Leão: em defesa da ponte e do governo Wagner

=====================================================

“Bomba! Bomba!”, diria o lendário colunista Ibrahim Sued se vivo estivesse:

O secretário de infraestrutura da Bahia, João Leão, em entrevista incendiária a Terra Magazine, não apenas defende e justifica a ideia de construir a ponte de 13km na Baía de Todos-os-Santos. Além disso, revela que quatro consórcios já compraram o edital, de olho no negócio sugerido pelo governo baiano.Mais: em resposta às crítica do romancista João Ubaldo Ribeiro, Leão diz que “os escritores estão de um lado e o povo está de outro”.

Em longa e reveladora conversa com o repórter Claudio Leal, o secretário de Infraestrutura da Bahia, João Leão (PP), ataca: o escritor João Ubaldo Ribeiro, segundo ele, só critica porque “não conhece o projeto” da ponte Salvador-Itaparica

Um dos responsáveis pelo desenvolvimento do projeto da bilionária ponte Salvador-Itaparica, o secretário de Infraestrutura divide a arena: “Os escritores estão de um lado e o povo está de outro”. Crítico da ideia de construir uma ponte na Baía de Todos-os-Santos, o romancista itaparicano João Ubaldo Ribeiro ganhou o apoio de escritores, artistas, jornalistas e professores na defesa do ecossistema da maior ilha marítima do Brasil, revela Terra Magazine na apresentação da entrevista.

Do lado de Ubaldo, Luis Fernando Verissimo, Cacá Diegues, Milton Hatoum, Sonia Coutinho, Hélio Pólvora, Ricardo Cravo Albin, entre outros signatários do manifesto “Itaparica: ainda não é adeus”. Defensor leonino do projeto, João Leão opõe o desejo do povo de Itaparica à opinião dos intelectuais brasileiros.

– …Nós fizemos uma pesquisa, na própria Ilha de Itaparica, e 95% da população aprova a ponte – sustenta o secretário, para completar: – Rapaz, se a população não tem concepção de urbanismo, só quem tem são os escritores?

Deputado federal licenciado e ex-afilhado do ex-senador Antonio Carlos Magalhães, Leão se incorporou ao governo de Jaques Wagner (PT) em 2009. A adesão sofreu bombardeios de petistas históricos, a exemplo da prefeita de Lauro de Freitas (BA), Moema Gramacho, que o incluiu, numa nota pública, entre os “sanguessugas profissionais da política”. Wagner sustentou a escolha.

Na entrevista a Terra Magazine, o secretário baiano defende e justifica a ideia de construir a ponte de 13km na Baía de Todos-os-Santos. Quatro consórcios já compraram o edital, informa Leão.

– O que nós estamos querendo? Salvador só tem uma entrada, que é a BR-324… Você venha do Sul, venha do Norte, venha do Nordeste, você só entra pela BR-324… Porque a Baía circunda a cidade do Salvador. Com a construção da ponte, nós teríamos uma saída Sul – esclarece.

Opositor da intervenção na paisagem da Baía, o musicólogo e fundador do Museu da Imagem e do Som, Ricardo Cravo Albin, recorre a um exemplo histórico para destacar a ameaça do projeto à Ilha de Itaparica: “A Ilha do Governador, dentro da Guanabara, também recebeu ponte. Que só lhe trouxe desolação, destruição e perda de beleza. A ilha era um viveiro do Rio com suas chácaras, seus pomares ubérrimos, sua tranquilidade encantadora, refúgio de gente do porte de Rachel de Queirós e Vinicius de Moraes”.

João Leão garante que o governo do Estado realizará todos os estudos de impacto ambiental. Mas o secretário se contradiz quanto à existência de um projeto prévio. Antes do lançamento do edital, ele antecipou imagens da estrutura ao jornal baiano A Tarde, em 8 de janeiro. Declarou que se tratavam de estudos feitos, sem ônus para o Estado, pelas construtoras OAS e Odebrecht. Agora, ele evita citar o nome das empresas:

Nova explosão de polêmica à vista. Confira a íntegra da entrevista de João Leão em terra Magazine: ( http://terramagazine.terra.com.br)

(Postado por Vitor Hugo Soares)

Be Sociable, Share!

Comentários

rosane santana on 1 Fevereiro, 2010 at 10:49 #

Com a morte de ACM, as viúvas empreiteiras esposaram na Bahia, quem diria, o governo do PT. No Terceiro Mundo, as grandes obras, com projetos de alta complexidade e exigências técnicas que só meia dúzia de empresas detêm, que nem sempre são priopridade e nem servem aos interesses da comunidade como um todo (quem acredita nessa pesquisa do governo em Itaparica?), são feitas, segundo especialistas e estudiosos, para facilitar a transferência de recursos públicos para mãos privadas. Mas, não acredito que isso esteja acontecendo na Bahia nestes tempos, em que dizem, porque estrou longe, sopram os ventos da democracia e da ética na política, com o Partido do Mensalão. Seria um absurdo!


luiz alfredo motta fontana on 1 Fevereiro, 2010 at 13:21 #

Caro VHS

Caso a vigência da Lei de Licitações alcance a Bahia então:

O Edital existe, e o inciso V, do artigo 40 da citada Lei, ou seja: “- se há projeto executivo disponível na data da publicação do edital de licitação e o local onde possa ser examinado e adquirido;”,

foi atendido, traduzindo: Inês já se encontra no IML.

Enquanto isso, murmura-se sobre a pureza do PT, ou a condição natural da barba de Jacques Wagner!

Explêndido!

Daqui de longe parece o mesmo do “de sempre”.


luiz alfredo motta fontana on 1 Fevereiro, 2010 at 13:28 #

Vale lembrar, que a afirmação de que o Edital foi comprado, traduz que o mesmo foi inclusive publicado.

De certo, todos o conhecem, ou não?

Bem como a execução das obras nele previstas, e objeto de licitação, foram formalmente aprovadas e consubstanciadas em normas de estilo.


luiz alfredo motta fontana on 1 Fevereiro, 2010 at 13:30 #

Caso contrário, mas sendo verdade a compra do edital, então estaremos frente à inédita licitação em “segredo de administração”.

Vale tese, congressos, e publicações de alentadas doutrinas.


carlos on 1 Fevereiro, 2010 at 13:42 #

correto, fontana. mas… e?


luiz alfredo motta fontana on 1 Fevereiro, 2010 at 14:44 #

Caro Carlos

Ou… o edital existe e a obrigatória publicação também, e portanto a surpresa seria fora de propósito, o que parece a distância, irreal.

Ou… estão ousando e inovando na Bahia, esquecendo de que são meros administradores de coisa alheia.

Nesse caso, com a “notitia” agora revelada, só resta ao MP agir, sob pena de omissão, uma das condições da prevaricação.

Na minha limitada tentiva de comprovar a existência da publicação do efital, restei sem resposta, mas percebo um deserto de cobertura na imprensa regional.

Nada espantoso, aliás, nesse caso, sem surpresa.


carlos on 1 Fevereiro, 2010 at 21:42 #

Ok, Fontana, agora entendi! Valeu a explicação lúcida. Obrigado.


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos