fev
09
Postado em 09-02-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 09-02-2010 10:50

Cid Teixeira: “Bahia?, pergunte a ele”

====================================================

Simplesmente um achado primoroso – como concepção de texto jornalístico, significado e conteúdo referencial – o texto de apresentação da entrevista com o professor Cid Teixeira, que a revista Terra Magazine ( http://terramagazine.terra.com.br ) publica nesta terça-feira, 9. Uma ourivesaria de prodição e acabamento a quatro mãos, a cargo do jornalista Claudio Leal e do antropópolo da UFBA, professor Roberto Albergaria.

Confiram:

” Um homem avista o casarão arruinado, no Centro de Salvador, e decide parar o carro, para contemplar os adornos. Ao lado, um mestre de obras. Malemolente, encostado no tapume, ele vê o estranho sondar os desvãos do prédio em caquinhos.

– O que era isso aí?

E o operário responde:

– Não sei. Por que o senhor não pergunta ao professor Cid Teixeira?

Oitenta e cinco anos, a picardia dos séculos nos olhos em losango, o historiador Cid Teixeira ganhou o reconhecimento dos anônimos no programa radiofônico “Pergunte ao José”, no qual respondia a dúvidas sobre a história de Salvador e da Bahia. A simplicidade de seus relatos, sem espezinhar o vernáculo, revelava um humanista, um leitor de crônicas históricas e da literatura universal.

O folclorista Câmara Cascudo se definia como “erudito de província”. E talvez Cid José Teixeira Cavalcante, nascido em 11 de novembro de 1924, seja também uma ave dessa espécie, pela despretensão da conversa e pela autoridade de intelectual à margem das vaidades acadêmicas. O romancista Jorge Amado o descreveu em “Bahia de Todos os Santos” com essa roupagem de historiador a serviço do povo, da divulgação da história ao homem comum:

“Os programas de Cid Teixeira implicam sempre a análise e a extensão cultural de um problema, um fato, uma figura, um aspecto da vida da Bahia, levam ao ouvinte a erudição e a pesquisa realizada por um intelectual da melhor estirpe para quem a cultura é um bem provindo do povo e que a ele deve ser restituído”.

Afastado dos jornais, das salas de aula e das rádios (chegou a ser editor-chefe da Tribuna da Bahia), Cid Teixeira mantém suas leituras e a memória do cotidiano minúsculo, porém essencial para compreender a formação do povo baiano – e, claro, o brasileiro, já que as desordens nacionais nasceram na cidade do poeta Gregório de Mattos”.

Maravilha! E tem mais, inclusive a a narrativa bem humorada do mestre sobre a sua “tragédia de ficar viúvo”, com todo mundo querendo encontrar nova companhia feminina para ele.

Mas Bahia em Pauta não antecipa, para não tirar o prazer da leitura integral da conversa baiana de Claudio e Albergaria com o professor Cid Teixeira.

(Leia em Terra Magazine)

(Vitor Hugo Soares)

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos