jan
21
Postado em 21-01-2010
Arquivado em (Artigos, Rosane) por vitor em 21-01-2010 22:48

===================================================

ROSANE SANTANA

BOSTON (EUA) – O relógio marca 6:23 pm, mas já é noite fechada em Boston, desde as 4pm (4 da tarde). Na capital de Massachusetts o inverno é rigoroso.Troco os cabos da TV para assistir à Globo Internacional. E, por incrível que pareça, as notícias que vêem do país que o mundo acredita ser uma potência emergente, o Brasil, são chocantes. O Jornal da TV, mininoticiário antes do Jornal Nacional, anuncia o assassinato de uma mulher pelo ex-marido.

A mesma história de sempre: insatisfeito com a separação, o cidadão assassinou a mulher na frente das câmeras, dentro do salão de propriedade dela e na presença de clientes, depois de inúmeras ameacas feitas à vítima, que comunicou oito vezes à polícia, que não fez nada para evitar o crime, absolutamente nada, porque como explicou a delegada, a polícia não pode sair tomando providências por qualquer denúncia que chega. Deveria.

Desculpem os ufanistas de plantão, deslumbrados com essa história de Brasil potência. Mas muitos amazonas precisam passar por debaixo da ponte para esse país se tornar Primeiro Mundo. No quesito civilidade, que faz toda a diferença, tomamos de goleada.

Aqui nos Estados Unidos, por exemplo, seguramente, não haveria ameaça. Porque a um homem, seja ele quem for, não é dado o direito de ameaçar uma mulher ou abusar de uma mulher (vide Polanski), com um olhar que seja! E, se isso acontece, basta um telefonema à Polícia para que o indivíduo seja levado ao xadrez, imediatamente. Parece mentira, porque é simples, mas é verdade! Muitos homens de origem hispânica e brasileira costumam ser presos, obrigados a pagar idenização e até deportados, por violência contra a mulher, que vai de assédio até espancamento.

Aqui em Massachusetts, todas as vezes em que uma mulher vai ao médico, de qualquer especialidade, para uma primeira consulta, ou, em outra oportunidade, com sintomas de pressão alta ou stress, ela é interrogada a respeito de violência doméstica. Em caso de confissão, é o médico(a) quem toma a iniciativa de comunicar a polícia e o marido, companheiro, namorado, seja lá o que for, é preso. Se há fuga, o indivíduo é procurado e, dificilmente, escapa.

Recentemente, ouvi relato sobre um brasileiro que espancou a mulher e fugiu. Dois anos depois, ao tentar renovar a placa de seu automóvel, o que é obrigatório a cada dois anos, foi preso no local. Ao lançar o número da driver licence (carteira de motorista) no computador, o funcionário do órgão viu a ficha do cidadão e acionou a polícia. Ali mesmo ele foi preso, com um agravante por ter fugido.

Desculpem-me, amigos queridos, mas o homem latino vive na idade da pedra lascada. Até quando angelas diniz, sandras gomides, marias islaines, donas-de-casa, anônimas em geral, tantas, tantas mulheres serão abatidas como passarinho neste país?

Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, mora em Boston e estuda na Universidade de Harvard

Be Sociable, Share!

Comentários

rosane santana on 21 Janeiro, 2010 at 23:20 #

Escrevi o texto, no calor da emoção, e esqueci de colocar um detalhe importante. No verão de 2009, nos EUA (junho a agosto), durante debate sobre a condição da mulher no mundo muçulmano, na Universidade de Harvard, usei exatamente a expressão “abatidas como passarinho”, para falar sobre a condição da mulher no Brasil, igualmente castrada, no que fui contestada e quase chamada de mentirosa por uma estudante de Direito da UFBA, que lá estava. Lembrei, inclusive, que a peníssula ibérica foi dominada, por longo período da idade média, pelos arábes islâmicos, durante o império turco-otomano. Essa cultura de castração e violência contra a mulher latina, pode ter sua origem por aí, sem falar que no próprio Cristianismo Maria Madalena foi apedrejada por ser adúltera.


rosane santana on 22 Janeiro, 2010 at 8:17 #

Corrigindo, quase foi apedrejada, não fora Jesus Cristo:”atira a primeira pedra aquele que nunca pecou”.


carmela on 22 Janeiro, 2010 at 17:56 #

Rosena querida:
Boas informações. No dia que o Brasil tratar a questão da violência contra a mulher com o mesmo rigor, a situação muda rapidamente também por aqui .Mas ,infelizmente, apesar da gravidade essa questão não é tratada com a devida relevância.


rosane santana on 22 Janeiro, 2010 at 21:49 #

Cara Carmela, muito não foi dito por mim, como por exemplo: toda empresa possui um comitê de orientação da mulher sobre assédio e ameaças de qualquer tipo. Você sabia que um homem não pode gritar com uma mulher no local de trabalho, que isso é motivo de demissão se a vítima der queixa e tiver provas de constrangimento público? Se houver assédio sexual, o homem carregará, por toda a sua vida profissional, essa observação em seu prontuário e, o resultado, você pode imaginar. Terá dificuldade em conseguir emprego novamente etc e tal.
Em relação à violência doméstica, basta discar 191. A Polícia aparecerá em questão de minutos (não menos de duas viaturas e a depender da gravidade até cinco). Então, antes de agredir uma mulher, por aqui, o sujeito tem que conter, a qualquer custo, o homem das cavernas que tem dentro dele.


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos

  • Janeiro 2010
    S T Q Q S S D
    « dez   fev »
     123
    45678910
    11121314151617
    18192021222324
    25262728293031