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Postado em 26-02-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 26-02-2010 17:58

Rio das Pedras “esgoto a ceu aberto no Imbuí”
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Em seu artigo desta sexta-feira o jornalista político Ivan de Carvalho comenta um fato que cairia no terreno do inacreditável se não não fosse aqui a terra dos maiores absurdos, como aformava Otávio Mangabeira, relacionado à canalização e urbanização do Rio das Pedras, no populoso bairro do Imbuí, em Salvador., Para ser franco e verdadeiro, diz Ivan ; no texto de arrepiar que Bahia reproduz, o Rio das Pedras (ou Rio Cascão, nome antigo) nada mais é do que um esgoto a céu aberto.Confira a história bem típica de tempos eleitorais na parte da Bahia que parece imutável.

(VHS)

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Opinião Política

INGÁ PERSEGUE IMBUÍ

Ivan de Carvalho

Seria absolutamente inacreditável se fosse apenas contado e não estivesse acontecendo mesmo a conduta do Ingá – um órgão da administração estadual – em relação à canalização e urbanização do Rio das Pedras, no populoso bairro do Imbuí, em Salvador, a cargo da prefeitura com recursos repassados pelo governo federal por intermédio do Ministério da Integração Nacional, cujo ministro é Geddel Vieira Lima, candidato do PMDB à sucessão do governador Jaques Wagner.

Para ser franco e verdadeiro, o Rio das Pedras (ou Rio Cascão, nome antigo) nada mais é do que um esgoto a céu aberto. E, como esgoto, empesteando o bairro com os produtos habituais dos esgotos – ratos, baratas, cobras, enxames de muriçocas, fedor – este insuportável em certas áreas, a exemplo das proximidades do shopping-center Caboatã. Tenho um razoável conhecimento dessas coisas como um dos 80 mil a 100 mil moradores do bairro.

Pois então a prefeitura, com a ajuda do Ministério da Integração Nacional, resolve executar obras que envolvem desde as bacias de captação próximas ao Condomínio Amazonas, no lado oposto da Avenida Paralela, até o canal, paralelo à Avenida Jorge Amado, que corta o bairro do Imbuí. Decidiu a prefeitura fazer o que é normal fazer com esgotos – canalizar, impedindo que aquelas pragas já mencionadas continuem ativas. O Imbuí é, historicamente, um dos focos do aedes aegypti, que transmite dengue e pode transmitir febre amarela.

Mas a prefeitura resolveu, no seu projeto, ir mais adiante. Além de transformar o esgoto a céu aberto em um esgoto devidamente acondicionado, incapaz de espalhar seus venenos para as adjacências, planejou transformar o espaço conquistado à sujeira numa área urbanizada, agradável, apropriada para o bairro cuja característica principal é ser vertical e ter escassez de áreas urbanizadas de uso público. Assim, realiza a principal obra municipal na capital no momento.

Então apareceu o Ingá, supostamente preocupado com duas ou três sucuris e meia dúzia (não estou minimizando, quis dizer meia dúzia mesmo) de piabas sobreviventes da sujeira. Nem sucuris nem piabas são animais em extinção, diga-se de passagem, como não muito de passagem é preciso dizer que essa preocupação com bichos é competência de outro órgão estadual, não do Ingá.

Pois o Ingá ficou todo preocupado com a hipótese da canalização e da cobertura do rio com placas de concreto tirarem das duas ou três sucuris (se ainda existem), da meia dúzia de piabas e, suspeito, dos milhares de ratos e baratas e milhões de larvas de mosquitos o oxigênio de que precisam. É improvável que o presidente do Ingá, que é candidato a deputado federal, espere eleger-se com os votos desses bichos, mas a ação insana (insana porque contrária à sanidade ambiental visada pela obra da prefeitura) permite visibilidade a esse candidato e ao órgão que dirige. Propaganda, a alma do négócio. Porque, se não for esta a razão da resistência, a outra seria ainda pior.

Ora, se o Ingá queria o Rio das Pedras a céu aberto, por que não intimou a Embasa (Empresa Baiana de Águas e Saneamento) a promover tal saneamento, trabalho que a gente sabe muito bem que nunca será feito.

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Comentários

rosane santana on 26 Fevereiro, 2010 at 23:01 #

Olha Ivan,
Nao sou a favor do Inga. Tenho serias restricoes a ambientalistas adeptos do oba-oba, que nao sei se e o caso especifico do Inga. Mas, as obras que a prefeitura realizou na Centenário e esta realizando no Imbui, enquanto resultado, sao verdadeiros cacetes armados. Visitei a obra do Imbui na noite de quinta-feira, antes de embarcar para Sao Paulo. A da Centenario, no sabado passado. Verdadeiro cacete armado. Os baianos merecem mais respeito dessa turma que esta na prefeitura, inclusive seus idealizadores. Vao deixar um legado de destruicao em toda parte, de doer, para quem tem um minimo de bom senso, ja nem digo inteligencia. E agressao por toda parte. Essa gente nao tem moral para criticar o aumento da violencia, porque essas acoes que praticam, com intervencoes na cidade, sao absurdamente violentas aos sentidos e so podem gerar mais violencia. E o pior e a mudez de orgaos que deveriam se manifestar, mas estao mudos. Salvador e uma decadencia so. Triste!


Lucas Jerzy Portela on 26 Fevereiro, 2010 at 23:04 #

o Rio Cascão (e não Rio das Pedras), que passa pelo Imbuí, é o rio urbano brasileiro em mais avançado processo de despoluição e revitalização.

só perde pro Rio das Velhas, em Belo Horizonte, MG.

Tapá-lo seria um crime se não estivesse sendo despoluido – estando, é mais do que crime. É inominável.

Acho graça: a Prefeitura descumpre acordo com o Ingá e quem está errado? Ah, o Ingá, é claro…

catiguria esse jornalismozinho bahiano…


rosane santana on 26 Fevereiro, 2010 at 23:09 #

Caro Lucas, Vsa da provas continuas que tem péssima formacao em lingua portuguesa. Nao sabe ler as entrelinhas ou tem por habito agredir por prazer ou, nao se sabe, por subserviencia.


Wilson Santos on 28 Fevereiro, 2010 at 11:11 #

O Sr. Lucas Jerzy Portela quando afirma que “o Rio Cascão (e não Rio das Pedras), que passa pelo Imbuí, é o rio urbano brasileiro em mais avançado processo de despoluição e revitalização.” em seguida cita “Tapá-lo seria um crime se não estivesse sendo despoluido – estando, é mais do que crime. É inominável.” deve estar querendo provar seu profundo grau de ignorância dos fatos. Onde ele viu algum processo de despoluição do Rio.
Sr. Carlos certamente não deve morar região, não sabe o que significa “processo de despoluição” ou gosta de se expor ao ridículo.


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