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Postado em 16-01-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 16-01-2010 11:10

Deu na coluna

Em sua coluna deste sábado, na Tribuna da Bahia, o jornalista Ivan de Carvalho assinala que a mais recente estimativa sobre o número de mortos no Haiti em consequência do terremoto é de 140 mil mortos. Dezenas de países do mundo estão enviando ou preparando-se para enviar ajuda financeira ou material de origem pública e particular. Pois é bem no meio das preocupações com esse desastre monumental que o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra e o assessor especial para Assuntos Internacionais do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, que é agora (valha-me Deus) também o encarregado da elaboração do programa do PT para a campanha eleitoral e o hipotético governo de Dilma Rousseff, envolvem-se numa pendenga sobre qual partido está à “esquerda”, se o dos tucanos, se o dos “companheiros”. Confira no texto de Ivan, que Bahia em Pauta reproduz. (VHS)

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Sergio Guerra e…

… e Marco Aurelio: hora errada


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OPINIÃO POLÍTICA

Uma discussão sobre nada

Ivan de Carvalho

A mais recente estimativa sobre o número de mortos no Haiti em consequência do terremoto é de 140 mil mortos. Dezenas de países do mundo estão enviando ou preparando-se para enviar ajuda financeira ou material de origem pública e particular.

O Brasil tem o comando e quase todo o contingente das tropas que, em nome da ONU, foi enviado para manter a ordem e a paz no mais pobre e talvez o mais sofredor país das Américas. A missão militar lá está há bastante tempo, mas toda a violência e as mortes que certamente evitou foram um benefício amplamente neutralizado e superado, em poucos segundos, pelo terremoto que destruiu a capital do país, Porto Príncipe e atingiu seus arredores.

Pois é bem no meio das preocupações com esse desastre monumental que o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra e o assessor especial para Assuntos Internacionais do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, que é agora (valha-me Deus) também o encarregado da elaboração do programa do PT para a campanha eleitoral e o hipotético governo de Dilma Rousseff, envolvem-se numa pendenga sobre qual partido está à “esquerda”, se o dos tucanos, se o dos “companheiros”, ainda que todos sabendo que entre estes há muitos que gostariam mais de ser “camaradas”.

O presidente do PSDB comparou a posição de seu partido à do PT numa entrevista à revista Veja. Disse que se a oposição chegar ao poder, haverá mudança na política econômica e que a ação a esse respeito será rápida e objetiva. E afirmou, então, que o PT “já foi” de “esquerda”, mas se transformou em um “partido populista”.

Marco Aurélio Garcia correu para responder pisando nos cascos, já que em outra ocasião não pareceu bem ao público ele comemorar o suposto bom resultado da violação ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo com o popular (ou populista?) “top, top, top”. Disse, o genial assessor, ironizando, que ante as declarações de Guerra teve “uma crise de identidade” e acrescentou que “o PSDB não é um partido de direita, é um partido da direita. Sutil pra burro. Concedeu que no PSDB “há pessoas de esquerda”, assim como talvez o presidente deste partido possa conceder que entre os “populistas” do PT existam algumas pessoas “de esquerda”.

Ora, quanta bobagem e perda de tempo com nada. Isso “já foi” e “top, top, top” pra isso. Durante quase todo o século XX o mundo conviveu com esses dois rótulos, “esquerda” e “direita”, uma maneira de os políticos e muitas instituições, a exemplo de partidos e Estados, escamotearem o que realmente eram, e, graças à intensa propaganda comandada pelos comunistas da União Soviética, ficou mais ou menos estabelecido que “esquerda” era bom e “direita”, ruim. Servia também como instrumento da preguiça, pois quem diz “sou esquerda” se acha desobrigado de dar qualquer outra informação sobre o que pensa ou pretende politicamente. Tudo como em Animal Farm (A Revolução dos Bichos), de George Orwell. Os porcos, que empalmaram o poder na fazenda dos bichos, impuseram o conceito recentemente lembrado pela jornalista Dora Kramer: “Quatro patas, bom; duas patas, ruim”.

Uma porcaria mesmo essa discussão. E no século XXI.

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