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Postado em 30-01-2010
Arquivado em (Artigos, Multimídia, Vitor) por vitor em 30-01-2010 00:02

Lula: apesar da fadiga visível…

ARTIGO DA SEMANA

… Presidente brinca com saúde em Paulista

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A FADIGA DO “HOMEM DO ANO”

Vitor Hugo Soares

Em Recife, poucas horas antes de passar mal na noite de quarta-feira e ser levado para o setor de urgências médicas do Hospital Português de Beneficência da capital pernambucana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva protagonizou uma situação emblemática destes dias e noites do poder, do governo e da política no País. Isso quando já apertava o cinto para decolar rumo ao título de “Homem do Ano” em Davos, na Suíça.

Devidamente filmada, som bem audível, a cena transcorre em um dos vídeos mais acessados do You Tube nos últimos dias no Nordeste, entre a Bahia e Ceará, mas que está bombando principalmente em Pernambuco pós-susto do presidente Lula na Veneza brasileira. O fato ainda mexe – e muito – com o País. Dá calafrios principalmente na espinha governista, petistas à frente, embora alguns tentem disfarçar.

O vídeo, um sucesso completo nos sites e blogs nordestinos em que tem sido publicado, a começar pelo do polêmico jornalista pernambucano Jamildo Melo, um dos primeiros a informar sobre a fadiga do presidente. A cena acontece durante o discurso de Lula na inauguração da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Paulista, localidade na Região Metropolitana do Recife.

Mesmo visivelmente estafado pela agenda massacrante e em ritmo de campanha a que se impôs nos últimos dias, o presidente não perde a oportunidade de brincar com seus conterrâneos. Faz troças bem ao estilo da terra e leva o público ao delírio, enquanto tenta marcar mais um gol de palanque no centro de saúde repleto de eleitores, dirigentes da política local e na presença atenta da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, preferida do orador à sua sucessão

“Eu quero ser o primeiro paciente desta UPA aqui”, diz o presidente da República ao iniciar os elogios rasgados à obra do governo federal em associação com o governo de pernambucano. O público ri e aplaude, os políticos se deliciam e trocam segredos entre si. E Lula vai em frente: “Eu visitei a UPA quando cheguei. Ela está tão organizada, tão estruturada, que dá vontade da gente ficar doente para ser atendido aqui”, segue o presidente em seu discurso.

O vídeo mostra, em seguida, a troca de olhares cúmplices e sorrisos de satisfação entre o governador Eduardo Campos (PSB) e a petista Dilma Rousseff, sentados lado a lado na cerimônia no salão da UPA, na periferia da capital pernambucana.

Mas, como se sabe, palavras e promessas de discursos políticos voam como plumas com os que as pronunciam, em busca do próximo palanque. Ainda mais em períodos pré-eleitorais como este que começou no País antes do tempo legal e que ninguém segura mais. Nem a lei. É assim há muito tempo e só muda quem faz o comício, ou quem chora por causa dele.

Basta lembrar o tempo do famoso caderno do presidente Juscelino, citado no livro “O Dia em que Getúlio matou Allende”, do jornalista Flávio Tavares. Nas viagens de JK, um assessor anotava os pedido de eleitores e promessas do presidente. Quando o caderno estava cheio até a última página, o auxiliar perguntava: “O que faço agora, presidente?”. E Juscelino respondia, segundo Tavares em seu livro: “Rasga, joga fora e começa outro caderno”.

Ao que se sabe até aqui, o presidente Lula não costuma fazer o mesmo. Mas na quarta-feira em Paulista, agiu como administradores públicos, políticos e candidatos fazem em geral por aqui depois de cada palanque e de cada comício. Acabado o discurso cheio de imagens e troças bem ao agrado do eleitor presente, o presidente “rasgou o caderno” e seguiu em frente.

Lula deixou o centro de atendimento médico que acabara de inaugurar sem ao menos pedir a um médico, enfermeira ou atendente de tantos que estavam por lá, para lhe medir a tensão. Isso seria talvez o suficiente não só para o presidente cumprir a promessa do discurso que acabara de pronunciar, mas provavelmente teria sido providência simples e eficiente para identificar sinais concretos da subida violenta da pressão e da fadiga já visível no rosto cansado de Lula.

A hipertensão levaria poucas horas mais tarde ao maior susto de saúde que ele já passou em seus quase oito anos de governo e discursos como o do centro médico de Paulista na quarta-feira.

UPA!, troçam os pernambucanos depois do susto, enquanto se divertem com o vídeo da inauguração do posto médico no subúrbio de Recife. No Hospital Português, em Pernambuco, Lula não só verificou a perigosa pressão de 18 x 12, como foi obrigado a obedecer à recomendação expressa de cancelar a agenda que previa a viagem a Davos e a volta “por cima do rastro”, como dizem os nordestinos, para participar de novo comício, neste sábado, 30. Desta vez em Salvador, na abertura do Fórum Social Internacional da Bahia.

O PT baiano anda inconsolável com a ausência da estrela de maior atração do evento. Fica o buraco político, que caberá ao governador Jaques Wagner e seus aliados preencherem, enquanto o presidente repousa ao lado da primeira dama Marisa Letícia e filhos, que seguramente agradecem. A ministra e “afilhada” Dilma Rousseff também.

UPA!

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor-soares1@terra.com.br

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