fev
25
Postado em 25-02-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 25-02-2010 10:45

Geddel e Wagner: debate à vista

================================================

Debate à vista entre o governador Jaques Wagner (PT) e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), antes do horário eleitoral gratuito? Quem sabe? O jornalista político, Ivan de Carvalho fala sobre essa possibilidade no artigo que assina nesta quinta-feira em sua coluna na Tribuna da Bahia.

Na cerimônia de “inauguração” ou entrega de 350 novas viaturas policiais, exibidas como em governos anteriores na Avenida Paralela, o governador Jaques Wagner desafiou para um debate os críticos da segurança pública na Bahia.Via twitter, como registrou Bahia em pauta, o ninistro Geddel topou o convite na hora, com velocidade digital.

Vale registrar que o desafio do governador é benéfico para a sociedade e precisa mesmo ser realizado, opina Ivan em seu artigo, que Bahia em Pauta reproduz.

(Vitor Hugo Soares ).

=====================================================

OPINIÃO POLÍTICA

O DESAFIO DO GOVERNADOR

Ivan de Carvalho

Na cerimônia de “inauguração” ou entrega de 350 novas viaturas policiais, exibidas como em governos anteriores na Avenida Paralela, o governador Jaques Wagner desafiou para um debate os críticos da segurança pública na Bahia.

Como informa o blog Bahia em Pauta, “as palavras não foram lançadas ao vento”. Aspirante do PMDB à sucessão de Wagner nas eleições de outubro deste ano, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, resolveu levar o discurso do governador petista a sério (como, aliás, devem ser levados a sério os discursos dos governadores, com exceção, conforme já demonstrou a prática, dos feitos pelo governador preso José Roberto Arruda, do Distrito Federal).

No twitter e em seu blog, Geddel aceitou o desafio: “Governador quer debater segurança? Marque hora e local. Tenho legitimidade para criticar e a mim não vão perguntar “por que não fez?”. Eu aceito o desafio”, insiste Geddel.

Certamente, se lançou o desafio, o governador, que naturalmente não estará pensando em fugir do debate que propôs, estará convicto de que tem elementos e argumentos para enfrentar as críticas, que são extremamente pesadas e vão desde o nível dos investimentos feitos no setor (apesar das 350 novas viaturas, dos 1350 novos integrantes da Polícia Militar e até, por que não, do polêmico Guardião) até o crescimento constante e acelerado dos índices de criminalidade, especialmente nas modalidades em que é usada a violência.

Convém ressalvar que, quanto à disseminação do tráfico de drogas e do tráfico de armas que o negócio das drogas ilegais enseja, uma enorme parte da culpa ou responsabilidade não assumida cabe ao governo federal – ao presidente Lula e ao Ministério da Justiça, bem como à legislação pertinente, que deveria ser feita por um Congresso Nacional dominado, na Câmara e no Senado, pelas forças governistas. Aí faltaram ações práticas no âmbito administrativo, como o controle de fronteiras, e vontade política do governo Lula para adequar a legislação ultrapassada. Mas isto não retira a responsabilidade do governo estadual, apenas a divide.

Dificilmente o ex-governador Paulo Souto, do DEM, e aspirante, tal qual Geddel, a voltar ao cargo, não vai querer ficar fora desse debate. A ele, como insinuou o ministro, implicitamente, poderá ser perguntado “por que não fez?”. Mas Souto tenderá a entrar no debate fazendo comparações, principalmente entre o seu último mandato de governador e o governo atual, no âmbito da segurança. Wagner terá que buscar elementos e argumentos para enfrentar essa comparação. Possível, mas nada fácil, pois o cidadão sente um forte aumento da insegurança pública e é isso que estará ocupando sua mente aos ouvir críticas, comparações e defesa.

Vale registrar que o desafio do governador é benéfico para a sociedade e precisa mesmo ser realizado. Os três candidatos – e mais, a exemplo do deputado Luiz Bassuma, candidato a governador pelo PV – estarão prioritariamente buscando assegurar votos nesse debate, mas ganhará a sociedade na medida em que ele conduza, menos a diagnósticos acadêmicos, e mais a medidas práticas que se possam adotar a curto e médio prazos para atenuar significativamente o problema e inverter as tendências tenebrosas atuais.

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos