fev
15

BOA NOITE!!!

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VOU SEM ROUPA, NOEL!


Aparecida Torneros

As imagens e o suor não me deixam mentir. Ò abre-alas que eu quero passar… Tudo esquentou neste Brasil tropical, nos tempos recentes.

Desde os tamborins até a disputa presidencial. Tem Dilma, Serra e Ciro se acotovelando no camarote para serem “vistos” pelos foliões do Galo da Madrugada em Recife. No carnaval baiano, quem se preza e quer ser notado pela plebe, não vai deixar de passar por Salvador, salvando sua reputação de onipresente na festa da praça do povo, ainda que a sabedoria popular salva a Pátria e põe na berlinda a animação mais desprovida de compromisso eleitoral.

O grande vencedor do reino da folia é o voto dado à alegria contagiante da nossa gente , embalada pelo samba, o pula-pula, o frevo, a timbalada, as marchinhas, os cordões, o ritimo afro, o batuque sentido na boca do estômago, o convite ao recesso de tanta pressão do resto do ano.

Mais quente que o verão carioca, impossível. Madonna e afins vão disputar espaço nos camarotes da Sapucaí. Tá se derretendo cada pedacinho de juízo, e nem se pensa em mais nada a não ser cair na rua, acompanhar o bloco, misturar-se o pobre e o rico, o novo e o velho, tem o suvaco do Cristo, o bloco do Boi Tatá, o Simpatia é quase amor, o Carioca da Gema, o bloco das Carmelitas, a banda de Ipanema, o Concentra mas não sai, o humor carioca é pródigo em criar suas manifestações momescas.

Tradição espirituosa e espiritualizada, tem dedo da Chiqhinha Gonzaga, aí isso tem, do Pixinga, do Ari, do Braguinha,do Jamelão, da Emilinha, gente que animou os velhos carnavais, que nos legou esse patrimônio cultural indestrutível e fervilhante. Se as escolas paulistas arrebentam em tecnologias e o samba vai-vai, seu Nenê e seu Leandro honrarm a memória do grande Adoniram, aquecem nossos corações na cadência do samba trabalhado e amado.

Amar o samba, amar o carnaval, explodir em mil manifestações em cada esquina ou camarote, estar na correria e no suaodouro de mais um momento especial da cultura brasileira. Carnaval é tempo de ebulição, nele, evaporam-se tristezas, elucidam-se mistérios, engendram-se amores impossíveis, abre-se espaço para beijos improváveis, o mundo pára por aí, e nós vamos nos divertindo como podemos e devemos, sem a preocupação de sermos votados. Isso, deixamos pra eles e elas que nos olham como potenciais eleitores. Mas, é preciso esclarecer de uma vez por todas, nestes dias, escolhemos escolas vencedoras, musas rebolativas mais performáticas, cantores e puxadores de samba mais vibrantes, baterias emonionantes, fantasias deslumbrantes, sorrisos estonteantes, abraços reconfortantes, ruas apinhadas, multidões ao sabor dos ventos carnavalescos, gente sem nome e sem sobrenome, amamos sim os galhofeiros, os que brincam com as mazelas do cotidiano, que fazem a festa, que nos mostram um Brasil maravilhoso , o Brasil do espírito do seu povo que está pairando acima dos candidatos, dos governantes, dos poderosos.

O poder é dos foliões agora, por alguns dias, quem há de duvidar da grande força que é a multidão acalorada gritando sua alegria de viver a despeito de todo o resto? Viva o clima tórrido e espiritualizado do carnaval 2010, cada um de nós sabe que todo esse calor produz nossa própria superação, afinal, como cantou e imortalizou o grande Noel Rosa, do alto da sua boemia figura, “eu hoje estou pulando como um sapo pra ver se escapo desta praga de urubu”,já estou coberto de farrapo eu vou acabar ficando nu, pois esta vida nao está sopa e eu pergunto com que roupa que eu vou, pro samba que você me convidou?”

Vou sem roupa , Noel!!! Os candidatos é que precisam vestir suas fantasias e tentar nos encantar, não é?

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 15 Fevereiro, 2010 at 7:46 #

Invertendo a nudez

ou…

Dizendo o mesmo, com sinal trocado, o que confirma o belo texto de Cida Torneros
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Carnaval é festa popular, pagã, irreverente, na qual o cidadão encontra na fantasia alegria mitigada no comum dos dias.

Mesmo com a quase extinção das marchinhas, especialmente as que expunham os ditos políticos, a presença destes, como destaque, só teria sentido no caso de desnudá-los.

Ao contrário do pobre eleitor, o político vive fantasiado o ano inteiro, declamando sambas-enredo da pior qualidade, todos com o refrão: “confiem, confiem e jamais desafiem”

Prêmio em originalidade seria os candidatos nus, na exposição despudorada de seus verdadeiros egos, tendo como adereços suas plataformas eleitorais, que, embora diversas em partidárias cores, são unas na arte de tripudiar dos tolos de plantão.

Até pela simples razão de que na quarta em cinzas, o cidadão retorna à mesmice, e os políticos, subvencionados pelo erário, voltam a desfilar na planície.


Olivia on 15 Fevereiro, 2010 at 9:03 #

É isso aí Cida, essa “turba”vai ter que caprichar no modelito para conquistar os “foliões”, até aqui, “nada pra ninguém”, como dizem os baianos. Belo artigo, nosso Rio de Janeiro é demais, está retomando, com galhardia, o verdadeiro carnaval de rua. Evoé.


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