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30

Um brinde de amigas na Flórida e…

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.. uma linda melodia: inesquecíveis

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CRÔNICA/ UM LUGAR

1994, UMA VIAGEM INESQUECÍVEL

Aparecida Torneros

Aquela viagem… inesquecível… Eu, minha prima Carmen, sua filha Luciana e meu filho Leandro, os jovens, com 16 anos, nós quarentonas, brincalhonas e divertidas.

Hoje Léo e Lu tem 32 anos. Ela é mãe da Bia , casada com o Saulo e moram em Salvador. O Léo é professor, mora no Rio.

Fomos pra casa da Edie, uma americana que era viúva do nosso tio-avô Obidio, irmão da avó Carmen, ela nos recebeu em Orlando, e de carro, fomos para sua casa em Jacksonville, norte da Florida.

Dias de frio, idas a shoppings, o forte de Sant Agostin, Miami, passeios, estradas, pizzas, sanduiches, histórias, risadas, feiras, caminhadas, compra de um 486, que era o computador mais moderno da época, rs, uma sucessão de encontros com o dia a dia do Way or life, dos americanos.

Cansamos de repetir sobre o Brasil para a Suzete, a Sula, a Jennie, os amigos, os vizinhos da Edie, que conheciam muito pouco sobre o nosso país. Estranhavam porque nós quatro sabíamos falar bem o inglês, se nunca tínhamos morado fora daqui… preconceito, desinformação, e um jeito de ser muito comercial, que nos incomodava muito.

Entretanto, o carinho da Edie compensava tudo. Sua vontade de nos agradar, as comidinhas que fazia, a dispensa abastecida de refrigerantes de todos os sabores, da cereja à uva, pra nós, naquele tempo,uma grande novidade.

Eu, morena, ainda, de cabelos escuros naturais, cheia de cachos ( kurls) que elas elogiavam tanto. Lu, lindissima, magrela, sonhando em ser médica, e o meu Léo ainda nâo definira o papel de professor que assumiu nos últimos anos, mas, devorava os jogos Sonic, e nos guiava, por lá como um cicerone, usando sempre boné e rabo de cavalo.

Brindamos algumas vezes ao sentimento melhor que nos uniu naquele janeiro de 94, o amor, a glória dele, o amor entre familiares, o sentimento que nos proporcionou encontro tão marcante, cujas lembranças hoje rememoro.

Na volta, quando dormimos uma noite num motel de Miami, deu pra sentir a pujança da cidade, mas nossos melhores dias tinham ficado pra trás, no aconchego da casa cercada de grama, calefação a 21 graus, enfeitada de lembranças que a Edie colecionara em tantas viagens que fez ao Brasil, na companhia do tio Obie.

Sessões de slides, pipocas, brincadeiras, ela nos fazia rir quase o tempo inteiro, e ainda, o papagaio dela na cozinha, o Sean, a repetir ” good morning” toda a vez que acendíamos a luz ,mesmo de madrugada. A lareira foi acesa uma vez e desligamos a calefação. Motivo: ela queria que os meninos comessem mashmellow torrado nas brasas, tradição americana.

Enquanto lavávamos a louça do jantar, muitas vezes, cantarolamos juntas: “You have to give a little, wait a little, that is the glory of love”. Também , uma noite, descobrimos que ambas éramos apaixonadas por Dinah Washington e a ouvimos quase até o amanhecer.

Quando a saudade batia, nos anos subsequentes, ela, já doente, ligava pra mim nas noites de sábado… e sussurrava…I love you, Maria… eu respondia, embargada….Me too, aunt Edie, I love you too!

Aparecida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária

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Comentários

Cida Torneros on 31 Janeiro, 2010 at 18:21 #

Oi Vitor!!!
obrigada por me permitir compartilhar como o BP este episódio, de uns anos atrás, na foto estou com a Carminha, minha prima, brindando à alegria de viver a Vida!! Axé!!! Vou passar a Semana Santa na Bahia, a saudade é muito grande, já que não dá pra ir no Carná, vou na Páscoa! beijo
Cida Torneros


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