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Postado em 26-02-2010
Arquivado em (Artigos, Eventuais) por vitor em 26-02-2010 10:26

Emiliano José: revelação

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DEU NO TERRA MAGAZINE:(25/O2/AO1O)


Waldir Senador: a voz da Bahia

Emiliano José

De Salvador (BA)

A política é fascinante também pelo que ela tem de revelador da natureza humana, da diversidade do humano. Nada do que é humano me é estranho. É de Terêncio (Publius Terentius, dramaturgo do Império Romano antes de Cristo). Nada mais próprio se aplicado também à política. Quando soube de uma pichação que me dizia eleitor do senador César Borges, pensei nisso. Não atinei completamente sobre as intenções de quem se dedicou à pichação. E não fiquei a me perguntar de quem seria a iniciativa.

A pichação tinha um quê de irônico. De engraçado. Pela impropriedade da formulação. Confesso que cheguei a rir quando vi a pichação estampada no Política Livre, do meu amigo Raul Monteiro. Talvez, quem sabe, do ponto de vista político, quisessem provocar uma reflexão minha sobre a situação política do nosso Estado, sobre as próximas eleições e, de modo especial, sobre a chapa ao Senado.

Houve os que me aconselharam a não morder a isca.

Mas, homem público deve esconder suas posições?

Ou deve sempre revelar o que pensa, o que defende?

Lamento que haja os que se escondem atrás ou na frente dos muros, os que preferem o anonimato. Eu gosto sempre é do debate aberto, público, à luz do dia, sem tergiversações.

Nós derrotamos uma oligarquia cruel, autoritária, que não tinha qualquer respeito pela coisa pública, para dizer o mínimo. Uma oligarquia que nos legou índices sociais inaceitáveis, criminosos. Este primeiro mandato do governador Wagner está representando uma mudança radical na vida da Bahia, seja no plano dos valores políticos, do respeito profundo à democracia, seja no plano das condições de vida do nosso povo. O governador Wagner sabia, como é da política do PT, que deveríamos realizar um governo de coalizão, e assim temos feito.

O que impressiona em Wagner, mais do que obras, que são muitas, é a sua convicção de que mais vale a afirmação de novos valores – a consolidação dos valores democráticos. Ele diz isso com freqüência. Suas convicções republicanas e democráticas são sólidas. Num artigo que escrevi recentemente, eu lembrava que a nova hegemonia que está sendo construída no Estado leva, sobretudo, essa marca: a da afirmação da democracia no sentido mais substantivo.

É uma mudança cultural que está em andamento. Passo a passo, Wagner, ao lado do nosso partido, está construindo persistentemente essa nova hegemonia. Uma hegemonia que não se faz no grito, que descarta o autoritarismo, que apenas afirma a autoridade pelo que ela tem de mérito e de força junto ao povo. Diria, para pensar um pouco teoricamente, que Wagner vai num passo gramsciano, trincheira por trincheira, conquistando corações e mentes do nosso povo, e por isso tem se afirmado como a nova e grande liderança política do povo baiano.

Temos convicção, o PT tem, de que as nossas grandes tarefas políticas são eleger Dilma presidente, Wagner governador. E que para tanto devemos fortalecer uma ampla frente política de alianças, como temos feito. Temos o privilégio de termos o governador Wagner à frente dos destinos da Bahia. E não é preciso dizer o quanto Wagner tem de fidelidade ao PT, do qual é um dos fundadores e uma de suas principais lideranças.

O Senado, se olharmos para o quadro da grande política, não pode ser visto como uma Casa secundária. Nosso partido precisa tanto eleger uma grande bancada de deputados federais, de deputados estaduais, quanto tem obrigação de aumentar o número de senadores comprometidos com o intenso processo de mudanças em curso no Brasil. Temos visto o quanto de dificuldades o governo Lula tem tido naquela Casa.

O Senado precisa ser uma casa de sustentação do próximo governo Dilma e, no caso da Bahia, precisamos ter uma voz que defenda o segundo mandato do governador Wagner, os interesses do Brasil e os interesses da Bahia. Essa voz, tenho defendido com convicção, é a de Waldir Pires.

Falo de um político também raro, pelo seu extraordinário compromisso com a democracia, pela sua capacidade, pelo conhecimento que tem do mundo, do Brasil e da Bahia. Um político que subordina tudo aos projetos amplos do País. Que acompanha Lula desde 1989. E que ocupa cargos públicos desde o início dos anos 50, sem nunca ter se desviado, um minuto que seja, do caminho democrático.

Foi, junto com Darcy Ribeiro, o último homem a deixar Brasília quando do golpe de 1964. Passou anos no exílio. Foi e é até hoje um dedicado servidor da Bahia. Tem uma vida dedicada à nossa terra como secretário de Estado, professor universitário, deputado federal, governador. Ou como simples militante da democracia. E cuja vitalidade, dinamismo, capacidade de raciocínio e de análise sobre o País e o mundo, impressiona a quem quer seja que o ouça falar.

A política é parte de sua vida, e aqui, em Waldir, a política ganha a amplitude que merece, a dimensão que merece. Nele, a política assume a sua extraordinária missão civilizatória. No governo Lula, foi ministro do Controle e da Transparência, consolidando a Controladoria Geral da União, que se tornou um exemplo para o mundo no combate à corrupção. E foi também ministro da Defesa.

A Bahia, ao tê-lo como senador, terá uma voz ativa e altiva no Senado. Dilma o terá defendendo os interesses fundamentais do governo e do País. O governador Wagner e a Bahia o terão como uma voz poderosa, uma voz presente, atuante, capaz sempre de descortinar horizontes, de enfrentar os desafios postos pela história.

Não seria um orgulho extraordinário ter uma voz como a de Waldir no Senado?

Sem dúvida, seria.

Ainda mais quando se sabe quem em 1994 ele teve nitidamente um mandato roubado pelo carlismo, que conseguiu eleger um personagem absolutamente obscuro pelos artifícios da fraude, e uma fraude escandalosa.

Seria um resgate histórico, um grande resgate histórico.

Emiliano José é jornalista, ex-preso político e deputado federal (PT-BA). Site: www.emilianojose.com.br .

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 26 Fevereiro, 2010 at 17:28 #

Sei nao…

Daqui de longe, é fácil compreender a estima, e até mesmo a reverência.

Afinal, Waldir Pires foi contraponto de ACM, e este sabidamente dividia os eleitores entre o ódio e o amor.

Agora, causa espécie, que ainda se queira fazer resgate via urna. como se Waldir fosse ainda um exilado, que sua biografia não contasse com participações em cargfos de destaque, iunclusive no governo que finda, sendo que, a última, terminou em vexame, basta lembrar a fala do nada educado ‘Ministro da Sucuri”, por ocasião da transmissão do cargo.

Waldir já adquiriu a condição de “acima do bem e do mal”, que o atestem seus 84 anos a caminho dos 85, e a sua extensa biografia política.

É, e sempre será, ao que transparece da crônica especializada, merecedor de homenagens de toda roupagem.

Mas…, investir o patrimônio do voto, dos baianos, numa candidatura cujo ideário é o resgate, ou a homenagem, parece ser equívoco e inapropriado.

Ainda mais quando deparamos com declarações do tipo:

“- Espero poder conversar com o governador e manifestar a minha posição dentro do PT. Não é uma aspiração de natureza pessoal, mas para se preservar o que se conquistou no século XX. É a própria continuidade democrática de Lula, para consolidar a derrota ao neoliberalismo que reduziu a administração pública a questões financeiras, de contabilidade” (Waldir Pires, aqui no BP em entrevista ao Cláudio Leal)

Tem o velho político direito de ser ingênuo?

Pode um candidato ao senado pela Bahia ignorar a realidade?

Afinal, ao contrário do que afirma, é em Lula e seu governo que os pilares econômicos do neoliberalismo encontrou seu refúgio. Lula repete, e aperfeiçoa, o pior de FHC, mantendo uma avassaladora transferência de renda ao sistema financeiro.

Já é hora de Waldir tornar-se referência do passado, visto que, ao que emerge de seus discursos, o presente de há muito lhe resta incompreensível.

Sei não… como pode testemunhar VHS, sou “estrangeiro” na Bahia, mas ainda creio reconhecer um discurso equivocado, e um desejo de apenas afirmar que ainda é presente, embora, esteja contido no passado quase que perfeito.

Ou não?


luiz alfredo motta fontana on 26 Fevereiro, 2010 at 17:37 #

errata:

em cargfos de destaque, iunclusive = em cargos de destaque, inclusive

que os pilares econômicos do neoliberalismo encontrou = que os pilares econõmicos do neoliberalismo encontraram


danilo on 27 Fevereiro, 2010 at 2:05 #

a politica baiana está pegandp fogo com as loucas intenções eleitorais do PT em fazer aliança com carlistas puro sangue. fala-se até que Emiliano José lança o nome de Waldir Pires para o senado com a intenção de ser o seu suplente.

hummm isto tá cheirando mal.

a Bahia democrática sempre votou em Waldir e por mais que sua candidatura ao senado em 2010 tenha um merecido caráter de resgate simbólico, esta iniciativa também é um desrespeito para com a Bahia que anda tão carente de ação política no plano federal.

tentar eleger um homem de 84 anos e já com o peso da vida a lhe impor limites não seria aprofundar este atual inanição do nosso estado?

já temos João Durval no Senado e ninguém duvida que ele deve ter as melhores das intenções, mas o peso da idade não ajuda.

precisamos de renovação.


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