fev
09
Postado em 09-02-2010
Arquivado em (Artigos, Rosane) por vitor em 09-02-2010 23:19

Lampião: fantasma não assusta mais

=================================================

ROSANE SANTANA

BOSTON (EUA) – Houve um aumento crescente da violência na Bahia, nos últimos três anos, período em que estou nos Estados Unidos, mas pude acompanhar os acontecimentos em tempo real, pela Internet.Considero equivocada a explicação que vincula o fenômeno específico, diretamente, ao tráfico de droga e a falta de uma política de Segurança Pública para o Estado.

Ressalte-se que o governo Wagner manteve intocável a cúpula da Policia Militar do Estado, como o fez Obama, em nível mais amplo, com as autoridades de Segurança dos EUA, para não provocar interrupções que seriam prejudiciais ao trabalho policial, na visão de estrategistas. Aqui, apesar do atentado terrorista frustado no Natal de 2009, não houve solução de continuidade na área, mas na Província da Bahia, sim, com os chefões envolvidos em tenebrosas transações.

A droga é um problema em todo o mundo, é verdade, mas, cá para nós, não entra na minha cabeça a idéia de que o consumo de crak é fator responsável pela multiplicação, em progressão geométrica, da violência em Salvador e em todo o Estado.

Antes de Jacques Wagner assumir o poder, já tínhamos o Morro do Águia, na San Martin, endereço conhecido de qualquer taxista, onde Ravengar fazia a festa, frequentado, dizem, até por patricinhos baianos.

Recorramos à história…

Durante a Regência (1831-1840), período de muitas turbulências, após o Primeiro Reinado, Feijó criou a Guarda Nacional para assegurar a tranqüilidade do Império, escanteando o Exército que participou, no Campo de Santana, no Rio de Janeiro, das manifestações a favor da deposição do imperador Pedro I.

Sabe-se, desde então, para não retrocedermos muito, da importância da Segurança Pública para a estabilidade dos negócios, tanto que a Regência foi sucedida pela relativa tranquilidade do Segundo Reinado, longo período de alternância no poder e posterior conciliação entre conservadores e liberais. A cafeicultura floresceu nessa época. A famosa frase positivista, Ordem e Progresso, cunhada no “Pendão da Esperança”, não foi à toa.

Milicias, como a Guarda Nacional, deram origem às polícias militares, no Brasil, que tiveram papel fundamental para garantir o poder dos coronéis, especialmente os mandões do Nordeste.

Em Terra Brasilis, os conservadores sempre andaram de mãos dadas com as milícias e, posteriormente, polícias militares.

Eles, seguramente, sabem muito sobre o súbito aumento da violência na Bahia.

Há mais coisas no ar do que simples aviões de carreira, nessa história de banditismo armado pelo interior.

Lampião é só um fantasma.

E fantasmas não metem medo.


Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, mora em Boston e se prepara para voltar ao Brasil )

Be Sociable, Share!

Comentários

Jair Porciûncula on 10 Fevereiro, 2010 at 8:25 #

Talvez a Roseane não saiba, mas a única coisa na cúplua da PM que ficou “intocada” foi o Cel Santana, o mesmo que se envolveu na corrupção do aluguel das viaturas que até hoje está mal explicado – Cadê Manoel Vitório e seu acessor que são apontados no autos mas não são citados no processo? Por que Wagner tirou dois deputados federais do PT para abrir vaga np Congresso para Emiliano José depois que o nome dele apareceu nas gravações da Operação Nêmesis? Para mim, a única droga que explica o crescimento da violência da Bahia é a droga do governo Wagner


rosane santana on 10 Fevereiro, 2010 at 10:15 #

Senhor Jair, se o senhor observar bem, o artigo fala da mudança na PM, sim. Mas…esta seguramente não é a questão central da qual estou falando.


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos