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Postado em 05-02-2010
Arquivado em (Artigos, Eventuais) por vitor em 05-02-2010 12:41

DEU NO JORNAL A TARDE

“Bomba, Bomba”, diria o célebre colunista Ibrahim Sued se vivo estivesse:

A polêmica sobre o projeto de construção da ponte monumental de 12Km, ligando Salvador à Ilha de Itaparica, ganhou combustível novo com a matéria que o jornal A TARDE publica em sua edição desta sexta-feira, assinada pela repórter Patrícia França.

O governador Jaques Wagner, responsável pela idéia, sai em defesa da ponte duas semana depois de lançado o manifesto que propõe amplo debate sobre a construção da ponte – tema do artigo “Adeus, Itaparica”, de autoria do escritor João Ubaldo Ribeiro publicado no jornal baiano..

O manifesto conquistou assinaturas de perrsonalidades do porte de Chico Buarque de Holanda, Aninha franco, Verissimo, Emmanoel Araujo, Sebastião Nery, Cacá Diegues, Sonia Coutinho, entre dezenas de outros – baianos ou não.

O governador Wagner considera “besteirol” e “clichê” os argumentos do autor de “Viva o povo Brasileiro” contrários à construção da ponte de custo bilionário ( R$ 1,5 a 2 bi) e em defesa de amplo debate sobre o projeto em torno do qual quatro grandes empreiteiras já demonstram interesse, entre elas a OAS e a Odebrecht. .

Bahia em Pauta reproduz a matéria de A TARDE:

(Vitor Hugo Soares)

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Wagner: “posso encontrar outros ícones”

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Patrícia França, do A TARDE

Duas semanas depois de lançado o manifesto em defesa de amplo debate sobre a construção da ponte Salvador-Ilha de Itaparica – tema do artigo “Adeus, Itaparica”, de autoria do escritor João Ubaldo Ribeiro publicado em A TARDE –, o governador Jaques Wagner (PT) declarou, nesta quinta, que é defensor da ponte porque traz modernidade. Ele disse respeitar a opinião de Ubaldo, ilustre itaparicano em férias na ilha, mas define como “besteirol” e “clichê” o argumento de que as coisas que envolvem dinheiro são sempre obra cara e a serviço de empreiteira.

“João Ubaldo é um grande escritor, não sei se é um grande urbanista, mas tem o direito de emitir a opinião dele. Mas não acho que a opinião dele é referencial. É uma opinião de um cidadão, como é um cidadão qualquer trabalhador de Itaparica”, disse Wagner, para quem os argumentos do escritor “podem ter uma reverberação maior pelo o que ele representa do ponto de vista do mundo literário, de nossa cultura”.

Aninha e Chico – O manifesto para discutir a ponte Salvador-Itaparica, que terá 12 quilômetros de extensão e deverá custar entre R$ 1,5 bilhão a R$ 2 bilhões, já tem a adesão de intelectuais de todo o país, como a dramaturga baiana Aninha Franco e o compositor Chico Buarque de Holanda. João Ubaldo, em seu artigo, alerta para o risco da ponte comprometer o meio ambiente e aumentar a pobreza na ilha por conta da especulação imobiliária.

Wagner acha que o tema não deva ser discutido com paixão, porque não contribui com o debate, e disse não ter nenhum medo de dogma. “Eu gosto de me contrapor com argumentos e com debates”, frisou o governador. “A verdade é um processo de debate e construção de consenso. Então não me venha pra cá nenhum dono da verdade, dizer é assim ou é assado”.

Em tom desafiador, falou: “Eu (também) posso encontrar outros ícones da cultura baiana e brasileira que têm opinião contrária ao do meu querido escritor”.

Audiência – Entre os que discordariam do escritor, na opinião do governador, estaria o povo de Itaparica e que o manifesto deveria ser uma audiência pública na ilha ou em Salvador ou na Prefeitura de Vera Cruz. “Esses são os maiores interessados” , assinala o petista, lembrando que mesma polêmica foi criada quando foi construída a Ponte do Funil, que interliga a ilha ao continente pela contracosta.

