João Ubaldo:”Itaparica é patromôno brasileiro”

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Segue a avalanche desencadeada pelo escritor João Ubaldo Ribeiro com o seu artigo “Adeus, Itaparica”. Com 655 palavras, Ubaldo conquistou o apoio de escritores, artistas, professores, jornalistas e demais profissões, como dizem os radialistas, para a defesa da Ilha de Itaparica, ameaçada pela construção de uma ponte sobre a Baía de Todos-os-Santos, anunciada pelo governador da Bahia – como assinala a revista digital Terra Magazine na apresentação da entrevista exclusiva do autor de “Viva o povo brasileiro”.

A conversa de João Ubaldo com o repórter Claudio Leal, acaba de ser postada em TM, nesta quinta-feira. Direto da ilha, o escritor não foge do debate sobre a ponte e soma novos e poderosos argumentos á discussão. Depois de atacar o projeto do governador da Bahia, Ubaldo ganhou o apoio de Verissimo, Milton Hatoum e Cacá Diegues e muita gente mais na Bahia e no País, como pode ser verificado nas assinaturas do manifesto de apoio ao escritor itaparicano, que corre na web( VEJA NO BAHIA EM PAUTA)

João Ubaldo Ribeiro usa, mais uma vez, com brilho, huior, arte e elevado poder de argumentação, sua arma invencível: a palavra.

Sobre a repercussão nacional do assunto, João Ubaldo declarA e avisa.

– Vejo que não estou falando no vazio. A Ilha de Itaparica não é um patrimônio só dos itaparicanos. É um patrimônio brasileiro

Leia a entrevista em Terra Magazine ( http://terramagazine.terra.com.br ), que Bahia em Pauta reproduz:

(VHS )

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CLAUDIO LEAL

O escritor João Ubaldo Ribeiro poderá dar alívio aos que desconfiam do poder de uma crônica. E que Rubem Braga nos ouça. Com 655 palavras, em “Adeus, Itaparica”, Ubaldo conquistou o apoio de escritores, artistas, professores, jornalistas e demais profissões, como dizem os radialistas, para a defesa da Ilha de Itaparica, ameaçada pela construção de uma ponte sobre a Baía de Todos-os-Santos, anunciada pelo governador baiano Jaques Wagner (PT).

Em solidariedade ao romancista itaparicano, e contra o projeto bilionário da ponte de 13km, nasceu o manifesto “Itaparica: ainda não é adeus”, que conta com as assinaturas do cineasta Cacá Diegues, dos escritores Luis Fernando Verissimo, Milton Hatoum, Sonia Coutinho, Jomard Muniz de Britto, Hélio Pólvora e Edson Nery da Fonseca, do jornalista Sebastião Nery, além de companheiros da “Geração Mapa” (aglutinada por Glauber Rocha), como o poeta Fernando da Rocha Peres, os artistas plásticos Sante Scaldaferri e Ângelo Roberto, o ex-procurador-geral da Bahia Antonio Guerra Lima, entre outros.

– Vejo que não estou falando no vazio. A Ilha de Itaparica não é um patrimônio só dos itaparicanos. É um patrimônio brasileiro – declara Ubaldo, em entrevista a Terra Magazine.

Apesar do apoio de intelectuais baianos e nacionais, o romancista tem enfrentado uma campanha negativa dos partidários da ponte e de filiados ao PT. De “romantismo não enche barriga” a “ele mora no Leblon”, os torpedos dos adversários lhe soam como… “burrice”. Ubaldo responde aos que cobram seu endereço postal:

– Dizer que não se mora aqui é uma perfeita burrice. Dorival Caymmi morava onde? Ruy Barbosa morava onde?… O governador morou onde esse tempo todo? – ironiza, referindo-se ao carioca Jaques Wagner.

Para o autor do clássico “Viva o povo brasileiro”, a Bahia tem um “descaso horroroso” com o patrimônio histórico e o meio ambiente. Ubaldo afirma que o caos do ferry boat, na ligação marítima entre Salvador e Itaparica, é proposital, para justificar a contrução de uma ponte bilionária. Há filas imensas durante feriados prolongados. Segundo o jornal A Tarde, as construtoras OAS e Odebrecht são as fontes dos anteprojetos do empreendimento.

– A população tem toda razão em ficar com raiva do ferry boat e querer a ponte… Não vai se esperar do povo a mentalidade de um urbanista -sustenta o escritor.

Antes, enfatiza:

– Com R$ 120 milhões, R$150 milhões se resolve o problema do ferry boat e se passa a administrar bem. É uma solução que está em qualquer canto do mundo. Até no Maranhão, que é um Estado pobre, o ferry boat funciona. Aqui não pode funcionar…
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Leia a conversa com o neto de Ubaldo Osório, o romancista João Ubaldo Ribeiro.

