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Posted on 22-02-2010
Filed Under (Aparecida, Artigos) by vitor on 22-02-2010

Dirceu: em movimento

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OPINIÃO POLÍTICA

ZÉ DIRCEU NAS ENTRELINHAS

Aparecida Torneros

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Ler sobre o Zé Dirceu, requer saber reler as entrelinhas da sua história. Políticos, os há, de toda sorte, ordem, origem, identificação ideológica, trajetória baseada em sorte ou oportunidade,perseverança, estilo próprio, carisma que vem de berço, ou crescente ao longo dos anos, com simpatia respeitável ou questionável antipatia, arrogância detestada ou coragem admirada, liderança reconhecida, capacidade de engendrar estratégias e de conciliar acordos, narcisismo acalentado, poder de persuasão, olhar futurista, sorriso largo ou contido, palavra amena ou arrebatadora, postura e presença constantes, arroubos defensivos e ataques desfechados para atiçar ou derrubar inimigos.

Um dos personagens em questão poderia ser qualquer bom profissional da política internacional ou nacional, com o nome citado nas primeiras páginas dos principais jornais que informam sobre a vida que circula nos meandros do poder de nações ou povos ao redor do mundo e precisamente nos bastidores da performance eleitoral que o Brasil assume em regime de arregimentação de votos ou de simpatizantes que gerem votos para que se atinja objetivos plenos de vitórias em pleitos espalhados em cidades, estados, regiões, rincões longínquos, lugares onde a brasilidade sacode ideias e expectativas, sob a égide do embate de idéias, atitudes, propostas, números alcançados , índices atingidos, qualidade de vida ampliada ou melhorada ou ainda sonhada por centenas de milhares de criaturas cuja necessidade maior parece alicersar-se na confiança que depositara em alguém que os protegera muito mais do que os representara em postos ou cargos de comando.

Percebe-se que há desses políticos, em forma e conteúdo, sim, deles, existem aos milhares, pelo mundo, nas histórias contadas em livros biográficos ou romanceados, e nos relatos memoráveis dos bastidores, que um dia, podem virar filmes de grande circuito, porque as historias de políticos lendários como é o caso do Zé Dirceu, rendem sinopses atraentes ao mesmo tempo em que incitam a curiosidade dos públicos mais diversos e atentos

Um brasileiro cuja história pessoal se confunde com as últimas 5 décadas da vida nacional, tal a sua vocação de fênix a ressurgir dos rolos compressores em que se viu metido ao longo dos tempos, nas perseguições da ditadura militar, na vida clandestina, na cassação, no ressurgimento à luz do comando do PT, por dezenas de anos, no papel fundamental que exerceu durante as campanhas que levaram o presidente Lula ao topo do Poder, e ainda, no efeito avassalador que a informação e a contra-informação exerceram no episódio apelidado de “mensalão”, que, a partir de 2005 espocou como se fora um meteoro gigante a bombardear a vida republicana em pleno mandato do poder petista, prato cheio para a oposição aturdida.

Interessante ler e reler o noticiário que nestes dias explode na mídia nacional trazendo a figura do Ze Dirceu para o primeiro plano novamente:
José Dirceu diz que vai subir no palanque ao lado de Dilma O Globo; Dilma sobre Zé Dirceu, “Ele é um dirigente do partido e como tal … Jornal Feira Hoje; Lula diz: Dilma é para 2 mandatos, e acrescenta:quando aconteceram todos os problemas que levaram o companheiro José Dirceu a sair do governo, eu não tinha dúvida de que a Dilma tinha o perfil para..; O Globo 09/02/10:
Dirceu sai para o confronto com FHC; A volta de Dirceu: A Tarde On Line – ?25/01/2010?, Os adversários do PT, tem na “reabilitação” do ex-ministro e deputado cassado José Dirceu, uma boa artilharia. Zé Dirceu circulou recentemente como um icone…

Ler sobre o Ze Dirceu implica em reler sua própria historia na vida brasileira com altos e baixos e com pinceladas ora romanceadas e ora realistas, e, na maioria das vezes, entremeadas com releituras sobre a furia e a intensidade com que a os veículos o assediam, o abordam, o reinterpretam, o nomeiam, tentam desvenda-lo e ainda, no auge da comunicação massificada, tentam enquadra-lo a modelos pré- estabelecidos.

O que se passa [ e que o Dirceu, político, ex presidente e fundador do PT, ex ministro do Lula, ex deputado federal, atual dirigente do seu partido, militante assumido das suas idéias, em última análise, foge aos modelos convencionais, tem no seu caminho ora pedregoso e ora vitorioso uma certa capacidade de estarrecer e surpreender, exercendo a magia dos bruxos, a competência dos bons estrategistas ou o domínio consciente e inquietante dos guerreiros, para a satisfação dos seus correligionários e a perda do sono das noites dos seus adversarios.Sua volta alvoroça a midia e aquece as falas dos especialistas, mas sobretudo, demonstra que ainda há muito a rever, reler ou renascer a partir desta figura lendária, chamada Jose Dirceu de Oliveira e Silva.

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária

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Kassab: efeito suspensivo

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DEU NO PORTAL IG (ÚLTIMO SEGUNDO)

A defesa do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), obteve efeito suspensivo da sentença da Justiça Eleitoral, de primeira instância, que cassou o seu mandato e o da vice-prefeita, Alda Marco Antonio, pelo recebimento de doações consideradas ilegais na campanha municipal de 2008. Com o efeito suspensivo, o prefeito poderá permanecer no cargo até o julgamento final do processo.

O mesmo juiz que decidiu pela cassação, Aloísio Silveira, acatou o efeito suspensivo e recebeu o recurso do escritório do advogado Ricardo Penteado, que agora será analisado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), ainda sem prazo previsto.

Dom Geraldo: “Vergonha!”

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Ao falar com exclusividade nesta segunda-feiraNESTA SEGUNDA-FEIRA para a revista digital Terra Magazine sobre a Campanha da Fraternidade 2010, cujo tema “Dinheiro e Vida ” já começa a suscitar fortes polêmicas em vários setores de opinião pública, dentro e fora das cinco igrejas que participam do maior movimento religioso no campo social na América Latina , o arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Cardeal Dom Geraldo Majella olha e muitas direções

.: “A corrupção no Distrito Federal é uma vergonha internacional”, diz o bispo da Bahia, nascido em Minas Gerais, na conversda com o repórter Claudio Leal. A CF deste ano, segundo Terra Magazine na apresentação da entrevista, nasce com um tema que promete ir além das críticas econômicas e iluminar os subterrâneos das eleições: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”. Com esse lema, a Igreja Católica brasileira oferece a primeira resposta articulada à crise financeira e às novas funções das meias na política nacional.

Bahia em Pauta reproduz a entrevista de Dom Geraldo a Terra Magazine ( http://terramagazine@terra.com.br )

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CLAUDIO LEAL

A Campanha da Fraternidade 2010, lançada na Quaresma por cinco igrejas (católica, anglicana, luterana, presbiteriana e ortodoxa), nasce com um tema que promete ir além das críticas econômicas e iluminar os subterrâneos das eleições: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”. Com esse lema, a Igreja Católica brasileira oferece a primeira resposta articulada à crise financeira e às novas funções das meias na política nacional.

– Há sempre aqueles que põem o dinheiro dentro das meias, dentro de outras partes do corpo para levar o dinheiro da corrupção – atesta o Cardeal Arcebispo-primaz do Brasil, Dom Geraldo Majella Agnelo, 76 anos, em entrevista a Terra Magazine.

Nomeado arcebispo metropolitano de Salvador em 1999, o religioso mineiro tem sido um dos principais porta-vozes da Campanha da Fraternidade. Dom Geraldo reconhece avanços no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, mas ataca a política econômica e afirma que o presidente precisa completar o seu legado.

– Não há dúvida de que há vários avanços do presidente Lula. Mas ele precisa completar a sua obra. Porque, segundo o meu modo de pensar, é garantir empregos, não só pra ganhar sem fazer nada, mas garantir empregos onde cada um vai ter aquilo e vai se sustentar.

O cardeal não vê motivos para a Igreja fazer uma “autocrítica” de suas relações com o poder econômico. Entretanto, não deixa de registrar o espanto com a desenvoltura do governador José Roberto Arruda e seus aliados no Distrito Federal:

– Realmente, isso é uma vergonha nacional e internacional.

