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Postado em 13-02-2010
Arquivado em (Artigos, Janio) por vitor em 13-02-2010 15:41

Moraes Moreira: volta ao ninho/Terra Magazine

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CRÔNICA / CARNAVAIS

Moraes Moreira e o Rebolation

Janio Ferreira Soares

Andei acompanhando os debates realizados pelo jornal A Tarde sobre o Carnaval de Salvador e a maioria quer a volta da praça e do poeta. Eu também. Agora só falta combinar com os russos. Mas adianto que vamos perder.

Todo ano a turma com mais de cinquenta Carnavais questiona o modelo da folia e reclama dos blocos e camarotes, que continuam avançando pelo asfalto, coitado, que nesses dias deve estranhar a quantidade de pés paulistas a lhe pisotear. Mas o pior é que o único eco dessas discussões é o pancadão do Chiclete reverberando na caixa dos peitos dos nativos (apenas 19%, segundo pesquisa do governo), cada vez mais espremidos entre tapumes e churrasquinhos de gato.

O problema – ou a solução, aí depende dos cifrões – é que o Carnaval baiano virou um grande negócio e funciona basicamente para os donos de blocos, camarotes e emissoras de tevês, além da selecionada fauna que frequenta certos espaços nababescos, totalmente excitada pela possibilidade de cruzar com celebridades entre caipiroscas de seriguela e canapés by Dadá.

Quanto aos saudosistas, um conselho: se conformem, ou procurem algo parecido. Sugiro Recife, pois lá ainda se brinca um autêntico Carnaval de multidões sem cantor, com milhares de pessoas fantasiadas indo pra rua só pelo prazer de ficar nas calçadas esperando passar algum bloco de sopro ou de percussão pra ir atrás.

Há uns dois anos eu cruzei com Moraes Moreira depois de sua participação no Quanta Ladeira, bloco comandado por Lenine, e a visão do velho exilado baiano caminhando à vontade entre colombinas e pierrôs, enquanto o som dos metais da orquestra do maestro Spock invadia as esquinas do Recife Antigo, foi quase de fazer chorar.

Agora, 10 anos depois, finalmente o genial pombo correio volta ao ninho. Mas uma coisa me preocupa. O que passará pela sua cabeça quando, ao cantar Chão da Praça, ele procurar a mão do poeta e der de cara com os apresentadores da Band exaltando o Rebolation. É capaz de a saudade pegá-lo de novo pelo braço e em 2011 levá-lo de volta pra embriaguez do frevo.

( Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, na região do vale do São Francisco )

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