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Posted on 13-02-2010
Filed Under (Multimídia) by vitor on 13-02-2010


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Salve o Ilê, mas como diz a canção de Daniela:”por favor não me engane, menino!.Não me venha com papo furado, porque não dá pé!”

(VHS)

Depois de Naomi, Ilê recebe Dilma
 
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Nem foliões mais calejados, com dezenas de carnavais nos currículos, conseguem demonstrar o fôlego dos estreantes na folia, José Serra (PSDB), governador de São Paulo, e Dilma Rousseff (PT), ministra-chefe da Casa Civil, os dois nomes mais votados nas pesquisas de preferiodos para a sucessão de Lula.

Depois de enfrentar um sol de rachar durante o dia, onde assistiram o desfile do lendário bloco “Galo da Madrugada”, entre um afago e outro de eleitores potenciais e de políticos aliados, os dois já estão em Salvador, onde o carnaval não dorme, nem político em campanha.

Fagueiros – e sem (por enquanto) a presença do socialista Ciro Gomes, que também passou o dia no frevo da capital pernambucana e reafirmou que não retira sua candidatura ao Palácio do Planalto, os dois estão agora em pontos opostos da capital baiana. Dilma no bairro popular do Curuzu, onde, nas proximidades do terreiro de candomblé de Mãe Hilda, recentemente falecida, assiste ao lado do governador Jaques Wagner, a saída do bloco Ilê Ayê, um dos mais belos e emocionantes eventos do Carnaval da Bahia.

Enquanto isso, no circuíto Barra-Ondina (com cheiro de perfume francês, como dizem os soteropolitanos), o governador José Serra, acompanhado por toda a cúpula de seu partido e do DEM, no camarote da cantora Daniela Mercury (o que recebe maior numero de celebridades por metro quadrado)  vai acompanhar o desfile dos trios elétricos e das principais estrelas do carnaval baiano.

Ciro Gomes(PSB) e Marina Silva (Verde) não sabem o que estão perdendo!

(Vitor Hugo Soares)


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Reporter pergunta:” Se fosse um teste de popularidade, que nota a senhora daria?”

A ministra Dilma, em campanha no Recife, responde:

-Ha,Ha,Ha.Viva o carnaval !

O qiue será que a candidata preferida do prsidente Lula dirá hoje e no domingo, na folia baiana de Salvador ?

(Vitor Hugo Soares)

fev
13
Posted on 13-02-2010
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 13-02-2010

Cid Teixeira: Bahia passada a limpo

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CRÔNICA DA SEMANA


BRASIL, BAHIA E BAIANOS

Vitor Hugo Soares

Antes do desembarque no Carnaval de Salvador,  para circular em campanhas mal disfarçadas pelos camarotes e blocos mais fechados – e bem frequentados por políticos, empresários, governantes e celebridades da Bahia e do país, –  o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (ela já passa este sábado na folia baiana), presenças anunciadas nos circuitos da festa, deviam reservar um tempo para leitura atenta da entrevista do historiador Cid Teixeira à revista digital Terra Magazine esta semana.

Não se imagine um exercício intelectual e informativo recomendável apenas para candidatos à presidência e seus assessores políticos ou marqueteiros. A conversa do professor Cid com o repórter de TM, Cláudio Leal, com a participação especial do antropólogo da UFBA, Roberto Albergaria, é aconselhável para muito mais gente. Aula primorosa sobre poder no Brasil, política, Bahia e baianos para qualquer pessoa, essencial a quaisquer candidatos – o socialista Ciro Gomes (PSB) e a verde Marina Silva, inclusive.

Começa na apresentação do entrevistado aos leitores: achado digno de referência em termos de concepção de texto jornalístico, com contextualização perfeita e de imediato entendimento ( fora das divisas baianas), do perfil e da dimensão de Cid Teixeira em sua província e o elevado conceito que o intelectual desfruta no meio de seu povo.

Abre aspas:

“Um homem avista o casarão arruinado, no Centro de Salvador, e decide parar o carro, para contemplar os adornos.  Ao lado, um mestre de obras. Malemolente, encostado no tapume, ele vê o estranho sondar os desvãos do prédio em caquinhos.

– O que era isso aí?

E o operário responde:

– Não sei. Por que o senhor não pergunta ao professor Cid Teixeira?”

Fecha aspas e pausa para breve recordação:

Houve um tempo na Bahia – e não faz tanto tempo assim – em que qualquer dúvida mais intricada sobre religião, cultura, história, arte, política, futebol ou governo, ia bater nas portas de dois endereços: o Palácio Arquiepiscopal do Campo Grande (vendido e transformado em prédio de alto luxo chamado agora de “Solar dos Cardeais”), onde morava o cardeal Primaz do Brasil, Dom Avelar Brandão Vilela; ou na porta da casa do professor Cid Teixeira.

Nas redações dos jornais locais e sucursais dos grandes diários do país – incluindo o Jornal do Brasil, onde eu então trabalhava -, nas reuniões de governos, nas associações empresarias e até nas discussões de rua era comum ouvir-se, quando a dúvida insuperável se estabelecia: “Liga para esclarecer com Dom Avelar”. Ou o mais comum ainda hoje : “Liga e tira a dúvida com o professor Cid.”

Para saber mais sobre este homem, voltemos a Terra Magazine:

“Oitenta e cinco anos, a picardia dos séculos nos olhos em losango, o historiador Cid Teixeira ganhou o reconhecimento dos anônimos no programa radiofônico “Pergunte ao José”, no qual respondia a dúvidas sobre a história de Salvador e da Bahia. A simplicidade de seus relatos, sem espezinhar o vernáculo, revelava um humanista, um leitor de crônicas históricas e da literatura universal.

“O folclorista Câmara Cascudo se definia como ‘erudito de província’. E talvez Cid José Teixeira Cavalcante, nascido em 11 de novembro de 1924, seja também uma ave dessa espécie, pela despretensão da conversa e pela autoridade de intelectual à margem das vaidades acadêmicas. O romancista Jorge Amado o descreveu em “Bahia de Todos os Santos” com essa roupagem de historiador a serviço do povo, da divulgação da história ao homem comum.”

Perfeito, é a cara do entrevistado!

Afastado dos jornais, das salas de aula e dos estúdios das rádios (chegou a ser editor-chefe da Tribuna da Bahia), o professor Cid Teixeira, como revela TM, vive “a tragédia de ficar viúvo”, com todo mundo querendo indicar uma nova companhia feminina para ele. Mas segue firme: mantém seu vozeirão inconfundível, “suas leituras e a memória do cotidiano minúsculo, porém essencial para compreender a formação do povo baiano – e, claro, o brasileiro, já que as desordens nacionais nasceram na cidade do poeta Gregório de Mattos”.

Um exemplo emblemático? Voltemos a TM e á entrevista do professor Cid.

“Doce e maledicente, como o bom baiano deve ser, Cid Teixeira identifica a vocação regional para o vira-casaquismo (fenômeni que também horrorizava o o falecido deputado autentico Chico Pinto), uma arte derivada do chaleirismo, hoje disseminada de Brasília à Cidade da Bahia, com ganhos para todos os lados”.

– Não havia revolucionários em 1930. Quando a Revolução ganhou, acabou-se o estoque de pano vermelho nas lojas. Porque todo mundo estava de lenço vermelho nos pescoços, todos viraram revolucionários – conta Cid Teixeira.

E mais não digo para não tirar o prazer da leitura integral da ótima conversa do repórter de TM e do antropólogo da UFBA, com o magnífico professor Cid Teixeira, mestre em Brasil, Bahia e baianos.

Alegre carnaval a todos.


Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor-soares1@terra.com.br

fev
13
Posted on 13-02-2010
Filed Under (Artigos, Gilson) by vitor on 13-02-2010

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CRÔNICA / CARNAVAIS

Boêmio azul turquesa

Gilson Nogueira

Sorveteria Primavera, verão, quatro horas da tarde, a brisa sempre mansa e sinuosa entra pelas mangas da mortalha. Feito espiã do sexo chega às chamadas partes íntimas do malandro e suaviza o calor. Parece picolé do céu escorrendo na pele ouriçada com o beijo da francesa linda – e anônima- no folião moreno de sol do Porto da Barra envergando a mortalha do Broco do Jacu, o maior e melhor bloco do planeta, até que Deus apareça para fundar outro igual. Sigo desfilando na avenida saudade. E lembro que brincar o Carnaval de Salvador tinha algo de estágio no paraíso.

Sorveteria Primavera, quatro e meia da tarde. A francesa já beija outro baiano e, logo em seguida, some no beco, como se quisesse confirmar que amor de Carnaval desaparece na fumaça, de acordo com a música que deveria haver escutado em algum lugar antes de aterrissar ali. O Relógio de São Pedro imita um vigia do tempo, mas, está parado, inerte na sua importância e magnífico enquanto ícone do passado glorioso da primeira capital do Brasil. Seus ponteiros dormem, um em cima do outro, sugerindo o acasalamento da sua falta de manutenção que atravessa os anos com a idéia de que meio-dia de domingo é uma boa hora de se fazer amor. O tesão do beijo da conterrânea de Brigitte Bardot segue firme, fazendo mais um adão de todas as evas do Carnaval da Bahia querer mais e mais…

O beijo daquela lourinha sapeca fez o tempo parar. E um silêncio regado a uísque com cerveja tomar conta do boêmio azul turquesa que acabara de misturar línguas em confraternização universal de amor à vida, como aluno da escola da dialética do prazer. “Adeus, francesinha cheirosa, remetendo ao perfume de Paco Rabane e ás flores de Besançon!”, soluçou, baixinho, mergulhando em uma dose de uisque escocês que Buldogue levava enfiado no short.

O couro come de cor e salteado nas barracas de mesas e tamboretes de madeira, onde a turma deixa cair a alegria picárdica de uma geração cheia de charme, astúcia, talento, beleza e picardia. Os metais e couros da “orquestra” atacam sucessos do grande compositor Waltinho Queiroz, fundador do bloco, cidadão que honra a cultura nativa, guardião da música baiana, defensor dos pobres e oprimidos, São Jorge da gandaia honesta.

E uma tristeza, de repente, abraça o folião exausto de tanto sonhar. O Carnaval não deveria ser o mesmo, nos anos que viriam, pensou ele, solitário, próximo ao Mosteiro de São Bento, misturando samba e reza, entendendo que o progresso, inevitável, infelizmente, iria impor modismos, envelhecendo o que se fazia, ali, sem medo de ser assaltado, de ser agredido, na felicidade geral.O Bloco do Jacu, do maioral Waltinho, que foi obrigado a rasgar sua fantasia, assimo como fiz, também, é, apenas, um retrato na parede. A culpa é sua, progresso.

( Gilson Nogueira é jornalista )

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Por motivos técnicos, e não por ressaca do editor como alguns poderiam pensar diante da “bagaceira” que corre solta nos circuitos do carnaval de Salvador, Bahia em Pauta levou quase dois dias sem renovar seu conteúdo.

De Provedor novo, mas ágil e mais seguro, o BP volta ao ar, com a publicação do artigo de Janio Ferreira Soares, que está na folia pernambucana, enquato Moraes Moreira retorna ao velho ninho soteropolitano com o seu Pombo Correio. Bola pra frente.

“Vida que segue”, como diria o grande João Saldanha.

( Vitor Hugo Soares )

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Posted on 13-02-2010
Filed Under (Artigos, Janio) by vitor on 13-02-2010

Moraes Moreira: volta ao ninho/Terra Magazine

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CRÔNICA / CARNAVAIS

Moraes Moreira e o Rebolation

Janio Ferreira Soares

Andei acompanhando os debates realizados pelo jornal A Tarde sobre o Carnaval de Salvador e a maioria quer a volta da praça e do poeta. Eu também. Agora só falta combinar com os russos. Mas adianto que vamos perder.

Todo ano a turma com mais de cinquenta Carnavais questiona o modelo da folia e reclama dos blocos e camarotes, que continuam avançando pelo asfalto, coitado, que nesses dias deve estranhar a quantidade de pés paulistas a lhe pisotear. Mas o pior é que o único eco dessas discussões é o pancadão do Chiclete reverberando na caixa dos peitos dos nativos (apenas 19%, segundo pesquisa do governo), cada vez mais espremidos entre tapumes e churrasquinhos de gato.

O problema – ou a solução, aí depende dos cifrões – é que o Carnaval baiano virou um grande negócio e funciona basicamente para os donos de blocos, camarotes e emissoras de tevês, além da selecionada fauna que frequenta certos espaços nababescos, totalmente excitada pela possibilidade de cruzar com celebridades entre caipiroscas de seriguela e canapés by Dadá.

Quanto aos saudosistas, um conselho: se conformem, ou procurem algo parecido. Sugiro Recife, pois lá ainda se brinca um autêntico Carnaval de multidões sem cantor, com milhares de pessoas fantasiadas indo pra rua só pelo prazer de ficar nas calçadas esperando passar algum bloco de sopro ou de percussão pra ir atrás.

Há uns dois anos eu cruzei com Moraes Moreira depois de sua participação no Quanta Ladeira, bloco comandado por Lenine, e a visão do velho exilado baiano caminhando à vontade entre colombinas e pierrôs, enquanto o som dos metais da orquestra do maestro Spock invadia as esquinas do Recife Antigo, foi quase de fazer chorar.

Agora, 10 anos depois, finalmente o genial pombo correio volta ao ninho. Mas uma coisa me preocupa. O que passará pela sua cabeça quando, ao cantar Chão da Praça, ele procurar a mão do poeta e der de cara com os apresentadores da Band exaltando o Rebolation. É capaz de a saudade pegá-lo de novo pelo braço e em 2011 levá-lo de volta pra embriaguez do frevo.

( Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, na região do vale do São Francisco )

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