importância de Tancredo para a vida nacional. Depoimentos de José Serra, Fernando Henrique Cardoso, Antônio Carlos Magalhães, José Sarney e Francisco Dornelles, dentre outros.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 2 Março, 2010 at 21:57 #

Caro VHS

Tancredo, o “compositor”, sempre afeito ao bastidor, foi escolha natural dos retirantes do poder”.

A crônica política brasileira fica devendo um exercício lógico, imaginar como poderia funcionar, mesmo com Tancredo, aquela verdadeira babel denominada ministério. Por ironia, a história piorou o quadro ao escalar no tunel, o tal Sarney.

Quanto a Tancredo e o tapetão, aqui o texto de Dione Kuhn:

“O acordo:
• No dia 1º de setembro de 1961 João Goulart negocia com o deputado Tancredo Neves em Montevidéu a aceitação do sistema parlamentarista de governo. Seria a única forma de chegar ao poder com a aceitação dos meios conservadores civis e militares.

• Desde o início das negociações já estava definido que Tancredo seria o primeiro-ministro do gabinete parlamentarista. O deputado mineiro havia sido ministro da Justiça no último governo de Getúlio Vargas (1951-1954), padrinho e mentor político de Jango. Permanecera ao lado de Vargas até o suicídio do presidente, no dia 24 de agosto de 1954, e gozava de bom trânsito na cúpula do PTB gaúcho.

• Jango combina com Brizola por telefone que Tancredo passará por Porto Alegre antes de seguir para Brasília para explicar os termos da emenda parlamentarista a ser votada no Congresso.

• O avião Viscount presidencial chega a sobrevoar o Aeroporto Salgado Filho, mas não pousa. Matreiro, o parlamentar mineiro acha estranho que um Estado sublevado há dias estivesse com um aeroporto vazio, sem esquema de segurança. O avião segue direto para a Capital Federal.

• Brizola havia armado um plano para prendê-lo tão logo pisasse em solo gaúcho. Pretendia retê-lo e, com isso, barrar as negociações para a implantação do parlamentarismo. Com o avião presidencial, mandaria buscar Jango em Montevidéu.
• No dia 2 de setembro, por volta da 1h, a Câmara dos Deputados aprova em primeiro turno a emenda à Constituição que institui o parlamentarismo.
• No domingo, dia 3 de setembro, em sessão conjunta da Câmara e do Senado, é promulgada a emenda. Estavam presentes 56 senadores e 280 deputados.”

Nada mais Tancredo do que garantir o poder por via indireta, ao que parece era seu habitat…

Quanto à escoha inicial filiando-se ao MDB, foi compulsória, como defender posição diversa?

Assim, a tal ditadura sem tiro, após anos de tirania, anestesia e alienação de gerações, encontrou um fiel depositário de sua saída envergonhada.

Lembrar Brizola, por vezes, é didático.


vitor on 2 Março, 2010 at 22:40 #

Fontana

Está aí mais um ponto de concordância entre nós: lembrar Brizola é didático e fundamental.


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