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A ENTREVISTA DO PRIMAZ DO BRASIL A TERRA MAGAZZNE

Terra Magazine – O lema da Campanha da Fraternidade 2010 é “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”. O que motivou a escolha do tema e a quem ela é dirigida?
Dom Geraldo Majella – Ela é dirigida a todos aqueles que põem toda a sua confiança só no dinheiro, como é o que se evidencia, internacionalmente, ao poder do dinheiro. Dá-se toda atenção ao dinheiro, à economia, e menos à dignidade do próprio homem. Esse é o motivo, de ver como a economia muda facilmente os horizontes das pessoas, dos países. Ficam todos submissos, até os Estados, à economia. O que está em jogo é não perder dinheiro, mas não se fala nada das pessoas que perdem o dinheiro, os empregos. Tudo isso é uma situação que deixa sempre em suspenso a atividade humana dos assalariados, dos que dependem do dinheiro, dos que não fazem do dinheiro só um jogo de bolsa, de juros. É isso. É uma falta de consideração com as pessoas, que não valem nada diante do dinheiro.

Com a crise financeira mundial, houve uma alteração drástica da mentalidade do consumismo?
Esta crise não trouxe novidade. Claro que ela veio aumentar ainda mais e reafirmar a força do sistema econômico mundial, que está acima dos próprios países.

Como o senhor avalia as imagens de corrupção no governo do Distrito Federal? Os envolvidos conseguiram servir a Deus e ao dinheiro com eficiência?
É uma prova… (risos) A corrupção faz com que se faça qualquer negócio por dinheiro. Que se comprem consciências, que se vendam consciências… Enfim, a corrupção não é só daquele que procura corromper, mas daquele que aceita também a corrupção. Realmente, isso é uma vergonha nacional e internacional. Em toda parte do mundo existem essas provas de corrupção. Não sei onde a corrupção é mais alta, se é no Brasil ou se existe em outros países onde a situação é tão grave quanto a do Brasil.

A campanha aborda também a economia. O senhor reconhece avanços sociais no governo Lula ou houve mais privilégios ao sistema financeiro?
Não há dúvida de que há vários avanços do presidente Lula. Mas ele precisa completar a sua obra. Porque, segundo o meu modo de pensar, é garantir empregos, não só pra ganhar sem fazer nada, mas garantir empregos onde cada um vai ter aquilo e vai se sustentar. Isso é importante. Vai ganhar o seu salário com o suor do seu rosto.

De alguma forma, a campanha incorpora a crítica ao comportamento das igrejas neopentecostais, que têm crescido no Brasil com uma postura agressiva em relação ao dinheiro dos fiéis?
Bom, tem-se visto que muitas vezes até se coloca para os fiéis uma promessa, como se Deus fosse um grande “quebra-galho” do mundo. Deus é providente, mas ele não é um quebra-galho para as pessoas. Faça isso e Deus vai te mostrar aquilo. Não. Ele quer que nós sejamos justos, verdadeiros no nosso proceder, não enganando ninguém, portanto não dizendo mentiras e também não sendo injustos para ninguém.

Como foi feita a articulação para a Campanha da Fraternidade ser ecumênica?
Já é a terceira vez que se faz a campanha ecumêmica. A cada cinco anos, mais ou menos, se faz uma campanha ecumênica. Já é um passo, um modo de agir que já está consagrado. Eu só desejo que realmente possa servir para o entendimento das várias denominações cristãs, porque é no diálogo, nas mãos para fazer o bem, que nós podemos crescer como irmãos.

No bojo dessa campanha, a Igreja Católica não precisa também fazer autocríticas na sua relação com o poder econômico?
Não… Não vejo. Qual autocrítica nós poderíamos fazer?

Na sua Arquidiocese, a de Salvador, sempre houve a expectativa de que a Igreja se desculpasse pela venda da primeira Sé do Brasil a um companhia de bonde (Linhas Circular de Carris da Bahia), que a destruiu, em 1933 (leia a história aqui). Nunca houve um pedido formal de desculpas ao povo baiano e isso tem relação…
Isso é anterior até ao meu nascimento, né? (risos) Já encontrei o caminho percorrido. Naquele tempo ainda não se tinha um cuidado tão grande com as coisas, com os bens culturais. Então, para favorecer a passagem do bonde, a história que vem até hoje é que o governo decretou derrubar a Sé para favorecer o bonde, que, afinal de contas, nem ficou muito tempo naquele lugar.

