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Postado em 22-01-2010
Arquivado em (Artigos) por vitor em 22-01-2010 23:24

Eduardo Santos:poder monárquico em Angola

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DEU NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (PORTUGAL )

A Assembleia Nacional de Angola, na África, aprovou ontem a nova Constituição do país, que proíbe a pena de morte e acaba com a eleição direta do Presidente da República. Na prática foi reforçado o poder do atual Chefe do Estado, José Eduardo dos Santos, que lidera o país há 30 anos. As eleições presidenciais não se realizam e o presidente angolano será o primeiro nome da lista partidária das legislativas, acumulando com a chefia do Governo.

A Constituição foi aprovada por 186 votos a favor e duas abstenções, com boicote do maior partido da oposição, a UNITA, cujos 14 deputados presentes (a formação tem 16) saíram da sala, em protesto. Em declarações ao DN (por telefone, a partir do Cunene), o porta-voz da UNITA, Alcides Alfredo Sakala, disse que a nova Constituição representa “a morte da nossa democracia”. Para o responsável pelas relações internacionais do movimento, a proposta equivale à “monarquização do sistema político angolano”.

“O processo significa que a democracia em Angola está em perigo”, explicou Sakala, ao criticar a oportunidade da votação, sobretudo a coincidência com a Taça das Nações Africanas (CAN 2010), que neste momento atrai toda a atenção da opinião pública. A oposição também contesta “a confusão” entre símbolos nacionais e partidários do novo texto.

As mais recentes eleições legislativas realizaram-se em 2008, com vitória esmagadora do MPLA, que obteve mais de 80% dos votos, ou seja, maioria constitucional. A UNITA teve apenas 10% e a terceira formação, o Partido da Renovação Social (PRS), conseguiu pouco mais de 3% dos votos. As presidenciais foram prometidas para 2009, mas não chegaram a realizar-se. As próximas legislativas serão em 2012. José Eduardo dos Santos está no poder desde 1979.

A questão constitucional surgiu ao mesmo tempo em que as autoridades angolanas prenderam quatro ativistas dos direitos humanos em Cabinda, incluindo o padre Raul Tati, detido no sábado. Os quatro são acusados de crimes contra a segurança do Estado cuja natureza não foi ainda revelada. Há relatos não confirmados de outras prisões.

A repressão surgiu dias depois de uma emboscada da guerrilha de Cabinda contra a escolta que acompanhava a selecção de futebol do Togo. No incidente morreram três pessoas. A Constituição angolana não prevê qualquer tipo de autonomia para o enclave.

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