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Postado em 11-02-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 11-02-2010 18:37

Lula e Armadinejad: conveniências?


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Na Tribuna da Bahia, em seu artigo desta quinta-feira, o jornalista político Ivan de Carvalho assinala que o governo brasileiro, um dos primeiros em todo o mundo a reconhecer a duvidosa vitória eleitoral de Ahmadinejad e um dos poucos a receber a visita oficial do suposto presidente reeleito, divulga sua posição contrária a novas sanções contra o Irã pelo anúncio do governo iraniano de que vai enriquecer urânio a 20%, um passo importante na direção da construção de armas nucleares. Para Ivan, o que Brasília quer é entusiasmar a “esquerda” no ano eleitoral, mesmo à custa de ajudar no avanço do programa atômico militar do Irã. Bahia em pauta reproduz o texto.(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

UMA POSIÇÃO IRRESPONSÁVEL

IVAN DE CARVALHO

O governo do Irã avisou aos jornalistas que trabalham para os meios de comunicação estrangeiros que eles não poderão cobrir, hoje, os desfiles – que serão sete – pelo 31º aniversário da Revolução Islâmica, que derrubou o regime do xá Reza Palevi e colocou no poder o clero islâmico xiita chefiado pelo ayatollah Ruhollah Khomeini, sucedido até aqui pelo ayatollah Ali Khamenei. Nos últimos meses, esses jornalistas foram proibidos de cobrir manifestações oposicionistas, mas é a primeira vez que são excluídos de comemorações do aniversário da Revolução Islâmica de 1979.

É que há uma grande expectativa de que a oposição – considerada pelos chefes dominantes do clero xiita “inimiga de Allah” – realize manifestações de protesto contra a reeleição (considerada fraudulenta pela oposição) do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Os jornalistas ou meios de comunicação estrangeiros estão autorizados a cobrir apenas o discurso que o presidente Ahmadinejad (aquele que nega, declarando ser mito e mentira, a matança de seis milhões de judeus pelo nazismo durante a Segunda Guerra Mundial) fará na manhã de hoje na praça de Azadi. Azadi significa liberdade e a escolha do local para o discurso parece mais uma ironia do que qualquer outra coisa.

O governo prevê a presença de centenas de milhares de pessoas nos sete desfiles. Ocorre que a oposição convocou o povo para protestar, nesses desfiles oficiais, contra o regime e a eleição por ela não aceita de Ahmadinejad. Explicando: a oposição está proibida de fazer manifestações de rua. Nas últimas que fez, no dia 27 de dezembro, nas grandes cidades do Irã, em comemoração à luta religiosa de Ashura, foram reprimidas pelas forças de segurança. Houve oito mortos, centenas de feridos e mais de mil presos. Daí que agora a oposição resolveu usar as manifestações oficiais para misturar-se a elas e protestar, na esperança de embaraçar a repressão e se fazer ouvir.

Enquanto isso, o governo brasileiro, um dos primeiros em todo o mundo a reconhecer a duvidosa vitória eleitoral de Ahmadinejad e um dos poucos a receber a visita oficial do suposto presidente reeleito, divulga sua posição contrária a novas sanções contra o Irã pelo anúncio do governo iraniano de que vai enriquecer urânio a 20%, um passo importante na direção da construção de armas nucleares.

O governo brasileiro sugere que a proposta de novas sanções não seria aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU e, sendo, seria ineficaz, pois não conduz ao diálogo. Ora, as sanções visam a forçar o Irã ao diálogo, evitando a perigosa alternativa, de desdobramentos imprevisíveis – um ataque militar “preventivo” ocidental ou israelense às instalações nucleares iranianas. A galera da “esquerda” do PT e outras galeras “esquerdistas” adjacentes devem estar exultantes. Como o governo Lula quer.

Aparentemente, apenas. Porque que ele quer é entusiasmar a “esquerda” no ano eleitoral, mesmo à custa de ajudar no avanço do programa atômico militar do Irã.

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