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Posted on 27-02-2010
Filed Under (Multimídia, Newsletter) by vitor on 27-02-2010

ADEUS, ALFAIATE! O SAMBA , E QUEM GOSTA DELE COMO O BAHIA EM PAUTA, LHE AGRADECEM. BOA NOITE!!! (VHS)
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Morreu na tarde deste sábado, no Rio de Janeiro, o sambista Walter Alfaiate, de 79 anos. Com a saúde fragil, ele recebia cuidados médicos es-eciais desde o final do ano passado.. Alfaiate estava internado no Hospital da Lagoa, na zona sul, e morreu por volta da 17 horas em decorrência de falência múltipla dos órgãos, segundo informa a Agência Estado. O corpo , ainda segundo a AE, deverá ser velado na sede do clube Botafogo, no bairro onde o sambista passou toda sua vida.

No mundo do samba carioca, Walter Alfaiate – que, de fato, exercia a profissão que lhe deu apelido – começou a despontar nos anos 60, com a participação em rodas no Teatro Opinião e de shows na boate Bolero. Teve músicas gravadas por João Nogueira e Paulinho da Viola na década de 70 e foi “redescoberto” pela mídia nos anos 90, também com apoio de Paulinho. Seu primeiro disco, “Olha Aí” foi gravado em 1998.

No final do ano passado, sambistas como Monarco, Alcione e Arlindo Cruz reuniram-se no show beneficente “Samba para Alfaiate”, no Circo Voador, com o objetivo de arrecadar recursos para ajudar no tratamento médico do sambista .

(Com informações da AE

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27
Posted on 27-02-2010
Filed Under (Newsletter) by vitor on 27-02-2010

Serra x Dilma: jogo endurece

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Nova pesquisa Datafolha acaba de sair do forno neste sábado e mostra que segue em queda a diferença entre os pré-candidatos do PSDB, José Serra, e do PT, Dilma Rousseff, à sucessão presidencial.

A pesquisa publicada na edição de domingo do jornal Folha de São Paulo, que já está nas bancas da capital paulista, mostra Serra com 32% das intenções de voto; Dilma Rousseff, com 28%; o deputado federal Ciro Gomes (CE), pré-candidato do PSB, com 12%; e a pré-candidata do PV, senadora Marina Silva (AC), com 8%. Na mostra anterior da Datafolha, divulgada em dezembro de 2009, Serra tinha 37%; Dilma 23%; Ciro 13%; e Marina 8%.

O levantamento foi realizada entre os dias 24 e 25 de fevereiro. Do total de entrevistados (2.623), 9% disseram que vão votar branco, nulo ou em nenhum dos candidatos e 10% informaram que estão indecisos. O levantamento tem margem de erro de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.

Segundo o portal IG, a pesquisa também apresentou um cenário sem a presença de Ciro Gomes. Nessa simulação, aumentam para 38% as intenções de voto em Serra (ante 40% na pesquisa realizada entre 14 e 18 de dezembro); Dilma atinge 31% (ante 26% da pesquisa anterior); e Marina Silva fica com 10% (11% no levantamento de dezembro).

IG assinala ainda que no cenário de segundo turno, numa eventual disputa entre Serra e Dilma, o tucano lidera com 45% das intenções de voto e a petista aparece com 41%. O levantamento realizado em dezembro apontava Serra com 49% das intenções de voto e Dilma com 34%. Em outro cenário de segundo turno, Dilma vence com 48%, contra 26% de Aécio.

De acordo com o Datafolha, o pré-candidato Serra registra o maior índice de rejeição entre os presidenciáveis, com 25%; seguido de Dilma com 23%; Ciro, com 21%; Aécio, com 20%; e Marina, com 19%. A pesquisa avaliou também o índice de aprovação do presidente Lula. Na mostra, a aprovação ficou em 73% (de ótimo e bom). Na pesquisa de dezembro, este índice foi de 72%, o mais alto patamar de popularidade apurado pelo Datafolha.

A pesquisa Datafolha está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob protocolo nº 4080/2010.