Recentemente, houve também a venda do histórico Palácio Arquiepiscopal para ser construído um condomínio de luxo (N.R.: onde reside a cantora Ivete Sangalo), no bairro do Campo Grande.
Não, aquele lá, aquele prédio nem era um prédio feito para ser residência. Um prédio que era um escritório e foi adaptado para residência. Ficou de 1933 até 1999. Não tinha esse valor histórico…

Foi uma especulação imobiliária.
Bom! Isso aí é uma questão de administração dos bens. Aquele prédio, quando eu vim para Salvador, foi declarado não-próprio para habitação. Tive que mudar, na véspera de chegar a Salvador para tomar posse da Diocese. Foi dito que eu não iria mais para aquele prédio, porque foi declarado não apto, perigoso para habitação. O cupim estava comendo. Eu tive até cartões de visita com aquele endereço. Fiz aquilo de propósito, já tinha tudo preparado para ficar lá. Tive que ir pro Mosteiro de São Bento, mas o bispo não vai poder morar lá. Fiquei uma semana, depois fui para uma casa que foi emprestada pelo consulado alemão, fiquei 45 dias… Depois para uma casa alugada, até que nós fizemos a casa definitiva, onde eu moro hoje.

Voltando à corrupção, o governo afirma que o País avançou no combate a essas práticas, há mais controle dos gastos públicos. O que o senhor diz?
Deus queira! Deus queira que haja mais controle. É isso que a gente deseja. Por mais que se faça, há sempre aqueles que põem o dinheiro dentro das meias, dentro de outras partes do corpo para levar o dinheiro da corrupção.

Terra Magazine ( http://terramagazine@terra.com.br )

fev
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Posted on 22-02-2010
Filed Under (Newsletter) by vitor on 22-02-2010

O presidente do Haiti disse neste domingo, no México, que o número de mortos devido ao terremoto no seu país poderá alcançar os 300.000, quando todos os corpos forem recuperados dos edifícios destruídos.

Falando após a chegada ao México para as reuniões regionais em que serão discutidas as necessidades de ajuda ao Haiti, René Préval não deu qualquer indicação sobre como chegou aos números citados.

“Vocês viram as fotografias, vocês conhecem os números, mais de 200.000 corpos foram recolhidos das ruas, contando com aqueles que ainda estão debaixo dos escombros, talvez possamos chegar aos 300.000 mortos”, afirmou Préval.

O governo do Haiti colocou o balanço do número de mortes entre os 170.000 e os 230.000, sem explicar em detalhe a metodologia usada para chegar a esses números.

Préval vai marcar participar da cúpula da unidade das nações latino-americanas e do Caribe, reunidas pelo Grupo do Rio, que começa hoje.
Durante a cúpula deve ser discutida a ajuda a ser prestada ao Haiti após o devastador sismo de 12 de Janeiro.

Na chegada ao México, a bordo de um avião do governo mexicano, Préval agradeceu ao país toda a ajuda que enviou para o Haiti desde o terramoto.

“Quero agradecer ao povo mexicano do fundo do meu coração”, disse

(Com informações do portal TSF Notícias e do Jornal de Notícias, de Lisboa)

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OPINIÃO/ JUSTIÇA E CULTURA

O Lado BB do Ministério Público: como arrasar a Mudança do Garcia

Claudio Leal

Fez bem o promotor do Ministério Público, Heron José Santana Gordilho, em esclarecer a proibição de jegues e outros animais cavalgáveis na tradicional Mudança do Garcia, do carnaval de Salvador. Enfrentar o debate é um mérito de cavalheiro. No artigo “Consideração moral dos animais”, publicado em A Tarde (18/02), o promotor respondeu às críticas do antropólogo Roberto Albergaria, ainda que tenha preferido omitir o nome do interlocutor. Exato: uma técnica dos maus polemistas.

Como sabe o Cavalo Branco de Napoleão, o MP, a OAB e mais dois ou três ongueiros pressionaram os organizadores da Mudança a não usar animais no desfile da segunda-feira momesca. Ninguém sabe se o veto se estenderá aos Encourados de Pedrão, no cívico Dois de Julho, e à carruagem da Rainha Elizabeth II. Quem adivinhar o próximo desdobramento da chicotada contra a história da Mudança, ganha um exemplar do “Febeapá”, de Stanislaw Ponte Preta.

Porém o cabriolé não deve andar rápido. Voltemos ao artigo do dr. Heron José. Numa linguagem elevada, ele afirma que “a cultura da ignorância não consegue perceber que houve consenso entre os interessados”. Depreende-se da candura dessa frase o conforto das lideranças de um bairro popular diante do cerco de engravatados e ambientalistas xiitas. O consenso, nesse ambiente de argumentos surreais, lembra “a ordem superior” do samba “Despejo na favela”, de Adoniran Barbosa. A alternativa do favelado era sair “pra não ouvir o ronco do trator”.

Num Estado em que não houvesse a “cultura da ignorância”, o MP não se atreveria a esvaziar uma manifestação cultural quase secular sem receber questionamentos formais da Secretaria da Cultura (onde está Marcio Meirelles?), do Conselho Estadual de Cultura, do Instituto Geográfico e Histórico, da Câmara Municipal e de organizações da sociedade civil.

O primeiro efeito se apresentou no desfile de 2010. Houve uma redução absurda das belas carroças e jegues, tradicionalmente com cartazes de protestos. E os remanescentes não fugiram à regra de conduta dos anos anteriores. Afinal, qual era o problema? Para 2011, promete-se a proibição total. Duas ONGs sem relevância pública conseguirão arrasar um patrimônio de Salvador. Restará o vaivém de bandeiras sindicais vazias. Os medidores de decibéis de jegue podem identificar outras falsidades: inelutavelmente, haveria maus-tratos contra animais na Mudança do Garcia; por óbvio, os carnavalescos se comprazem com torturas a cavalos e jumentos.

Prevaleceu o Lado B.B. (Brigitte Bardot) do Ministério Público. Enquanto alguns promotores se esforçam para evitar a ocupação selvagem das áreas verdes da Avenida Paralela, há os que preferem seguir os ensinamentos da ronronante atriz francesa: “Eu dei minha beleza e minha juventude aos homens. Agora dou minha sabedoria e minha experiência aos animais”. Ouvem-se dois relinchos no presépio.

Qual a diferença entre legislar e impor mandamentos supostamente ambientalistas a lideranças populares indefesas? O promotor de Justiça, com a retórica do marxismo, decreta que “a inclusão dos animais em nossa esfera de dignidade moral é um processo histórico irreversível”. Além de ser um contrassenso axiológico, contraria ainda qualquer rabiscado livro de filosofia e o próprio acúmulo mental do Oriente e do Ocidente. “Dignidade moral” possuem os cordeiros dos blocos carnavalescos, outra vez submetidos a intocáveis subcondições de trabalho.

O MP só não argumenta em sânscrito quando recorre a Mahatma Gandhi para dar tom erudito ao acordo. “Gandhi, em sua política de não violência, afirmou certa feita que ‘a grandeza de uma nação e o seu progresso moral podem ser avaliados pela forma com que ela trata os seus animais'”, diz o promotor. Entretanto, retirado da redoma da política, o líder indiano é um exemplo de reacionarismo e princípios anti-humanos, como atesta o escritor George Orwell num ensaio não-hagiográfico incluído na coletânea brasileira “Dentro da baleia”
(Cia. das Letras).

“Os ensinamentos de Gandhi”, expõe Orwell, “não estão de acordo com a crença de que o Homem é a medida de todas as coisas e de que nossa tarefa é tornar a vida digna de ser vivida neste mundo”. Defensor do voto de bramahcharya, o pacifista tentou eliminar o desejo sexual de seu cotidiano (após experiências na área). Prossegue o autor de “A revolução dos bichos”: “A autobiografia deixa vago se Gandhi se comportou de forma desatenciosa com a esposa e os filhos, mas de qualquer maneira deixa claro que em três ocasiões ele se dispôs a permitir que a esposa ou um filho morresse em vez de fornecer o alimento animal recomendado pelo médico”. Para Gandhi, o único jeito era dançar o “Rebolation”. Ainda é melhor dar dignidade moral aos cordeiros e capim aos muares da Mudança.

Claudio Leal é jornalista
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Posted on 22-02-2010
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Julio Cesar: em observação


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O goleiro da seleção brasileira e da Inter de Milão Júlio César sofreu um acidente de carro na noite de ontem, domingo, perto do bairro de San Siro, em Milão. Júlio César dirigia a sua Lamborghini quando perdeu o controle do carro e bateu. O goleiro sofreu apenas alguns hematomas.

Embora o acidente não tenha sido grave, o goleiro é dúvida para a partida de quarta-feira da Inter de Milão contra o Chelsea pelas oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa. Ele ainda será avaliado pelos médicos do clube na terça-feira e se não tiver condições de atuar, será substituído pelo seu reserva, o italiano Toldo.

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