Terra Magazine – Como o senhor avalia o manifesto em apoio a sua campanha contra a ponte na Baía de Todos-os-Santos?
João Ubaldo Ribeiro – Com alegria. Porque vejo que não estou falando no vazio. A Ilha de Itaparica não é um patrimônio só dos itaparicanos. É um patrimônio brasileiro. É um patrimônio nacional, não só histórico como geográfico, com um potencial turístico maravilhoso, com várias áreas ainda de Mata Atlântica. E já tem ponte! É a Ponte do Funil. Li o texto de uma jornalista, Ana Muniz, que foi da Tribuna da Bahia, com argumentos bons. Vale a pena ler. ( clique aqui ) Se o serviço de ferry boat fosse administrado, não teria problema nenhum. Agora, eles não querem. Com R$ 120 milhões, R$150 milhões se resolve o problema do ferry boat e se passa a administrar bem. É uma solução que está em qualquer canto do mundo. Até no Maranhão, que é um Estado pobre, o ferry boat funciona. Aqui não pode funcionar…

Um argumento falho do governo?
Em primeiro lugar, já tem ponte. E a Ponte do Funil não vai suportar mais esse tráfego. Um sujeito que passa seis horas no ferry boat de hoje, pode passar três ou quatro pra vir por Santo Antonio de Jesus, dirigindo, em vez de mofar na fila.

Falam de sua residência no Rio…
Dizer que não se mora aqui é uma perfeita burrice. Dorival Caymmi morava onde? Ruy Barbosa morava onde?

Alguns secretários e assessores do governo se incomodam com isso. Esquecem a presença de Itaparica em seus romances?
É. O governador morou onde esse tempo todo? Itaparica é conhecida no mundo inteiro, está nas enciclopédias! Isso é chato porque parece que eu estou me gabando. Mas é verdade. Ponho na orelha dos livros: “Nasceu em Itaparica”. Vem gente conhecer por causa dos meus livros, as pessoas vêm me procurar.

O projeto dessa ponte está dentro de uma série de atentados contra o patrimônio histórico e o meio ambiente em Salvador, na Bahia?
Um descaso horroroso. Como estou dizendo, o ferry boat precisa ser desmoralizado pra poder a população ficar contra. É isso que estão fazendo. A população tem toda a razão em ficar com raiva do ferry boat e querer a ponte. Porque não é obrigação da população, reduzida culturalmente pelo fato que é a pobreza, a falta de educação formal… Não vai se esperar do povo a mentalidade de um urbanista. Eles vão votar na solução mais rápida, que vá ao encontro das necessidades deles. Ou seja: “Botem logo a merda dessa ponte porque eu não vou passar sofrendo aqui”. Só que isso é a curtíssimo prazo, porque, no dia seguinte, com a inauguração da linha “Praça da Sé-Baiacu” (ri) É verdade… “Terminal da Lapa-Misericórdia”, não sei o quê, Amoreiras… No outro dia não tem mais um terreno de sobra aqui na Ilha, que será invadida… Um pepino gigantesco. Agora, esse negócio de morar… Por exemplo, o presidente Lula precisa dormir nas ruas de São Paulo pra saber as condições dos moradores de rua de São Paulo? Tenho certeza que esse é um bom combate.

Terra Magazine

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Comentários

luiz on 29 Janeiro, 2010 at 6:40 #

leiam este post de um site da Bahia ( de baiano ).
Reflitam

http://politicacomdedonafer.tempsite.ws/blog/?p=1957


Manoel on 29 Janeiro, 2010 at 18:52 #

Concordo com joão Ubaldo. Atualmente Itapirica já é visivel a degradação ambiental; imaginem depois dessa ponte: invasões, violencia e degradação total. Por outro lado, acredito que esta proposta do governador é apenas garantir sua reeleição. Malandragem politica. O metrô de Salvador arrasta há anos.


Marco Lino on 29 Janeiro, 2010 at 23:40 #

A questão não é somente “morar no Leblon”, como o autor marotamente colocou. A crítica de muitos itaparicanos ao João reside no fato de o mesmo morar na Zona Sul carioca, usufruir de todo conforto proporcionado pela “modernidade” – que ele tanto critica – e querer que os itaparicanos continuem lá como estão no século XIX. O problema é que João “se acha” um Homero tupiniquim (ou tupinambá) que vive na Grécia Clássica (com Platão e Sócrates), mas que escreve suas estórias míticas de uma Grécia pré-histórica. Esse mundo mítico, onde têm vida seus “personagens”, não pode acabar, pois sua “genialidade” iria junto. Talvez Freud explique…


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