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La Negra argentina e sempre saudosa Mercedes Sosa interpreta uma bela poesia musicada do chileno Julio Numhauser.É a música deste sábado no Bahia em Pauta.
(Vitor ugo Soares)

 

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27
Posted on 27-02-2010
Filed Under (Artigos, Janio) by vitor on 27-02-2010

Ubaldo: lagartos, lagartixas e calangos

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CRÔNICA/TRIBUTO


DEIXEM UBALDO EM PAZ

Janio Ferreira Soares

Apesar de continuar achando que tudo não passa de mais um belo lance eleitoral criado pelos marqueteiros do governo Wagner – certamente apoiado por algum desafeto de João Ubaldo, talvez com raiva por ter levado ao pé da letra o seu romance O Sorriso do Lagarto, e após meses em busca de uma lagartixa feliz só ter encontrado calangos balançando cabeças como se afirmando sua tendência à estupidez -, peço licença (com ar de vênia, em homenagem ao professor Manoel Ribeiro), para meter o bedelho nesse furdunço político-sentimental-arquitetônico que começou depois do anúncio da construção da ponte Salvador-Itaparica, embora eu ache que ela continuará hibernando na prancheta dos sonhos.

Não estou aqui defendendo ou condenando nada, até porque a única ponte que interessa por essas bandas (alô, Aninha Franco!) é alguma que leve a miséria e o analfabetismo para bem longe do sertão e na volta desemboque num desses lugares de sonho que aparecem na propaganda do governo da Bahia – tipo Itacaré. Só acho que velhos baianos como João Ubaldo, Cid Teixeira, Waldir Pires, J. C. Teixeira Gomes, Caetano, Gil e tantos outros, merecem, independentemente de ideologias, um mínimo de consideração. Quando não pelas opiniões, pelo menos pelo jeito bacana de levar a Bahia por aí.

Não conheço João Ubaldo pessoalmente apesar de ter tido um belo álibi para fazê-lo quando, meses atrás, eu estava no Rio e ao sair da livraria Argumento com seu último livro, O Albatroz Azul, o avistei com amigos no boteco Tio Sam. Confesso que se não fosse minha timidez, teria puxado um papo de autógrafo e me apresentado como o cara que, tempos atrás, trocou alguns e-mails com ele a respeito de um artigo publicado no jornal A Tarde, onde eu brincava sobre o que teria acontecido se, em vez de ter ido para Salvador e conhecido Glauber, ele continuasse estudando em Aracaju. Nesse caso, essa ponte seria unanimidade, este artigo não existiria e os lagartos continuariam tristinhos, coitados, apenas balançando suas cabeças e rabos para os imbecis de plantão.

( Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismoe de Paulo Afonso(BA), na região do Vale do São Francissco)

fev
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Posted on 27-02-2010
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 27-02-2010

No artigo que assina neste sábado na Tribuna da Bahia o jornalista político Ivan de Carvalho assinala em sua antenada coluna que de acordo com os rumores de bastidor, embolou – mais do que já estava – a composição da chapa de candidatos às eleições majoritárias liderada pelo governador Jaques Wagner.

Um pouco mais de tempo (provavelmente pouco) ainda será necessário para que se decidam as coisas. No entanto, manifestam-se no PT resistências, principalmente na bancada federal, mas não só nela, à inclusão de César Borges na chapa. É o que alguns já consideram a dança do Rebolation, sucesso do carnaval e DO verão baiano chjegando à sucessão. Confira.

( VHS )

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A dança da sucessão no governo

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OPINIÃO POLÍTICA


REBOLATION NA CHAPA GOVERNISTA

Ivan de Carvalho

De acordo com os rumores de bastidor, embolou – mais do que já estava – a composição da chapa de candidatos às eleições majoritárias liderada pelo governador Jaques Wagner. Um pouco mais de tempo (provavelmente pouco) ainda será necessário para que se decidam as coisas.

Parece que a única coisa certa, imutável, é a candidatura do atual governador à reeleição.

Uma das questões ainda a receber um ponto final é a candidatura à reeleição do senador César Borges, presidente estadual do PR, na chapa encabeçada por Wagner. Há uma tendência muito forte de que o senador venha realmente a integrar a coligação liderada pelo PT, mudando radicalmente o seu alinhamento político anterior.

No entanto, manifestam-se no PT resistências, principalmente na bancada federal, mas não só nela, à inclusão de César Borges na chapa. Parte de alguns que propõem em seu lugar principalmente o ex-governador Waldir Pires (no deputado e secretário estadual Walter Pinheiro não se fala mais). O senador Borges ainda não fez manifestação pública clara a respeito, embora o governador haja sinalizado publicamente no sentido de que é muito provável a inclusão do senador e do PR na coligação.

