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Postado em 18-01-2010
Arquivado em (Entrevistas, Newsletter) por vitor em 18-01-2010 12:53

Aécio: “cuidado com armadilhas./Beto Magalhães-TM

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Editor-chefe da revista Terra Magazine, repórter até na alma, Bob Fernandes não sai sem uma boa e nova informação de bastidor, notícia, reportagem ou entrevista, de onde quer que ele passe. Há poucos dias, por exemplo, ele andou por Belo Horizonte e, apesar da proverbial desconfiança e poucas palavras dos políticos mineiros, arrancou uma alentada e reveladora entrevista do governador Aécio Neves, seguramente destinada a discussão e polêmicas em todos os quintais partidários nesta fase de primeiros ensaios da campanha presidencial à sucessão do presidente Lula.

Na conversa exclusiva com Bob, o governador Aécio é enfático ao afirmar de público, e também pela primeira vez, que é “zero” a chance de ser candidato a vice-presidente da República numa eventual chapa encabeçada pelo colega tucano de São Paulo, José Serra.

Mas não para aí.

Depois de abrir mão de sua pré-candidatura, por discordar dos atrasos nas decisões internas do PSDB, o governador mineiro se revela atento ao que considera uma “armadilha” eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Aécio diagnostica: para robustecer a candidatura da ministra Dilma Rousseff, que o PT articula um discurso de divisão do País entre “ricos e pobres”, “nós e eles”.

O editor-chefe de TM revela na apresentação da entrevista , que dias antes dessa conversa no Mangabeiras, palácio encravado no topo da cidade de Belo Horizonte, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, esteve em São Paulo reunido com o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso e com o presidente do PSDB, Sérgio Guerra.

“Nós teremos que fugir da armadilha que, de forma autoritária, vem sendo preparada”, alerta o governador na entrevista a Terra Magazine. Entende Aécio que a transferência de votos do presidente para Dilma, ungida como sucessora, tem um limite:

– É algo muito relativo e as qualidades do candidato terão que se acentuar ao longo da campanha…

Uma vez mais, Aécio atenta para o risco de um “programa autoritário” do PT para dividir o Brasil muito além das divergências com o PSDB.

– Eu confesso a você que me surpreendi com o vigor do programa do PT já nessa linha que eu chamarei de autoritária, porque ela não serve ao país, ela é falsa, não é real, não existe essa coisa… Vamos fugir desse maniqueísmo ou, como eu disse, dessa posição autoritária de criar uma divisão no País que não interessa a absolutamente ninguém.

E mais Bahia em Pauta não diz, para não tirar o sabor e a arte da conversa de Aécio com Bob Fernandes em sua fonte original: Terra Magazine (www.terramagazine@terra.com.br).  Aliás, só mais o aperitivo da primeira pergunta de Bob a  Aécio, para aumentar o apetite.”

Bob Fernandes
De Belo Horizonte (MG)

Terra Magazine – Estamos aqui em Minas Gerais, no Palácio das Mangabeiras, com o governador Aécio Neves. Qual é a possibilidade de o senhor vir a ser candidato a vice-presidente numa chapa do PSDB?

Aécio Neves – É um prazer enorme estar falando com você na minha primeira entrevista após o meu anúncio de que deixaria o PSDB à vontade para construir sua candidatura. Disse então que voltaria minhas forças e as minhas atenções para as coisas de Minas Gerais. Eu reconheço e respeito a posição de alguns companheiros que gostariam de ver uma chapa composta pelo governador Serra e por mim. Mas, da mesma forma que respeito essa posição, é natural que eles respeitem o meu ponto de vista de que essa chapa não é adequada para nós vencermos as eleições.
O quadro partidário brasileiro é extremamente plural, nós devemos absorver outras forças políticas. Não acho que eu possa ajudar mais uma candidatura do PSDB do que estando em Minas Gerais, eventualmente como candidato ao Senado, ajudando a dar a vitória ao nosso candidato ao governo de Minas Gerais e ao nosso candidato a presidente da República, mas para isso eu precisarei me dedicar profundamente às questões mineiras. Portanto, não existe, nem cogito essa possibilidade de disputar a vice-presidência da República. Coloquei meu nome para candidato à Presidência, para a construção de uma nova convergência política no Brasil, de um governo que olhasse para o futuro, aquilo que eu chamei o pós-Lula. O partido, e eu respeito essa posição, optou por caminhar em outra direção. Cabe a mim cuidar das coisas de Minas e apoiar o candidato do meu partido.

Confira.

(Vitor Hugo Soares)

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Comentários

ANTONIO EDGARD DOS SANTOS NETO on 18 Janeiro, 2010 at 21:21 #

É evidente que o governador de Minas está fazendo uma leitura do programa do PT a partir dos interesses de sua classe, as oligarquias que estiveram no poder ao longo dos 500 anos de história desse país. Ao longo dos quais acumularam riquezas às custas da vida de todos os demais. Todas as vezes que houve crescimento econômico no Brasil, os frutos desse crescimento, foram apropriados exclusivamente pelos que já detinham o poder econômico, resultando, por um lado, em uma concentração de riqueza e em uma opulência criminosa, jamais pensaram em inverter essa lógica predatória de gentes. Enquanto os ancestrais de Aécio, FHC, José Serra, e eles mesmos, enriqueciam e desconstruíram todos os projetos nacionais de inserção soberana do Brasil no mundo, milhões de brasileiros, negros, mulatos, nordestinos, experimentavam o amargo sabor da miséria, da absoluta escassez de oportunidades. A disputa se dará entre o Partido dos Trabalhadores, que inverteu essa lógica da minoria infecunda brasileira, contra essa mesma minoria, que é racista, não tem projetos pro país, pensa em uma inserção subalterna do Brasil no mundo, que faz leis para seu interesses próprios, que é contra qualquer possibilidade de mobilidade social. Será a disputa do socialismo contra o capitalismo selvagem que sempre imperou no Brasil e seu representantes do psdb, dem, pps e assemelhados.


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