Jaques Wagner explicou que só fez lançar uma ideia que ele espera se materializar. Disse que, mesmo que quisesse buscar uma solução mais barata, expandindo por exemplo o Sistema Ferryboat, ainda assim não seria solução para driblar os congestionamentos nos feriados e durante o verão. Segundo ele, há impossibilidade de atracação e desatracação.

“A lancha vai continuar, mas precisamos expandir nossa capital que está estourada demograficamente e a ponte seria um vetor Oeste de crescimento”, ponderou Wagner, que não vê alternativa de menor custo para fazer a travessia, conectando a rodovia BR-242 com o Porto de Salvador. As construtoras OAS e Odebrecht já realizaram estudos preliminares e têm interesse em participar de uma eventual licitação.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 5 Fevereiro, 2010 at 13:07 #

Caro VHS

Esse blogueiro de vagas horas está “abismado”, e ao que parece, ao contrário do que dizia o Ibrahim Sued, ao menos na tua Bahia, “cavalo já anda descendo escada”.

Afinal Jaques Wagner inova, desmente o secretário Leão sem ao menos citá-lo.

Disse Leão:

“Na entrevista a Terra Magazine, o secretário baiano defende e justifica a ideia de construir a ponte de 13km na Baía de Todos-os-Santos. Quatro consórcios já compraram o edital, informa Leão.”

Desmente Wagner:

“Jaques Wagner explicou que só fez lançar uma ideia que ele espera se materializar.”

De duas uma:

Ou Leão é criador de causos, ou os sonhos do Wagner são sinônimos de editais!

A história se complica a cada fala, mas… 12 ou 13 km, 1,5 a 2,0 bi, para alguns, parecem justificar o teatro do absurdo, digno de Ionesco.

A cada fala um susto, a cada réplica um “embaralhar” próprio daquela ave natalina sob o efeito do último drink.

Resista João Ubaldo, os adversários já estão trocando as falas!


rosane santana on 5 Fevereiro, 2010 at 21:26 #

É bom não esquecerem que João Ubaldo, além de grande escritor, intelectual maior deste país, é cientista político dos bons, com pós-graduação em universidade Californiana e carreira acadêmica, ainda que abandonada. E isso não é tudo, mas, com certeza, faz muita diferença. E, convenhamos, estão tentando desviar o debate para a história da nostalgia, que não é a questão central do artigo Ädeus Itaparica, porque não desejam responder, o que mais incomoda, o ataque irrespondível sobre a corrupção, um câncer que destrói o país. Corrupção que, segundo estudiosos, manifesta-se no Terceiro Mundo (em desenvolvimento é unfanismo, porque com tanta desigualdade, analfabetismo e violência…) na voracidade com que governos de mãos dadas, com, entre outros, meia dúzia de empreiteiras, costumam propor obras faraonicas para engordar bolsos privados. O artigo de João Ubaldo, longe de besteirol, é um texto perfeito, um libelo contra tal procedimento. Essa turma do PT precisa ter mais modéstia, até porque lhes falta, pelo menos nas figuras envolvidas no ataque a Ubaldo, densidade intelectual para uma análise sobre a realidade brasileira e baiana. São leitores de orelha de Viva o Povo Brasileiro. Viva João Ubaldo!


rosane santana on 5 Fevereiro, 2010 at 21:29 #

Aliás, essa atitude de Wagner não tem nada de moderna. Lembra um coronel de segunda. Neste aspecto, governador, ACM foi imbatível!


ZÉU BARBOSA on 28 Fevereiro, 2010 at 13:23 #

A SOCIEDADE ATUAL NÃO ADMITE MAIS AÇÕES ISOLADAS
SEUS DIVERSOS ATORES QUEREM PARTICIPAR

De nada adiantará fazermos um trabalho conjunto e conquistarmos o que queremos para o lugar aonde vivemos se, de repente, recebermos Ilha à dentro todos os produtos (positivos e negativos) da tão anunciada “ponte” Salvador-Ilha. Sabe-se que a “ponte” mudará substancial e essencialmente a vida na Ilha de Itaparica, mas que “ela” venha com tudo o que há de necessário para a sua implementação, senão vejamos alguns pontos:

1) Licitação Federal para apresentação de projetos de estudos de impactos ambientais e sociais em todas as suas dimensões;

2) Licitação para apresentação de projetos arquitetônicos da “ponte” e dos entornos das cabeceiras;

3) Licitação para apresentação de projetos executivos respectivos;

4) Consulta popular (enquete);

5) Programas de educação específicos para preparar a população para receber tudo o que advirá com a “ponte”, seja para compreender a avalanche (progresso) inevitável, seja para ser qualificada para sobreviver na avalanche do real mundo capitalista. Pelo contrário, as pessoas que daqui tiram seu sustento, serão atropeladas pelos técnicos e pelos oportunistas. É claro que precisamos de técnicos, mas se nos derem tempo para qualificar nossos jovens e eles próprios trabalharem conosco imbuídos do espírito do Desenvolvimento Sustentável e Sustentado, ao invés de um meteórico (passageiro) crescimento, certamente a Ilha de Itaparica dará um magnífico salto em direção a um Destino Turístico respeitadíssimo, em nível mundial.

Precisamos nos lembrar, sempre, que os bens naturais (praias, águas mornas e tranquilas, ar puro, faunas e floras marinha e terrestre, clima, relevo…) que compõem o cenário da Ilha de Itaparica não são produtos das nossas mãos, mas poderão ser destruídos, num piscar de olhos, pela nossa inércia ou omissão.

Também quero a “ponte”, mas que “ela” venha com a certeza da produção e distribuição justa de bens e consumo, além da manutenção da qualidade de vida; enfim, que as próximas e próximas e próximas gerações não sejam afetadas negativamente por um “projeto” que vai resolver o problema de escoamento do trânsito da Grande Salvador em detrimento (possivelmente) do nosso Habitat. Para finalizar e ilustrar: as praias, as águas, o ar e o povo já não são os mesmos em Morro de São Paulo e em Porto Seguro, haja vista a invasão que sofreram aqueles destinos, tidos, um dia, como paraísos.

Consubstanciando a presente argumentação, Dávio Júnior faz a seguinte observação:

“Ressalte-se que o grande perigo do século XXI é a aceitação passiva, pela população, de conceitos elaborados sem a reflexão necessária, cujos temas são explorados por organizações que procuram dominar a política… A manipulação das massas por parte da mídia (…) também é outro perigo que deve ser combatido e investigado.” (Dávio Antônio Prado Zarzana Júnior – Mestrando em Direito das Relações Sociais pela PUC/SP, Pós-Graduado em Direito Processual Civil pela PUC/SP, Bacharel em Direito pela PUC/SP em 1995. Membro da AASP). vide Jus Navigandi in web.

Os oportunistas já começaram a mostrar suas garras. Recentemente, uma empresa de transporte marítimo apresentou à associação que faz a travessia Mar Grande-salvador, proposta de compra das linhas de transporte marítimo de passageiros. É assim que a coisa funciona legalmente?

Será que a proponente está se importando com as mais de cem famílias sustentadas diretamente pelas ocupações geradas pela Associação? E os Trabalhos indiretos e informais?

Será que os profissionais do mar vão cair, novamente, naquele velho conto (promessa de serem aproveitados profissionalmente), como ocorreu com os empregados do sistema ferry-boat, os quais foram obrigados a optarem pela “demissão voluntária”?

Será que o Governador da Bahia e o Secretário de Estado do Turismo já se esqueceram do que disseram sobre o assunto (vide atas do Fórum Estadual de Turismo): que defendem o processo concessório legal (através de licitação) para a referida linha marítima, mas com prioridade para os proprietários de lanchas que exploram a linha Mar Grande-Salvador há dezenas de anos?

Que venha a “ponte” Salvador-Ilha de Itaparica! Mas com responsabilidade.

Solidarizemo-nos com ao competentíssimo João Ubaldo Ribeiro; e gritemos “Viva o Povo Brasileiro”, que está, a cada dia, descobrindo, na política, “Quem manda, por que manda, como manda”.

Forte Abraço
ZÉU BARBOSA


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