Outro ponto nebuloso diz respeito ao candidato à outra cadeira de senador. O governador Wagner vinha dizendo que, além da candidatura dele mesmo à reeleição, só o que havia de certo era uma candidatura do PP a senador. Queria com isto dizer que estava acertado que o ex-governador e atual conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios, Otto Alencar, deixaria seu atual cargo, ingressaria no PP e seria candidato a senador. Tudo isso relativo a Otto parece estar mantido, menos a candidatura ao Senado. Rumores mais recentes o colocam entre a disputa da cadeira de senador e o cargo de vice-governador. Motivos pessoais, de saúde e até de “equilíbrio político” na chapa para o Senado poderiam (não estou afirmando que isto ocorrerá com certeza) deslocar Otto Alencar da disputa pelo Senado para candidato a vice-governador. A conferir.

Isso abrirá – ou abriria – espaço para outras mudanças. A deputada e ex-prefeita de Salvador, Lídice da Mata (dizem que está esfuziante), do PSB, que estava ficando escalada mesmo para candidata a vice, embora seu objetivo prioritário fosse o Senado, substituiria Alencar como candidata a uma das duas cadeiras de senador.

Quanto ao presidente da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo, do PDT, primeiro nome pensado para candidato a vice pelo governador, inclusive por ser máximo o grau de confiança pessoal e política de Wagner nele, ficará (ficaria) sem espaço numa chapa Wagner-César-Lídice-Otto. Neste caso, concorreria a mais um mandato de deputado estadual, com a garantia, construída ao longo desses últimos três anos, de uma votação extremamente expressiva. Uma análise rápida de conjuntura na Assembléia – incluindo previsões sobre sua composição na próxima Legislatura – sugere que, uma vez que Wagner seja vitorioso na candidatura à reeleição, Nilo teria chance de eleger-se presidente da Casa pela terceira vez consecutiva, em 2011. E, sabe Deus, até pela quarta, em 2013. Não é permitida mais de uma reeleição para presidente da Assembléia, mas a proibição só vale para a mesma Legislatura, o que não será o caso.

fev
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Posted on 27-02-2010
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O presidente eleito do Chile, Sebastian Pinera, afirmou que 122 morreram devido ao sismo que abalou o país este sábado.A presidente chilena, Michelle Bachelet, que declarou o estado de catástrofe nacional, adiantou recear que só na região de Maule, perto da fronteira com a Argentina, haja mais de 85 mortos.

Já se registaram dezenas réplicas, a mais forte chegou aos 6.9 na escala de Ritcher.

O aeroporto da capital Santiago está fechado e verificam-se cortes de electricidade. A zona histórica foi a mais afectada com alguns edifícios de construção mais antiga a ceder. Também perto da capital ruiu uma ponte sobre uma autoestrada. As comunicações no Chile estão muito complicadas.

Embora não seja ainda possível verificar a amplitude dos estragos, as agências internacionais descrevem um cenário de ampla destruição com muitos danos materiais. A testemunha ouvida pela TSF diz que no sul do país a devastação é muito grande.

A intensidade do sismo pode também medir-se pelas palavras de um habitante da cidade de Temuco, na costa do Chile.

«Nunca na minha vida tinha sentido um tremor de terra assim, parecia o fim do mundo», disse a uma televisão local.

Nesta cidade as pessoas foram retiradas do hospital e vários edifícios apresentam marcas de destruição.

O terremoto , com epicentro a 100 quilómetros da costa chilena, foi sentido também em países próximos, tendo sido dado o alerta de tsunami para todo o Pacífico sul. O sismólogo do Instituto de Meteorologia, Fernando Carrilho, explicou em declarações à TSF, que foi «um sismo de grande intensidade».

«De certa forma era um sismo esperado na costa do Chile, situa-se a 250/300 quilómetros a norte de uma área onde foi gerado o maior sismo até hoje registado em 1960», afirmou.

Segundo o observatório US Geological Survey, dos Estados Unidos, o terramoto ocorreu às 03:34 locais (06:34 em Lisboa), com epicentro a 317 quilómetros a sudoeste da capital do Chile, Santiago e a 115 quilómetros de Concepcion, uma cidade de grande densidade populacional.

(Com informações do Portal TSF, de Lisboa)

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27

Chilenos dormem na rua com medo de terremoto/DN

Até às 11:30h (hora de Lisboa) o USGS tinha registado 14 réplicas do sismo, a mais forte de 6,9 graus e a mais fraca de 5,0.

Embora não seja ainda possível verificar a amplitude dos estragos, o governo dá conta de 76 vítimas mortais e as agências internacionais descrevem um cenário de ampla destruição com muitos danos materiais. .

Além do Chile, o Peru e o Equador – onde o sismo foi sentido – activaram alertas de tsunami e o Japão reactivou o seu.

(Com informações do Poral TSF e jornal Diário de Notícias , de LISBOA)

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Posted on 27-02-2010
Filed Under (Newsletter) by vitor on 27-02-2010

Polícia gaúcha investiga crime

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O velório do secretário de Saúde de Porto Alegre, Eliseu Santos, assassinado a tiros quando retornava para casa depois de participar com a muklher e filha de um culto evangélico , será realizada no salão Julio de Castilhos na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, a partir das 14h deste sábado. A informação foi confirmada pelo deputado Kalil Sehbe ainda na noite de sexta-feira.

O enterro de Eliseu Santos está previsto para as 16h de domingo, no Cemitério Ecumênico João XXIII, na Capital.

— Esse é um reconhecimento a um homem importante na política do nosso Estado. A sociedade gaúcha está consternada com um episódio que machuca a todos — disse o deputado.

Com os olhos marejados, o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, lamentou a morte do secretário de Saúde, Eliseu Santos, assassinado ontem à noite na Capital.

— É um momento de muita dor. A cidade perde muito com essa fatalidade — afirmou, emocionado.

Santos foi vice-prefeito de Porto Alegre na primeira gestão de Fogaça, entre 2005 e 2008. Em 2007, assumiu a secretaria da Saúde. :

O ASSASSINATO

O secretário da Saúde de Porto Alegre, Eliseu Santos, 63 anos, foi encontrado morto na noite desta sexta-feira, na Capital. Homens armados teriam abordado a vítima, que estava dentro do seu carro, no bairro Floresta.

Acompanhado da mulher Denise Goulart Silva e da filha Mariana, ele estava no culto na Assembleia de Deus localizada na Rua General Neto, iniciado por volta das 20h.

Depois de terminada a cerimônia religiosa, por volta das 21h, Eliseu permaneceu ainda por mais cerca de 20 minutos na frente do prédio conversando com amigos. Ele teria inclusive comido um pastel no local, que frequentava desde sua infância.

Os três se despediram dos amigos e saíram em direção ao carro estacionado na Hoffmann. Neste momento, conforme testemunhas, um Vectra (possivelmente prata) saiu da Avenida Cristóvão Colombo e subiu a Hoffmann em direção à Rua General Neto.

A mulher e a filha já teriam entrado no carro e Eliseu ainda permanecia do lado do fora, na porta do motorista, se preparando para entrar quando foi surpreendido pelos criminosos. Ele teria reagido com uma arma, uma pistola calibre .380. A arma não foi levada pelos bandidos e ficou caída perto do corpo.

A perícia encontrou pelo menos sete cápsulas de pistola, deflagradas, próximo à vítima. Os peritos identificaram marcas de tiros no tórax e na cabeça do secretário. Seriam pelo menos três disparos que o atingiram.

Formado na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 1973, Eliseu Santos foi vice-prefeito de Porto Alegre na primeira gestão de José Fogaça, entre 2005 e 2008. Em 2007, assumiu a Secretaria da Saúde em Porto Alegre

(Com informações do jornal Zero Hora, de Porto Alegre)

Velório de Orlando Zapata Tamayo

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Raul Castro e Lula em Havana

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A nostalgia comovente de Célia Cruz

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ARTIGO DA SEMANA

NOSTALGIA DE HAVANA

Vitor Hugo Soares

Das caixas de som do computador explode a voz potente e marcante da cantora cubana Célia Cruz. No vídeo do YouTube ela interpreta pela enésima vez com a mesma força e o mesmo sentimento de sempre – pouco antes da partida definitiva – a dor de seu interminável exílio e da saudade que a distância de Havana lhe provoca. Algumas vezes, antes de morrer, ela disse ser esta uma das preferidas de seu repertório imenso e repleto de muitas das mais belas canções da América Latina: “Nostalgia Habanera”.

Traduzo para o leitor os versos que escuto em castelhano da letra do fabuloso bolero: “Sinto a nostalgia de voltar a ti, mas o destino manda que não pode ser/ Minha Havana, minha terra querida, quando eu poderei voltar a ver-te?… Eu não sei se voltarão aqueles tempos/ de quando eu procurava a tua lua no céu do Malecón?”.

Para Célia Cruz – ela deixou Cuba quando o regime do comandante Fidel Castro começou a entrar pelos primeiros desvios -, aqueles dias com os quais ela sonhava no bolero inolvidável não voltaram. Nem ela retornou a sua Havana querida, sequer a passeio. Morreu em Nova Jérsei, exilada nos Estados Unidos, aos 78 anos de idade e de muito sucesso no mundo inteiro, incluindo o Brasil, que visitou muitas vezes.

Para outro dissidente, Orlando Zapata Tamayo – “negro cubano, bom filho, operário, pobre, e valente cidadão a vida inteira”, como destacou esta semana sua mãe Reina Tamayo repetidas vezes com dor e orgulho – o destino parece ter sido mais cruel. Tamayo, de pouco mais de 40 anos, que preferiu ficar e gritar o seu protesto entre Olguin e Havana, também perdeu para sempre a lua do Malecón: o recanto poético e de histórica beleza na capital cubana pelo pôr-do-sol e pelas noites enluaradas.

Depois de cumprir 7 anos de cárcere dos 30 a que havia sido condenado por crime político de “desobediência civil” – com seguidas denúncias de maus tratos a ele e a mais de uma centena de “prisioneiros de consciência” – Zapata Tamayo morreu na última terça-feira, depois de 85 dias de uma greve de fome.

Após denúncias de grupos de defesa dos direito humanos, incluido a Anistia Internacional- AI, o preso foi levado às pressas para um hospital de Havana e colocado em tubos de soro contra a sua vontade. Mas já era tarde demais.

Célia Cruz pára de cantar e saio da frente do computador para passar água nos olhos vermelhos, provavelmente por causa de algum desses ciscos irritantes que nessas horas insistem em incomodar. De volta sigo no vício de todo blogueiro: navego por Havana e pelo mundo, via Internet, para observar reações diante do que acontece nestes dias mais nostálgicos que nunca em Cuba.

O país governador pelos irmãos Castro, como escuto em algumas entrevistas de rádio e TV mundo afora, ou nas páginas dos jornais nas edições online, que começam a noticiar a morte do preso político. Principalmente nos veículos de Madri, Paris, Londres, Nova Iorque e Lisboa.

Por aqui, como de hábito, notícias como esta, principalmente sua contextualização e repercussões sempre demoram mais a chegar, sabe-se lá porque cargas d’água. Mesmo quando o fato acontece no mesmo dia em que desembarca em Havana em “viagem de amizade e solidariedade ao governo e ao povo de Cuba”, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado de comitiva repleta de jornalistas de diferentes órgãos de comunicação, incluindo os oficiais.

Nos jornais do dia seguinte lá está a imagem dos sorrisos do presidente Lula em visita ao não menos sorridente comandante Fidel Castro, aparentemente vendendo saúde, depois da grave doença que o afastou do comando direto do País, transferido ao irmão Raúl. No encontro com Fidel, nenhuma palavra para publicação sobre a morte de Orlando Tamayo.

Mas fatos com tal gravidade cobram responsabilidades e explicações de governantes, principalmente nas circunstâncias dolorosamente trágicas da morte de Tamayo, e de sua forte repercussão mundial. Ainda mais quando está de visita a Havana um personagem simbólico das lutas e dos governos democráticos do continente – o presidente Lula. Ele formalmente lamenta a morte do preso, embora afirme não entender como ainda hoje alguém “se deixa morrer em uma greve de fome”, tipo de protesto que condena agora por já ter feito antes: “Por experiência própria”, como ressalta na entrevista mostrada de Cuba no Jornal Nacional, na TV Globo.

As imagens da americana CNN, no entanto, são mais contundentes. Mostram Raúl Castro em seu discurso gritado e nervoso – marcados pelos rictos de violência no rosto, e arrogância ameaçadora nos gestos mal contidos – tentando explicar a Lula ao seu lado e ao mundo inteiro, “que em Cuba ninguém morre por maus tratos”. A imagem do presidente do Brasil, na CNN, também é impressionante, por outro motivo: Visivelmente constrangido, Lula parece indeciso: não sabe se ri ou se chora diante do discurso patético do amigo e colega Raúl”.

Volto à voz de Celia Cruz, em “Nostalgia Habanera”: “Havana, quanto desejo voltar e ver tuas praias/ Havana, e voltar a ver tuas ruas a sorrir/ Havana, apesar da distância não te esqueço/ Havana, por ti sinto a nostalgia de voltar”. E o soluço saudoso, melancólico e emblemático do final: “Havana!”.

O cisco no olho volta a incomodar e desligo o computador.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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