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Postado em 03-02-2010
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 03-02-2010 10:51

Dalai Lama: no fogo cruzado

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O jornal português Diário de Notícias publica nesta terça-feira que um alto responsável chinês avisou ontem que um eventual encontro entre o Presidente Barack Obama e o Dalai Lama, líder espiritual dos budistas tibetanos, irá “minar seriamente” as relações entre os Estados Unidos e a China. O aviso surge no momento em que os dois países estão em rota de colisão devido à venda de armas a Taiwan, mas também após um conflito envolvendo a Google e relacionado com direitos humanos.

Segundo DN, o Dalai Lama visitará os EUA dentro de duas semanas e a viagem terá início em Washington, mas não há confirmação oficial de que o presidente se encontrará com o líder espiritual tibetano. “Se o dirigente americano [Obama] escolher esse momento para se encontrar com o Dalai Lama, isso vai ameaçar a confiança e cooperação entre a China e os Estados Unidos”, avisou Zhu Weiqun, responsável pelo departamento de trabalho da frente unida, organização do partido comunista que trata dos tibetanos.

Neste último fim-de-semana, as relações sino-americanas foram abaladas pelas críticas chinesas à venda de armamento a Taiwan. Pequim considera que Taiwan é uma província rebelde e reagiu com irritação ao anúncio de um contrato de venda de armas americanas no valor de 6,4 mil milhões de dólares. O pacote inclui equipamento sofisticado, como mísseis antimíssil Patriot, helicópteros e navios draga-minas.

Em resposta, os chineses disseram que o negócio afeta os seus interesses e que haverá repercussões na cooperação entre os dois países. Pequim disse também que iria punir as empresas envolvidas na venda, mas sem dar pormenores sobre eventuais sanções.

FONTES DE PROBLEMAS

Washington tem o compromisso de defender Taiwan de qualquer ataque chinês, fornecendo armas que concedam tempo suficiente às forças de defesa da ilha até à chegada de unidades navais mais poderosas. Trata-se de um equilíbrio estratégico difícil: não armar demasiado Taiwan mas não deixando enfraquecer este país cujo reconhecimento internacional a China tem impedido.

Taiwan e Tibete não são as únicas fontes de problemas entre os dois países. Há duas semanas, o gigante informático Google ameaçou sair da China, após sofrer um ataque cibernético. As duas potências têm ampla rivalidade estratégica, mas o facto é que estão dependentes uma da outra a nível económico, isto apesar das frequentes discussões sobre comércio, valor da moeda e ambiente.

Nos últimos anos, a China acumulou enormes reservas financeiras (2,3 biliões de dólares). Metade do dinheiro foi investido em obrigações do tesouro americano e as autoridades de Pequim ficam nervosas com tudo aquilo que possa desvalorizar este investimento, a queda do dólar, por exemplo. No fundo, a economia americana foi financiada pelos chineses, que assim mantiveram a sua moeda artificialmente em baixa: Pequim precisa de criar muitos empregos. Ontem, a OCDE afirmou que a China enfrenta um problema de excesso de crédito, o que está a criar inflação. A valorização da moeda chinesa pode evitar desequilíbrios que a organização considera serem perigosos.

Além disso, sem a China, torna–se difícil resolver a questão da proliferação nuclear da Coreia do Norte e do Irão. Mas também aqui os EUA conseguiram enervar os chineses. O Pentágono anunciou novos planos navais que permitirão contrariar a modernização militar dos iranianos e chineses.

A situação degradou-se tão depressa que alguns analistas afirmam ter ocorrido uma mudança nas prioridades da administração Obama. O presidente americano esteve em Novembro na China, numa visita que não correu tão bem como se esperava.

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