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Postado em 24-02-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 24-02-2010 22:13

Delúbio: único forçado a sair

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Em sua coluna desta quarta-feira na Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho fala de dois escândalos e a diferença de tratamento entre eles:o Mensalão do PT e o Mensalão do DEM. Ao registrar a recente eleição do ex-ministro chefe da Casa Civil ,Jose Dirceu , para o diretório nacional do Partido dos trabalhados, o colunista lembra que só o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, foi forçado a sair do partido, ganhando depois o prêmio de consolação de ser chamado por Lula de “nosso Delúbio”. Bahia em Pauta reproduz o testo de Ivan de Carvalho. (VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

Diferenças dos Mensalões

Ivan de Carvalho

Há certeza de que o escândalo de corrupção em curso no governo do Distrito Federal e adjacências, já apelidado de Mensalão do DEM, envolvendo a sessão distrital deste partido no DF, será, naturalmente, objeto de exploração eleitoral pelos adversários da coligação a que os democratas estarão integrados na disputa pela presidência da República e que deverá ter na cabeça de chapa o governador paulista José Serra, do PSDB.

Essa previsível exploração terá como objetivo principal fazer parecer que, no item da corrupção, “é todo mundo igual”, que o eleitor não tem escolha e pode trocar uns pelos outros sem pedir troco. Isto porque o governo federal e o PT, que tem a ministra Dilma Rousseff como candidata apadrinhada pelo presidente Lula, produziu antes o escândalo do Mensalão, cuja denúncia da procuradoria geral da República foi recebida pelo STF, mas dormita nas gavetas do tribunal, dando margem à prescrição de crimes denunciados.

Convém lembrar que o Mensalão, denunciado inicialmente pelo presidente do PTB, então deputado Roberto Jefferson (que não estava alheio ao esquema do Mensalão), ao presidente Lula, colocou a este num nível desesperador de desprestígio popular. Só não foi iniciado um processo de impeachment porque o PSDB – recusando-se a adotar a linha proposta pelo aliado DEM – resolveu botar panos quentes, na esperança de enfrentar, em 2006, um presidente “sangrando”, com a popularidade no fundo do poço. Mas com a estranha desculpa de que “não sabia de nada” – apesar do aviso prévio de Roberto Jefferson – Lula recuperou-se.

E o PT passou a mão na cabeça de seus mensaleiros, ou quadrilheiros, para usar a expressão do ministro Joaquim Barbosa, do STF, que apontou o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, como “chefe da quadrilha”. Só o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, foi forçado a sair do partido, ganhando depois o prêmio de consolação de ser chamado por Lula de “nosso Delúbio”.

Hoje, José Dirceu está eleito para o novo Diretório Nacional do PT e fala a todo momento como uma das maiores lideranças políticas do partido. E ele é isso. José Genoíno, que era o presidente do PT na época do mensalão, é deputado federal. Eu poderia multiplicar os exemplos.

Mas vamos às flagrantes diferenças entre o Mensalão e o Mensalão do DEM, que o espaço é escasso. 1) A direção nacional do DEM ia expulsar o governador Arruda do partido, o único governador que tinha. Ele cancelou sua filiação na véspera. Ontem, o vice-governador Paulo Otávio também cancelou sua filiação para não ser expulso e renunciou ao mandato. 2) O Mensalão foi de âmbito nacional, o Mensalão do DEM restringe-se, até agora, à seção distrital do DF. 3) O Mensalão do DEM do DF é um horror, mas está sendo enfrentado de modo severo pelos democratas, ao contrário do outro, que teve o governo federal e o PT para “passar a mão” sobre a cabeça dos implicados, numa atitude do tipo, vão (ou fiquem?), vossos pecados estão perdoados, nós vos abençoamos.

Há outras diferenças, claro. A serem abordadas mais adiante.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 24 Fevereiro, 2010 at 22:55 #

E por falar em diferenças…
O articulista afirma e finaliza:

“Há outras diferenças, claro. A serem abordadas mais adiante.”

Além destas , o que desperta a atenção, ao menos do leitor afeito à lógica e aos fatos, é uma peculiaridade do nosso Fisco.

Incrível1 Os diligentes fiscais do fisco, o trocadilho é obrigatório, ao que parece, sofrem de hipermetropia fiscal.

A crônica política do Distrito Federal é pródiga em destacar, aqui e ali, afora o acolá, a rapidez com que grandes fortunas surgem na aridez do cerrado, abençoando este ou aquele exemplo de liderança emergente e insurgente.

Mas… nenhuma autuação, nenhuma explicação, e o pior, nenhuma demonstração de preocupação, mesmo que apenas formal.

Aqui a hipermetropia, a incapacidade de enxergar o que é próximo, atestando assim, pela omissiva atuação e ausente autuação, repita-se, a “normalidade” dessa magia “candanga”, um autêntica linha de produção de “novos ricos”.

Diferenças existem, mas não partidárias, e sim no fato de que, em Brasília, ao que presume o enredo, é tão normal “progredir” que até mesmo conjugar verbos como “disfarçar” tornou-se prática “démodé”


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