A Presidente do Chile declarou “estado de exceção” nas duas regiões mais afetadas pelo terremoto de sábado: Maule e Bío Bío. Michele Bachelet tornou pública esta decisão ontem, ao mesmo tempo que anunciava ter aumentado o número de vítimas mortais: 708.

O “estado de exceção de catástrofe” tem como objetivo “garantir a ordem pública e acelerar a distribuição da ajuda”, disse Bachelet, sublinhando que a medida irá prolongar-se por 30 dias. Ao decretar o “estado de exceção” para as regiões de Maule e Bío Bío, significa que ali ficam suspensas as liberdades constitucionais nessas áreas.

Francisco Vidal, ministro da Defesa, afirmou por seu turno que o exército vai coordenar, “juntamente com as autoridades políticas”, as operações no terreno, para onde foram enviados dez mil homens da Força Aérea. O mesmo responsável assumiu que “uma secção da Marinha cometeu um erro ao não anunciar o perigo de tsunami”, o que teria evitado algumas vítimas mortais.

“Vamos garantir a distribuição gratuita de todos os produtos de primeira necessidade”, garantiu Bachelet, que se afirmou preocupada com a pilhagem de supermercados que se verificou em Concepción, cidade a sul de Santiago e a mais afetada pelo sismo, que atingiu a magnitude 8,8 na escala de Richter.

A Chefe do Estado chilena anunciou ainda que ascende já a 708 o número oficial de vítimas mortais do sismo e do tsunami que atingiram o centro e o sul do país. E alertou para a hipótese de que este número aumente: “Há um número crescente de pessoas desaparecidas.”

Trinta e cinco horas após a catástrofe, as equipes de socorro mantinham ontem uma corrida contra o tempo para tentar encontrar precisamente esses “desaparecidos”. Em Concepción, por exemplo, bombeiros e socorristas procuravam encontrar sobreviventes sob os escombros de um prédio de 15 andares que ruiu e no qual se encontravam cem pessoas. “As horas, o tempo, são a variável crítica para salvar as pessoas que estão lá dentro”, afirmou a presidente da Câmara da cidade, Jacqueline van Rysselberghe.

Enquanto uns lutam contra o tempo para salvar vidas, outros pilham os supermercados. Por necessidade, garantem. “Não é roubo, é desespero. Não temos nada para comer, nem beber”, lançou uma mulher a um repórter da televisão chilena que a apanhou a sair de um supermercado com mantimentos. E um homem, que tentava entrar, justificava-se: “É para os meus filhos, é a única forma de os alimentar.” A polícia acabaria por dispersá-los, utilizando canhões de água e granadas de gás lacrimogéneo. Entretanto, o aeroporto de Santiago recebeu ontem cinco voos internacionais, mas o tráfego continua condicionado.

( Com informações do Diário de notícias, Lisboa)

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