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Postado em 28-02-2010
Arquivado em (Artigos) por vitor em 28-02-2010 20:59

Walter Alfaiate:samba e elegância
MARIA OLÍVIA
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Parafraseando belíssimo samba cantado pela não menos saudosa Clara Nunes, Walter Alfaiate foi embora desse mundo de ilusão. Não é mesmice dizer que mais um grande sambista da geração de bambas cariocas morreu. Não, repetir não basta.
O corpo do sambista Walter Alfaiate foi sepultado às 17 horas e 20 minutos, no Cemitério São joão Batista, em Botafogo, bairro da zona sul carioca e palco de sua vida. Cultuado pelos sambistas cariocas, jamais foi reconhecido pelas gravadoras. Com mais de 50 anos de carreira e 200 sambas compostos, ele gravou apenas três discos, graças a sensibilidade e o apoio de amigos, a exemplo de Aldir Blanc e Paulinho da Viola.

Fazer roupas, escrever e cantar sambas eram as três coisas que Seu Walter, como era chamado carinhosamente, mais gostava de fazer na vida, disse em entrevista a Diogo Nogueira – filho do grande e também saudoso João Nogueira -, que apresenta o Programa “Samba na Gamboa” , um programa semanal de samba que vai ao ar às terças-feiras, 10 da noite na TV Basil, que recomendo a todos.

Outra pérola que o mestre da tesoura e da poesia contou a Diogo: por ser garoto propaganda do seu próprio trabalho, nunca realizou o sonho de usar calça jeans. Maravilha, mestre da nobreza!.
Walter Alfaiate também gostava de registrar que Paulinho da Viola teve grande influência na sua carreira. “Ele me chamou para fazer um show com ele em um teatro, em 1976, que também saiu em CD. Conheço Paulinho e sua família há muito tempo. Sempre que me convidam, eu apareço nas rodas de samba de sua casa”.

Walter frequentava muitas rodas de samba, inclusive foi em um almoço na casa de Clara Nunes que ele conheceu Aldir Blanc. — Ele me ouviu cantando e me perguntou por que eu não gravava. Respondi que não tinha oportunidade, então ele afirmou: ‘Você vai gravar’. Eu guardei aquilo e realmente ele cumpriu sua promessa. O Aldir ficou tão inconformado por eu não gravar, que na época do jornal Pasquim publicou uma nota, que eu tenho guardada até hoje como relíquia, dizendo que não sabia por que eu não gravava, já que tinha uma voz formidável.

Além do disco, participei com ele do show que comemorou os seus cinquenta anos, no Canecão, no Rio, lembrou em entrevista.
Seu Walter era entusiasmado com a nova geração do samba carioca. Tinha razão o dono daquele vozeirão de arrepiar. Tem muita gente boa levantando a bandeira do samba e botando pra quebrar nas casas de shows do Rio de Janeiro, especialmente na Lapa.

Tenho certeza que a moçada vai lhe render belas homenagens, porque em vida, este carioca acima de qualquer coisa só foi reconhecido tardiamente. Que esses jovens que iluminam as rodas de samba deste país, continuem levando seu samba e seu gingado, pelo bem das futuras gerações e da história da música brasileira.

Para finalizar uma notícia que me chega pelo telefone: Zeca Pagodinho enviou uma coroa de flores.

Maria Olívia é jornalista

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Comentários

Luciano on 1 Março, 2010 at 9:03 #

Viva Walter Alfaiate, sempre. Com certeza, o samba carioca perdeu a elegância e a nobreza de Seu Walter.


Katia Henriques on 1 Março, 2010 at 11:08 #

Mestre Alfaiate vamos sentir muito sua falta, elegância, simpatia e talento, uma pessoa rara. A Família Portelense está de luto. Mas nada de tristeza, vamos cantar em sua homenagem….””Mexe e remexe com jeito, carola
E deixa o papai te aplaudir”” Muita luz para o senhor Mestre!!!!!!!!!!!!


Olivia on 2 Março, 2010 at 11:53 #

Amigos, no ano passado, os cineastas
Vital Filho, Emiliano Leal, Paulo Roscio, Rommel Prata e Vitor Fraga lançaram o documentário Walter Alfaiate – A Elegância do Samba. Eles percorreram as ruas do bairro de Botafogo, onde o músico viveu, colhendo depoimentos do próprio Walter, além de amigos e outros artistas, dentre eles Sérgio Cabral, Regina Casé, Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Cristina Buarque de Hollanda, Zeca Pagodinho, Nei Lopes e Aldir Blanc. O documentário Walter Alfaiate – A Elegância do Samba ainda apresenta um show inédito do sambista.
Outra nota: foi Paulinho da Viola, junto com Sérgio Cabral (o pai, é claro) que lhe deu o nome artístico.


Cida Torneros on 2 Março, 2010 at 19:17 #

Olívia e amigos do BP. Li hoje que o Walter Alfaiate não morreu. Tá na coluna do Acelmo, no Globo. A conferir. Tomara que esteja bem vivo pra nos encantar por mais tempo!
bjs
Cida Torneros


luiz alfredo motta fontana on 2 Março, 2010 at 20:11 #

Cida você só trocou de sambista:

“Nelson está bem”
“Nelson Sargento, 85 anos, passou o dia, ontem, desmentindo boatos de que tinha morrido.
Sua secretária eletrônica ficou lotada de mensagens. Cruzes.” (Ancelmo)

Acontece, o jeito é se conformar e lembrar que…..Elvis , não morreu!!!!!


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