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Postado em 29-01-2010
Arquivado em (Artigos, Janio) por vitor em 29-01-2010 21:16

Covas no palanque: um craque

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CRÔNICA / DIFERENÇAS

O AVATAR DE DILMA E SERRA

Janio Ferreira Soares

Meu último artigo sobre a foto de Lula carregando um isopor na cabeça teve uma repercussão acima da média. Muitos entenderam que eu estava puxando o seu saco, outros acharam que não sou digno de uma só palavra ao seu respeito, enquanto alguns entraram na onda e simplesmente curtiram, assim como eu fiz quando vi aquela genial imagem estampada nos jornais. Afinal, não todo é dia que a gente dá de cara com um presidente andando de modo tão distraído.

É claro que ele é um ser humano normal – como, aliás, comentou um raivoso leitor -, passível de hipertensão, suores e ressacas. Mas eu não consigo imaginar, por exemplo, FHC, nos tempos em que ele também passava férias na praia de Inema, com qualquer outra coisa na cabeça que não o seu vistoso topete, ou, no máximo, um livro de Jean Paul Sartre aparando o Sol, com dona Ruth ao lado também lendo o seu, tal uma Simone de Beauvoir dos trópicos. (A propósito, uma cena normalíssima, pois os dois sempre tiveram o saudável hábito da leitura).

E “vive la différance”, como costuma dizer um amigo itapagipano de alma francesa, pois é exatamente ela que acirra esses debates e nos dá a munição diária para preencher espaços vazios, principalmente nesse período em que a tensão pré-eleitoral está começando a pegar fogo.

E por falar em campanha, se os marqueteiros oficiais não abrirem os seus estoques de surpresas, como aquela em que Lula surgiu de terno Armani quando todos o esperavam com a velha camiseta de sempre, essa eleição presidencial poderá ser uma das mais chatas da história. É que tanto Serra quanto Dilma passam longe da escola de políticos como Brizola, Mário Covas ou o próprio Lula, craques em animar debates.

Mas esses magos da mídia são capazes de criar uma espécie de Avatar dos candidatos, onde de repente eles poderiam assumir formas mais humanas, sei lá, com Serra incorporando um mano da periferia paulistana, enquanto Dilma surgiria como defensora da Amazônia, num misto de Marina Silva com a heroína Neytiri.

O problema é convencer o eleitor da veracidade dessas performances, pois elas podem parecer tão verdadeiras quanto Xuxa citando João Ubaldo ou Baudelaire numa manhã de um sábado qualquer.

( Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, no Vale do São Francisco )

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Comentários

Ivan Mannheim on 17 Fevereiro, 2011 at 7:26 #

This article gives the light in which we can observe the reality. This is especially nice one and gives in-depth information. Thanks for this nice article. vi Scharr


Lelia Cleal on 19 Fevereiro, 2011 at 10:30 #

Thank you for this intresting article. :-)borah Kroeger


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